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Lee Taylor faz vilão em sintonia com brutalidades do Brasil

Personagem Camilo, de A Dona do Pedaço, representa o machismo, a violência contra a mulher e o abuso de autoridade

21 set 2019
11h16
atualizado em 24/9/2019 às 11h06
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“Paixão é uma obsessão positiva. Obsessão é uma paixão negativa”, disse o escritor belga Paul Carvel. Em A Dona do Pedaço, Camilo se revelou não apenas obcecado, mas também ignóbil e criminoso.

O policial obrigou a ex-noiva Vivi (Paolla Oliveira) – a quem desmascarou em pleno altar ao revelar sua infidelidade – a romper com o pistoleiro Chiclete (Sergio Guizé) e agora quer arrastá-la novamente até a igreja.

Lee Taylor apresenta uma atuação convincente no papel do ‘macho ferido e perigoso’
Lee Taylor apresenta uma atuação convincente no papel do ‘macho ferido e perigoso’
Foto: Raquel Cunha / TV Globo/Divulgação

No capítulo de sexta-feira (20), o detetive ficou furioso quando a digital influencer recusou o anel de noivado. Colérico e armado, ele atropelou o rival. Em breve, ficará ainda mais agressivo ao ser rejeitado na cama.

A novela das 21h da Globo finalmente ganha um vilão à altura das víboras Fabiana (Nathália Dill) e Jô (Ágatha Moreira).

Em uma trama liderada por mulheres astutas, faltava um personagem masculino forte para contrapor os mocinhos passivos.

O ator goiano Lee Taylor, 35 anos, conduz Camilo com destreza. Insere maldade e cinismo na doce certa, sem flertar com a caricatura da vilania.

Vivi e Camilo no dia do casamento que terminou em escândalo de traição
Vivi e Camilo no dia do casamento que terminou em escândalo de traição
Foto: João Miguel Jr. / TV Globo/Divulgação

O personagem ganha relevância por estar em sintonia com alguns males sociais gritantes no Brasil de hoje: o recrudescimento do sexismo, a onda crescente de agressão às mulheres e a assustadora violência policial.

Há ainda outro fator importante suscitado na dramaturgia de Camilo. Crueldade à parte, ele sofre, evidentemente, de com algum transtorno emocional.

O País vive uma epidemia de doenças mentais – milhões de pessoas sofrem e até se tornam ameaçadoras em razão da falta de diagnóstico e tratamento.

O autor Walcyr Carrasco construiu um vilão crível, contemporâneo e necessário. Muitos telespectadores violentos certamente se reconhecem no personagem monstruoso, assim como incontáveis brasileiras se veem na pele da acuada Vivi.

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