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A série "Sintonia" provou que podemos mostrar a realidade do jovem de favela sem estereótipos

Se você mora em grandes cidades, sabe que em todas elas existem favelas. As favelas, ou comunidades, são um pedaço comum nos centros urbanos onde habitam milhares de pessoas, principalmente jovens. A série "Sintonia" mostrou de uma forma respeitosa, porém real, exemplos de histórias de três adolescentes e nós precisamos falar sobre isso.

12 set 2019
19h44
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Não é nada comum vermos a favela ser mostrada como algo que não seja perigoso ou ruim, principalmente nas produções nacionais. O estigma deixado pelo preconceito não faz com que as pessoas, sendo elas jovens ou não, se sintam representadas em filmes ou séries produzidas no Brasil. Quando KondZilla - empresário e produtor que cresceu na periferia de São Paulo - se uniu a Netflix , ficamos ansiosos para ver o que ele iria mostrar na série "Sintonia".

A série "Sintonia" provou que podemos mostrar a realidade do jovem de favela sem estereótipos
A série "Sintonia" provou que podemos mostrar a realidade do jovem de favela sem estereótipos
Foto: Reprodução / PureBreak

Pois KondZilla, a Netflix e a produtora Losbragas se uniram para mostrar com fidelidade a realidade do jovem de favela. Nando (Christian Malheiros), Rita (Bruna Mascarenhas) e Doni (MC Jottapê) são apenas três representações de histórias de adolescentes, mas a necessidade de seus papéis é super importante numa realidade em que nem tudo é mostrado da forma que realmente é.

Todo mundo é bandido?

Muitos jovens da favela já ouviram de quem não mora no local: "mas você já viu/pegou uma arma?". É claro que existe o crime, mas não é por isso que todo morador pega numa arma ou são seduzidos pelo "dinheiro fácil" e rápido que o tráfico oferece. A história de Nando mostra como o adolescente faz de tudo para alcançar um "cargo" maior no mundo do crime. Por isso, ele precisa fazer algumas coisas imperdoáveis e a realidade no dia-a-dia de quem escolhe esse caminho é essa, infelizmente.

O ator Christian Malheiros cresceu na favela e mostrou sua visão sobre o interesse da mídia nesse território: "Você só vê câmera quando matam alguém lá, o resto do ano você não vê nenhuma. É muito louco porque os caras invadem o seu espaço, estão invadindo seu espaço, 'tá' filmando a tua casa, a porta da tua casa, pode 'tá' tua filha, tua criança ali. Então sempre foi uma falta de respeito, entende?".

Maiores vencedores

A vitória para quem mora na favela e precisa aprender a lidar com a presença do crime, pobreza e outras dificuldades que só quem vive entende, é com certeza mais saboreada e bonita do que a maioria. A produtora da série, Rita Moraes, revelou que ela e os produtores pensaram em dar destaque para o jovem: "Pra Losbragas, o grande negócio dessa série é isso. A gente precisa dar voz para as pessoas que tem essa voz original, única, jovem. Porque se você faz uma coisa que é muito local e verdadeira, o potencial dela é global".

É preciso que a realidade desses locais seja representada de forma real e respeitosa, para que assim crie uma consciência coletiva de que pessoas que moram ali merecem as mesmas coisas que as outras, merecem que suas histórias sejam contadas e merecem representatividade.

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