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Iron Maiden arrebata gerações de fãs em SP e Bruce Dickinson promete: 'Como James Bond, voltaremos'

O sexteto inglês desfilou 17 canções em quase duas horas e meia de show na noite deste domingo, 25, para uma plateia que invadiu todos os setores do Nubank Parque e que trazia pessoas das mais diferentes gerações

26 out 2026 - 14h45
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Resumo
Em sua 16ª passagem pelo Brasil, o Iron Maiden reuniu gerações em São Paulo com a turnê Run for Your Lives. Com repertório focado na fase clássica de 1980 a 1992, o show marcou a estreia do baterista Simon Dawson, substituto de Nicko McBrain. Aos 68 anos, Bruce Dickinson comandou a noite com vocais impecáveis e forte interação com a plateia, reafirmando a histórica conexão da banda com o público brasileiro antes de encerrar prometendo futuros retornos.

Uma das anedotas mais famosas em relação ao Iron Maiden é que o grupo jamais saiu do Brasil: moram num condomínio em Vinhedo - ao lado de Paul McCartney, Katy Perry e Maroon 5, para ficarmos entre outros "visitantes" famosos - e de tempos em tempos saem do conforto de seu condomínio para fazer algumas turnês.

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Brincadeiras à parte, poucos astros possuem uma relação tão estreita com o Brasil quanto o sexteto inglês. Desde o Rock in Rio de 1985, quando estrearam nos palcos brasileiros, tocando para um público estimado em 300 mil pessoas, até os tempos atuais, foram nada menos do que dezesseis visitas (quer dizer, estamos fazendo de conta que eles não moram aqui). São Paulo é a cidade que mais consome Iron Maiden no Spotify - 1,2 milhão de ouvintes só no mês passado - e o canal do conjunto no YouTube chegou a 5,5 milhões de acessos no dia 26 de setembro, talvez inspirado pela nova turnê.

A apresentação deste domingo, 25, (e que será reprisada na terça em São Paulo e na quarta-feira em Curitiba) faz parte da turnê Run for Your Lives, na qual o grupo inglês toca praticamente faixas de todos os discos lançados entre 1980 a 1992 (o único que fica de fora é No Prayer for the Dying, de 1990). A novidade, além do andamento um pouco mais vagaroso em relação às gravações originais, é a presença do baterista Simon Dawson no lugar do carismático Nicko McBrain, que aposentou as baquetas em 2024. Egresso do British Lion, projeto paralelo do baixista e líder do Iron Steve Harris, Dawson é um músico discreto, mas eficiente. Embora falte a ele a desenvoltura de seu antecessor (que, aliás, sugeriu o brasileiro Aquiles Priester para a função), o novo membro segura as pontas e mostra-se bem entrosado com Steve Harris, o dono da banda.

Surgido em 1975, o Iron Maiden é a maior expressão de um movimento chamado "new wave of british heavy metal", que representou um novo modo de fazer e pensar rock pesado. Suas influências vão de grupos progressivos como Jethro Tull e o hard rock do Deep Purple, passando por bandas de rock épico - Rising, que o quinteto britânico Rainbow lançou em 1976, é obrigatório para entender a pauleira com tendências épicas dos "maidenianos". Outras características estão no casamento de guitarras de Dave Murray e Adrian Smith (que se tornaram um trio com a presença de Janick Gers), inspiradas em duplas como Glenn Tipton e K.K. Downing, do inglês Judas Priest, e Scott Gorham e Brian Robertson, do irlandês Thin Lizzy. As letras do conjunto vão de encontro ao hedonismo trivial do heavy metal - eles falam de assuntos que vão de personagens históricos como Alexandre o Grande a feitos da Segunda Guerra Mundial e seres sobrenaturais.

A performance começou pontualmente com a execução, nas caixas de som, de Doctor Doctor, canção do grupo UFO - cujo baixista, Pete Way (1950-2020), foi uma das inspirações de Steve Harris. Em seguida, The Ides of March, canção de abertura do disco Killers, de 1981, foi o ponto de partida para, no palco, o Iron atacar outras três músicas do álbum - Murders in the Rue Morgue, Wrathchild e Killers. Nesta última, Eddie, a caveira/mascote do conjunto, faz a primeira das duas aparições da noite. Ela brande um machado e recebe um golpe nas partes baixas do vocalista Bruce Dickinson. Eddie retornaria algumas canções depois, brandindo uma bandeira durante a execução de The Trooper.

O cantor, aliás, é um fenômeno. Nem parece que ele foi diagnosticado com câncer na língua em 2014 - recuperou-se no ano seguinte. Do alto de seus 68 anos, Dickinson brilha tanto nos agudos - o grito de The Number of the Beast e o tom altíssimo de Aces High se mantém intactos - como nas canções que exigem tons mais graves. Caso de Hallowed Be thy Name e Fear of the Dark. Bruce sofreu com a plateia durante um show do Iron Maiden no Equador - os sinalizadores impediram que ele respirasse decentemente e o vocalista chegou a sair do palco. O público brasileiro, por seu turno, não apenas o respeitou como o saudou com carinhos de "Brucê, Brucê, Brucê."

Bruce atua ainda como o mestre de cerimônias do conjunto. "Vocês são um país espetacular", diz, ao final de The Number of the Beast. Logo depois de Two Minutes to Midnight, diz para a plateia que é a "hora da cachaça", mas finge indignação ao perceber que na verdade iria tomar água. As palavras de ordem "scream for me São Paulo, scream for me Brazil", então, são praticamente obrigatórias nas suas performances.

O sexteto inglês desfilou dezessete canções em quase duas horas e meia de apresentação, para uma plateia que invadiu todos os setores do Nubank Parque e que trazia pessoas das mais diferentes gerações. Um feito que não passou despercebido por Rod Smallwood, o empresário do sexteto. "Ver a empolgação e a paixão nos rostos dos espectadores adolescentes — alguns vendo a banda pela primeira vez, outros que já compareceram a vários shows — é algo maravilhoso. Valorizamos todos os nossos fãs, jovens e mais velhos, mas saber o quanto nossa música significa para cada nova geração é algo que guardamos com muito carinho — e não há lugar onde isso seja mais evidente do que no Brasil", disse ele para o Estadão. "Ficamos muito contentes pelo fato de nosso público no Brasil ser tão multigeracional."

O show se encerrou com Wasted Years, canção de Somewhere in Time, de 1986. "Assim como James Bond, nós voltaremos", brincou Bruce Dickinson, antes de se despedir da plateia - e, provavelmente, descansar no condomínio das estrelas em Vinhedo.

Estadão
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