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Quem é o cantor favorito de Lula, presidente do Brasil?

Reeleito neste domingo com 51,74% dos votos, o presidente citou Chico Buarque no discurso da vitória — e não foi a primeira vez

26 out 2026 - 11h04
(atualizado às 11h06)
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Resumo
Ao celebrar a vitória de seu quarto mandato presidencial, Lula reafirmou sua admiração por Chico Buarque, a quem chamou de cantor favorito e citou para definir sua visão de política externa altiva. Ícone da resistência cultural e vencedor do Prêmio Camões, Chico mantém com o presidente uma histórica e recíproca relação de apoio político e afeto pessoal — evidenciada em visitas, discursos e atos públicos —, que sobreviveu intacta mesmo após pontuais críticas do músico em gestões passadas.

Na noite deste domingo, 25, depois de confirmar seu quarto mandato com 51,74% dos votos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva discursou em um hotel de São Paulo e recorreu a uma referência que seus apoiadores já conhecem bem: "Como costuma dizer meu cantor preferido, Chico Buarque de Hollanda: ele gostava do nosso governo porque o nosso governo não falava grosso com a Bolívia nem fino com os Estados Unidos. A gente falava igual com todo mundo". A declaração sobre política externa, marcada pelo afeto cultural, revelou mais uma vez quem ocupa o topo da lista musical do presidente.

Luiz Inácio Lula da Silva, no dia das eleições gerais, em 25 de outubro de 2026
Luiz Inácio Lula da Silva, no dia das eleições gerais, em 25 de outubro de 2026
Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Francisco Buarque de Hollanda, o Chico Buarque, nasceu em 1944, no Rio de Janeiro. Filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, é compositor, cantor e romancista. Em 2019, recebeu o Prêmio Camões, a mais importante distinção da literatura em língua portuguesa. Durante a ditadura militar, tornou-se um símbolo de resistência: "Apesar de Você" (1970) foi censurada após o lançamento; "Cálice" (1973), escrita em parceria com Gilberto Gil, foi proibida antes mesmo de ser gravada. As canções que o regime tentou silenciar tornaram-se hinos de uma geração.

A relação entre os dois vem de longa data. Em 2007, Lula assistiu a uma apresentação de Chico em Brasília, ao lado da então primeira-dama Marisa Letícia. Ao sair do camarim, resumiu sua impressão: "É um gênio". Em abril de 2023, em Lisboa, o presidente entregou pessoalmente ao compositor o Prêmio Camões, cuja entrega havia sido adiada por quatro anos durante o governo anterior. Em seu discurso, classificou a demora como "um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura brasileira" e afirmou que a premiação representava "uma resposta do talento contra a censura, do engenho contra a força bruta". Lula também brincou que, quando era criança, quis ser cantor e escritor, mas sua mãe lhe disse que outro menino havia nascido dois anos antes para cumprir esse papel. "Aqui estou, eu, presidente da República, e o Chico, representando a cultura viva do nosso país". Em dezembro daquele ano, Lula e a primeira-dama Janja jantaram na casa do compositor, no Rio de Janeiro, ao lado de Maria Bethânia, Caetano Veloso, Dilma Rousseff e do ex-presidente uruguaio José Mujica.

O sentimento é recíproco, embora a relação entre arte e política também tenha suas complexidades. Chico assinou, ao lado de cerca de 400 intelectuais, um manifesto que pedia a Lula que anunciasse sua candidatura à Presidência. Quando o petista foi preso, em 2018, o compositor participou do espetáculo Lula Livre ao lado de Gilberto Gil. Em 2015, quando Lula completou 70 anos, em meio às pressões da Operação Lava Jato, Chico gravou um vídeo com uma mensagem breve: "Estou com você como sempre". A deferência, porém, teve limites, já que, durante o escândalo do mensalão, o compositor criticou publicamente o governo e chegou a recusar um convite para compor um samba-enredo em homenagem ao presidente.

Nada disso, ao que parece, abalou a admiração de Lula. Na noite em que garantiu seu quarto mandato, entre referências ao "Hino da Independência" e à soberania nacional, o presidente recorreu a Chico Buarque para explicar como o Brasil deve se relacionar com o mundo. Para quem acompanha a relação entre os dois há décadas, a citação não foi uma surpresa.

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