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'Samba Futebol Clube' é peça que combina bate-bola com musical

Com direção de Gustavo Gasparani, produção faz bela homenagem a duas grandes paixões nacionais; espetáculo está em cartaz no Unimed Hall

9 nov 2019
07h10
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Foi em 2010 que o ator, diretor e dramaturgo Gustavo Gasparani recebeu o desafio: que tal criar um musical que casasse o futebol com a música brasileira? "Eu estava fazendo o espetáculo Oui, Oui... A França é Aqui, no Rio, e, depois de uma sessão, o jornalista João Pimentel me propôs isso", relembra ele que, desconfiado de que a relação pudesse, de fato, resultar em uma peça de teatro, pediu uma pesquisa. "João retornou com uma relação rica, uma variedade de textos e canções que me deslumbrou pela profundidade e beleza."

Animado, Gasparani promoveu uma habilidosa costura entre roteiro e músicas, que resultou em Samba Futebol Clube, finalmente em cartaz em São Paulo, no Teatro Unimed, depois de ter estreado há cinco anos no Rio. Trata-se de uma homenagem a duas das grandes paixões nacionais. Em cena, oito atores (Alan Rocha, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Marcel Octavio, Pedro Lima, Rodrigo Lima e Sergio Dalcin) se desdobram em diversos papéis para homenagear duas figuras essenciais: o torcedor e o jogador. "E como, além de cantar, todos tocam algum instrumento, temos uma 'banda show de bola'", brinca o diretor.

Samba Futebol Clube divide-se em dois atos. No primeiro, a história é contada sob a ótica dos torcedores - entram aí as paixões descontroladas, as rivalidades, as idiossincrasias, as dores de pessoas que vivem focadas em outro plano, aquelas para quem não existe nada mais importante no mundo que o clássico Palmeiras x Corinthians.

No segundo ato, os jogadores tornam-se os protagonistas - novamente, um desfile de momentos inesquecíveis do folclore futebolístico, com cenas hilariantes que vão desde a forma atropelada com que alguns atletas cantam o Hino Nacional até as mais descabidas declarações para repórteres de rádio.

"É um mundo particular e muito fascinante", comenta Gasparani que, no texto, promove encontros notáveis, como Pixinguinha com Carlos Drummond de Andrade, Jackson do Pandeiro com José Lins do Rêgo, Armando Nogueira com Gonzaguinha, Skank e Rappa com Ferreira Gullar. "São trabalhos que me permitiram extrair o que de memória, afeto, infância, poesia, política e filosofia o futebol ainda nos dá."

Para a temporada paulistana, Gasparani decidiu reforçar a presença de times locais, o que não acontecia muito na versão carioca, que circulou pelo País. Assim, canções de Adoniran Barbosa e Germano Mathias enaltecendo o Corinthians ganharam um espaço. "O problema foi tirar canções favoráveis ao Fluminense, que é meu time do coração", brincou o encenador.

Outro momento adequado à plateia paulista é o que mostra um dos atores confessando sua paixão clubística, geralmente por uma agremiação que é alvo de brincadeiras por outros torcedores. Assim, se no Rio o fanático era um vascaíno doente, agora o homenageado é um torcedor do Guarani de Campinas.

Com habilidade, Gasparani construiu um espetáculo recheado de pequenas referências que fazem a alegria dos torcedores mais antigos, como um bordão do saudoso radialista Valdir Amaral ("O relógio marca!") ou a sequência de trinados que Altamiro Carrilho tirava de sua flauta, para marcar também o tempo de jogo.

E o roteiro musical reúne pérolas do cancioneiro popular, desde Fio Maravilha (1972), de Jorge Benjor, a É Uma Partida de Futebol (1996), de Samuel Rosa e Nando Reis, sem se esquecer de Lamartine Babo, autor dos hinos dos principais clubes cariocas, com destaque para o América, seu clube do coração.

SAMBA FUTEBOL CLUBE

TEATRO UNIMED

ALAMEDA SANTOS, 2159.

TEL.: 4020-0084.

5ª A SÁB., 21H. DOM., 18H.

R$ 50 / R$ 100. ATÉ 1/12

Estadão
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