2 eventos ao vivo

James Taylor explica como pega uma música e a toma para si

Ele ainda não se cansou de lançar clássicos do cancioneiro americano; confira os últimos três

25 nov 2020
14h11
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

NOVA YORK - Alguma acontece quando James Taylor faz o cover de uma música. Tudo fica meio "James Tayloriano".

"As pessoas sempre me dizem: 'Parece que foi você que compôs essa música' ou então 'Parece uma música do James Taylor'. É porque o que fiz foi basicamente traduzir para a minha língua", disse o cantor e compositor à Associated Press numa entrevista esta semana.

"Nem todas as canções funcionam na minha língua, mas as que funcionam - se forem interessantes ou valerem a pena - só funcionam porque é bom ouvi-las na língua do James Taylor".

Os fãs já podem ouvir mais clássicos traduzidos por James Taylor. Na última sexta-feira, 20, foram lançadas digitalmente três canções: Over The Rainbow, do filme O Mágico de Oz, I've Grown Accustomed to Her Face, de My Fair Lady, e Never Never Land, de Peter Pan.

O trio de músicas não entrou no álbum American Standard, que Taylor lançou no início deste ano com covers como Sit Down, Youre Rockin' the Boat e God Bless the Child. Em vez de dependerem do piano, são reinterpretações guiadas por violão, muitas vezes melancólicas e arejadas.

Taylor, 72 anos, diz que tem uma relação íntima com as canções escolhidas para o álbum e novo EP, pois ouvia muitas delas da coleção de discos de seus pais, quando era criança na Carolina do Norte.

"Estava só experimentando para ver se servia", diz ele. "Era muito fácil e natural pegar um instrumento e começar a aprender as canções e reinterpretar as canções e desenvolver uma espécie de técnica de violão bem simples".

O novo lote de canções se apoia fortemente em musicais da Broadway, como as duplas de compositores Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, Frederick Loewe e Alan Jay Lerner. "Acho que eles tiveram um efeito profundo nas minhas composições. São basicamente meus professores", diz Taylor.

Durante a entrevista, Taylor foi tranquilamente atencioso, passando de tópicos como a gentrificação dos subúrbios de Boston para a reflexão sobre como a Catedral de Chartres deve ter sido uma revelação para um camponês centenas de anos atrás. Ele é bem versado em Thomas Mann e Tolstói.

Várias vezes ele observou que suas habilidades com o violão eram um tanto limitadas e que sua tendência natural é se fiar em suas próprias influências: bossa nova, música latina e afro-cubana. "É interessante verter as músicas para esse vocabulário", diz ele.

Ele também é modesto sobre suas próprias composições, dizendo que normalmente se senta com o violão e toca até encontrar uma melodia - ou "pegar uma ideia", como ele diz - e quem sabe um pedaço de letra. Foi assim que surgiram obras-primas como Carolina in My Mind e Fire and Rain.

"Fiz algumas músicas enquanto estava dirigindo o carro, ou só pegava o telefone e gravava a letra ou a melodia - isso também aconteceu. Mas sinto que, quando isso acontece, ainda estou habitando aquele lugar que descobri e construí ao me sentar com o violão".

O lote de gravações de American Standards juntou Taylor com o guitarrista e produtor John Pizzarelli. Os dois trabalharam no álbum de Taylor de 2002, October Road, e em seu álbum de Natal de 2006.

Pizzarelli, que também trabalhou com Paul McCartney, Michael McDonald e Rosemary Clooney, diz que Taylor é um violinista incrível e um harmonizador talentoso. "Quando você ouve a coleção, dá para ver que ele realmente "James Taylorizou" tudo, mas sem prejuízo para as canções. Ele deixa as músicas ainda melhores".

Taylor diz que gravou as versões - muitas delas em seu estúdio em Washington, Massachusetts - não apenas para homenageá-las, mas também para educar, lembrando-as para os ouvintes mais jovens que podem estar procurando a próxima descoberta entre os triunfos sonoros do passado.

"Tenho quatro filhos e eles são todos musicais em maior ou menor medida. Então sempre posso dizer, felizmente: 'Vá ouvir Lee Dorsey, ouça Ry Cooder, ouça Neil Sedaka'", diz ele. "Estou sempre fazendo recomendações".

Esteja ele sentado para retrabalhar a música de outra pessoa ou criando uma canção própria, Taylor de alguma maneira evoca sentimento com sua voz, um processo que deixa até ele mesmo perplexo. "Você canta e evoca uma emoção. É uma coisa mágica".

Ele se maravilha com a ideia de que canções como Over There ou It's a Long Way to Tpperary possam criar um zelo patriótico instantâneo. "Você pode tomar umas e cantar e sentir tudo aquilo de novo", diz ele, genuinamente impressionado. "Nada mal, não é?"

TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Veja também:

Dua Lipa desabafa sobre ansiedade causada pelas redes
Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade