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Courtney Barnett faz um convite à reflexão em seu terceiro álbum

Compositora australiana, indicada para o Grammy, cria canções mais intimistas e delicadas sob o impacto da pandemia

1 dez 2021 20h11
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Courtney Barnett tem passado muito tempo pensando no futuro. A compositora australiana indicada para o Grammy construiu sua reputação e conquistou o público ao transformar minúcias de seu cotidiano em canções inteligentes. O título de seu terceiro álbum, Things Take Time, Take Time ("As coisas levam tempo, levam tempo"), é, ao mesmo tempo, um lembrete e uma nova forma de pensar para Barnett, de 33 anos. O álbum, lançado em 12 de novembro, substitui as guitarras distorcidas por sons eletrônicos suaves e convida à reflexão em suas letras.

Com um modo de falar contemplativo e sem pressa, ela projeta um ar de calma, mas escreve canções que revelam seus conflitos internos. Em 2014, ganhou destaque internacional, depois de uma apresentação no programa de TV The Tonight Show em que tocou Avant Gardener, canção que retrata um dia comum perturbado por uma crise de asma.

Em entrevista em setembro, ela contou que recentemente se atentou às palavras de Comfortable With Uncertainty ("Confortável com a incerteza", em tradução literal), da monja budista Pema Chödrön, no capítulo intitulado Comece onde você está (outra vez), e ficara impressionada com sua mensagem: "Ela dizia que é importante começar, começar aqui, agora mesmo, em vez de olhar tanto para o futuro. Tenho pensado muito nisso nos últimos anos. Há algo muito reconfortante em ser capaz de dizer: 'Neste momento, vou fazer só aquilo que quero muito fazer, em vez de projetá-lo em um futuro impossível'".

Barnett falou de um parque nos arredores de sua casa em Melbourne, na Austrália. Observações de como as pessoas interagem quando acham que ninguém as está observando são recorrentes nas canções de Barnett. Rae Street, música que abre o novo disco e que ganhou o nome da rua em que a compositora vivia quando a escreveu, está repleta dessas reflexões. A canção mistura vislumbres da vida no bairro com um senso de transitoriedade: "Os filhos da vizinha correm soltos / A mãe grita: 'Vocês nunca se calam?' / E tem uma coisa que sei / O sol vai nascer hoje e amanhã".

Pânico

Durante um breve período de pausa no lockdown no ano passado, a luta de Barnett para lidar com o que chamou de "elementos desconhecidos de um futuro incerto" culminou em um ataque de pânico. "Fui parar no pronto-atendimento às 4 da manhã."

O cineasta Danny Cohen a acompanhou durante quase três anos, entre março de 2018 e fevereiro de 2021, enquanto Barnett experimentava a vida ora mundana, ora espetacular de uma artista e fazia uma turnê internacional com sua banda. O resultado das filmagens, o documentário Anonymous Club ("Clube Anônimo"), foi exibido no começo de novembro no Festival de Cinema de Sydney.

Estadão
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