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A seu modo, Bonner devolve o "canalha" dito por Bolsonaro

Âncora do ‘JN’ sobe o tom contra o presidente e os negacionistas em geral em rara manifestação pessoal

15 jan 2021
10h57
atualizado às 10h59
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William Bonner nunca reagiu com virulência aos xingamentos e provocações de Jair Bolsonaro. Não caiu na armadilha de rebater no mesmo nível. Essa postura civilizada irrita o presidente, acostumado a inimigos verborrágicos como ele próprio. Na edição de quinta-feira (14) do Jornal Nacional, o âncora e editor-chefe surpreendeu o público ao ser mais visceral.

O todo-poderoso do telejornalismo e o todo-poderoso do Executivo: guerra de palavras sem espaço para cessar-fogo
O todo-poderoso do telejornalismo e o todo-poderoso do Executivo: guerra de palavras sem espaço para cessar-fogo
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV

Na hora da atualização de novos casos e mortes por covid-19, Bonner desabafou. “Nesse momento, infelizmente, ao invés de dar as notícias, trazer as informações corretas, nós estamos esgrimando com loucos, irresponsáveis, gente que é capaz de entrar num WhatsApp da vida e sair espalhando mentiras, a bel-prazer. As mentiras mais absurdas. Crendices. Tem gente que faz isso vestido de cargo público. Mas nós não vamos desistir. É nosso dever profissional. A gente tá defendendo aqui a nossa profissão, mas a gente tá defendendo aqui a sociedade. A nossa aqui no Brasil e cada colega nosso em cada País desse planeta.”

Não foi mero comentário. Impossível não interpretar a classificação “loucos, irresponsáveis” e o trecho sobre autoridades com “cargo público” a espalhar mentiras sobre o combate à pandemia como uma crítica a Bolsonaro. Às vezes, o subentendido faz a mensagem pretendida ficar mais evidente e forte do que a literalidade contra o alvo. Chamado por Bolsonaro de “sem-vergonha” e “maior canalha que existe” no último dia 7, Bonner parece ter esperado a fervura baixar a fim de, uma semana depois, dar resposta contundente sem descambar para o bate-boca.

Desde o início do mandato, em janeiro de 2019, e do recrudescimento da guerra o Grupo Globo (principalmente o JN), o presidente disparou inúmeros insultos contra a emissora do clã Marinho. “TV Funerária”, “lixo”, "nojenta", “jornalismo podre”, “corrupta”, “imprensa porca”, “patife” e “imoral” foram alguns deles. Atacado nas redes sociais e hostilizado em público, o apresentador do ‘JN’ demonstra resiliência. A frase “Mas nós não vamos desistir”, dita como recado a seus detratores, sinaliza que Bonner não está disposto a perder essa luta de gigantes.

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