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Graziela Medori e Alexandre Vianna fazem belo tributo ao Clube da Esquina

A cantora e o pianista lançam nesta sexta-feira, 27, o disco 'Nossas Esquinas', com canções dos dois álbuns clássicos de Milton Nascimento, Lô Borges, Fernando Brant e cia.

27 nov 2020
05h11
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O Clube da Esquina produziu uma obra sagrada, mas não hermética. Deixou um portal aberto para revisitas, releituras. Mas esses novos olhares precisam ser feitos com reverência, delicadeza, conhecimento. E é dessa forma que a cantora Graziela Medori e o pianista Alexandre Vianna adentram o universo cunhado por Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges, Fernando Brant, entre outros nomes dessa turma talentosa de Minas, no belo disco Nossas Esquinas, que chega nesta sexta, 27, às plataformas digitais pela Kuarup.

Existe o desafio de fazer novas versões para uma obra tão aclamada, o casal admite, mas fica evidente que Graziela e Alexandre - que já a conheciam desde a infância - se aprofundaram nela para erguer Nossas Esquinas, o trabalho de quarentena dos dois.

Graziela conta que, quando shows e projetos foram paralisados por causa da pandemia, eles pensaram no que poderiam propor como live. Tiveram a ideia de apresentar em suas redes o Chapéu Online, com temas diferentes a cada semana. "Fizemos essas lives e uma delas foi em homenagem ao Milton Nascimento. O repertório nos mostrou que poderíamos fazer algo a mais com as músicas do Milton e que poderia soar muito bem nessa formação de voz e piano", completa Alexandre. Diante da lista extensa de canções, seguiram com o Clube da Esquina. Em tempos de pandemia, a gravação foi feita em home studio, que ocupa um dos quartos do apartamento deles, em São Paulo, onde estão o piano e os equipamentos de gravação, microfones, teclados, descreve a cantora.

Assim, tendo voz e piano, seus principais instrumentos, como base para o álbum, Graziela e Alexandre partiram para a escolha do repertório, cujo resultado é outro ponto alto desse trabalho ao fugir de uma seleção mais óbvia. Há algumas canções emblemáticas, mas houve uma pesquisa da qual eles resgataram pérolas menos conhecidas dos discos Clube da Esquina, de 1972, e Clube da Esquina 2, de 1978. Graziela confirma que foi esse o critério de seleção das faixas.

"Escolhemos separadamente as canções, depois mostramos a lista para cada um, tivemos que ceder um pouco nesse processo, mas, no final, ficou certinho: 12 faixas, 6 de cada álbum. Foi desafiador, pois as canções são belíssimas, o repertório é extenso, são discos duplos, mais precisamente 44 músicas. O que facilitou foi partir do conceito das canções menos visitadas e menos regravadas desse repertório", comenta Graziela, filha da cantora Claudya. "Optamos propositalmente por escolher as músicas que não foram muito revisitadas, pois queríamos apresentar para o público praticamente um repertório 'inédito', inclusive para um estudo pessoal nosso. Muitas dessas canções passamos a conhecer através dessa pesquisa, nunca tínhamos tocado e algumas não conhecíamos a fundo", afirma Alexandre.

De Nuvem Cigana a Credo, passando Dos Cruces, Mistérios, Testamento, entre outras, Nossas Esquinas percorre os dois álbuns do Clube sem cronologia ou ordenação, reforçando os pontos de convergência, em letra e atmosfera, entre esses exemplares clássicos da música brasileira. Composições mais emblemáticas desse cancioneiro, como Tudo Que Você Podia Ser e Cravo e Canela, ganham frescor no diálogo bem afiado entre intérprete e músico. "Dei duas ideias em ambas para o Alexandre: em Cravo e Canela, começar e finalizar com o coro e, em Tudo Que Você Podia Ser, pensei em uma variação rítmica melódica. Na verdade, sem saber muito como explicar, porque não estudei música, não tenho a linguagem acadêmica, mas ele sabia exatamente o que eu queria em determinado lugar. Ouvi-las prontas foi lindo. Sabíamos que percorreríamos um caminho criativo", diz Graziela.

Há uma combinação de simplicidade e sofisticação, que, de certa forma, reflete o espírito do Clube da Esquina. Para Alexandre, elaborar os arranjos foi o maior de todos os desafios. Criar uma identidade entre o Clube da Esquina, com sonoridade tão marcante e particular, e seu gosto pessoal.

"Um dos fatores importantes nos arranjos foi manter a estética musical do Clube da Esquina. A música mineira tem uma característica harmônica e melódica muito peculiar que favorece explorar outros caminhos. Os arranjos foram criados com base no piano e na voz, que são o corpo do trabalho. Busquei dar ênfase em novas harmonias e paisagens musicais através de elementos atuais", explica ele. "Por exemplo, a música Testamento, que originalmente foi gravada com violões, flauta, percussões, cordas, traz uma sonoridade que explora distintos universos como a música indígena. Nesse arranjo, utilizei como base sintetizadores e piano. O uso do sintetizador nos remete a uma linguagem mais atual."

Nossas Esquinas é uma delicada homenagem a uma obra atemporal.

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Estadão
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