0

Opressão e seus opositores darão tom político ao Festival de Berlim de 2019

29 jan 2019
14h38
  • separator
  • 0
  • comentários

O abuso de poder, a opressão estatal e a luta enfrentada por aqueles que tentam desafiá-la em países que vão da Rússia ao Brasil e aos Estados Unidos são temas centrais do Festival Internacional de Cinema de Berlim deste ano, cuja lista de atrações foi anunciada nesta terça-feira.

Diretor do Festival de Cinema de Berlim, Dieter Kosslick, durante entrevista coletiva 
29/01/2019 REUTERS/Fabrizio Bensch
Diretor do Festival de Cinema de Berlim, Dieter Kosslick, durante entrevista coletiva 29/01/2019 REUTERS/Fabrizio Bensch
Foto: Reuters

A edição deste ano do festival, que jamais se absteve de pautas políticas delicadas, destacou filmes brasileiros que anteciparam a guinada do país para a direita na eleição presidencial do ano passado em sua programação.

"Às vezes a arte tem que ser política", disse o diretor Dieter Kosslick, que comanda sua 18ª e última Berlinale.

"No caso do Brasil, vemos como os filmes fizeram uma leitura sismográfica do clima do país antes de o atual presidente ser eleito", acrescentou.

"Marighella", filme dirigido por Wagner Moura e exibido fora da competição, conta a história da resistência do escritor Carlos Marighella e sua morte em 1969 nas mãos da ditadura militar que havia derrubado um governo democrático alguns anos antes - uma história que ecoa perturbadoramente a ascensão do presidente Jair Bolsonaro.

A diretora francesa Juliette Binoche, que já tem um Urso de Prata, preside o júri da competição principal do festival, que deve sua inclinação política a seu nascimento em 1951 em uma cidade dividida que se estendia pelas linhas de frente da Guerra Fria.

Um exemplar legítimo desta tradição é "Mr. Jones", da diretora polonesa Agnieszka Holland, que conta a história do jornalista galês Gareth Jones, cujas reportagens dos anos 1930 da União Soviética expuseram o horror da fome na Ucrânia apesar de governos e repórteres rivais que tentaram silenciá-lo.

A China também está bem representada na competição principal com "So Long, My Son", de Wang Xiaoshuai, que estuda as vidas de dois casais vivendo as mudanças econômicas revolucionárias que transformaram o país desde os anos 1980. Também exibido fora da competição, "Vice", do diretor norte-americano Adam McKay, trata do reinado de Dick Cheney como o vice-presidente mais poderoso dos EUA. 

"Este é o filme que você tem que ver para entender a Presidência", disse Kosslick antes de recomendar, causando riso na plateia, uma exibição de "Watergate - Or How We Learned to Stop an Out of Control President", documentário de Charles Ferguson sobre a queda de Richard Nixon, no festival.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade