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Como era a vida de Belchior em seus reclusos anos finais

Relembre os últimos dias do ícone da MPB que trocou os holofotes por um autoexílio itinerante pelo Sul do país e também Uruguai

26 out 2026 - 15h39
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Resumo
Afastado dos palcos desde 2007, Belchior viveu sua última década em um misterioso autoexílio ao lado da companheira, Edna. Com bens bloqueados por dívidas e processos judiciais, o cantor sobreviveu de favores e passou por cerca de 15 cidades no Uruguai e no Rio Grande do Sul sob absoluto sigilo. Longe da ociosidade, ele lia, pintava, traduzia e mantinha hábitos saudáveis até falecer durante o sono em 2017, aos 70 anos, em Santa Cruz do Sul, vítima do rompimento da artéria aorta.

A imagem de Belchior ficou eternizada nos versos que ele mesmo cantou: a de um "rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes". Porém, na última década de sua vida, essa narrativa deixou de ser apenas a persona artística de um dos maiores compositores da história da MPB para se transformar em sua realidade cotidiana.

Belchior
Belchior
Foto: Divulgação/Warner / Rolling Stone Brasil

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Longe dos palcos, dos holofotes e do grande público a partir de 2007, o autor de clássicos como "Alucinação" e "Como Nossos Pais" — que faria 80 anos nesta segunda-feira, 26 — mergulhou em um misterioso autoexílio que durou até sua morte, em abril de 2017, aos 70 anos.

O paradeiro, a rotina e os dilemas desse período de reclusão foram detalhados por repostagens jornalísticas, biografias e relatos de pessoas que o acolheram (via g1, Terra e site Igor Miranda). Tais informações revelam uma existência marcada pelo anonimato itinerante e pela busca por privacidade no interior do Rio Grande do Sul e no país vizinho, Uruguai.

As cidades de Belchior

Sem paradeiro fixo, Belchior e sua companheira, Edna, passaram por cerca de 15 cidades ao longo dessa década de isolamento. No Rio Grande do Sul, o casal adotou um estilo de vida que dependia da solidariedade de fãs e amigos.

Em cidades como Santa Cruz do Sul — onde passou parte importante de seus últimos anos —, o cantor viveu em diferentes casas. A regra imposta aos anfitriões era simples: sua presença deveria ser mantida em absoluto sigilo.

Problemas e rotina

O afastamento de Belchior da vida pública coincidiu com problemas financeiros e judiciais. Com bens e rendimentos bloqueados pela Justiça devido a processos e dívidas acumuladas (como o episódio em que deixou uma conta expressiva por diárias em um hotel em Artigas, no Uruguai), o músico praticamente sobrevivia de favores.

Apesar disso, os dias de Belchior em sua reclusão não eram ociosos. Quem conviveu com ele no final de sua trajetória relata que o cantor passava horas lendo, escrevendo e pintando. Ele dedicava-se também a traduções, tanto de outros poetas como de sua obra para o espanhol.

Segundo relatos, Belchior havia deixado de comer carne vermelha, não fazia uso de medicamentos contínuos e costumava nadar na piscina da residência onde estava hospedado por último, em Santa Cruz do Sul. Amigos e pessoas próximas disseram que ele não aparentava estar debilitado ou com alguma doença.

Belchior faleceu de causa natural durante o sono, em decorrência de um rompimento da artéria aorta, enquanto dormia no sofá da sala de estar.

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