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Coldplay vira galáctico com o etéreo 'Music of the Spheres'

Álbum, que será lançado no dia 15 de outubro, é uma coleção espacial de doze faixas com ondas de sintetizadores e melodias etéreas

14 out 2021 09h41
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NOVA YORK - Na última vez em que o Coldplay lançou um álbum, foi como um abraço caloroso da Terra. Desta vez, o quarteto britânico foi mais longe - cosmicamente longe.

"Estamos olhando para cima e para fora, tentando encontrar respostas, e acho que tentando encontrar alguma perspectiva, quem sabe?", diz o baterista Will Champion. Music of the Spheres é uma coleção espacial de doze faixas com ondas de sintetizadores e melodias etéreas. A faixa Infinity Sign soa como se tivesse sido criada dentro de uma explosão estelar e Biutyful é um êxtase em forma de música. Este é o álbum que deveria tocar quando os astronautas se encontram na estação espacial que gira lentamente sob a rave galáctica.

"É um pouco mais grandioso em termos de som", diz o vocalista Chris Martin. "As canções vêm primeiro, mas a moldura do título de Music of the Spheres [Música das esferas] meio que já diz quais canções podem entrar ali. Mas você sempre fica à mercê de quais músicas decidem aparecer".

O guitarrista Jonny Buckland faz uma analogia com a pesca: "O conceito meio que constrói a rede, sabe o que quero dizer? E aí a rede captura o tipo de peixe que quer".

As sementes do novo álbum começaram a ser plantadas anos atrás, quando a banda britânica estava terminando a turnê de A Head Full of Dreams. A pandemia embaralhou seus planos e trouxe seu último álbum, Everyday Life, uma obra densa e complexa com palavras faladas ou cantadas em árabe, espanhol, zulu e igbo. Tinha tanto em introspecção quanto este álbum novo tem de elevação.

"Everyday Life tentava pegar as grandes questões e transformá-las em algo pessoal. E este álbum tenta pegar as coisas pessoais e transformá-las em grandes questões", diz Champion. "Sabe como é? 'O que todos nós estamos fazendo aqui e qual é o propósito da nossa banda e por que estamos todos aqui?'"

Desta vez, a banda se juntou ao superprodutor Max Martin, a quem eles creditam a abordagem "menos é mais". Ele ajudou a arejar as músicas de uma banda conhecida por orquestrações elaboradas.

"Nós, historicamente, como banda, tendemos a preencher os espaços", diz Champion. "Pintamos com muitas camadas, muitas cordas e sintetizadores. E uma das razões pelas quais acho que todos nós sentimos um alívio muito grande em trabalhar com Max é que ele toma muito cuidado para não preencher todas as lacunas".

O baixista Guy Berryman acrescenta: "Você não vai fazer uma música soar maior e mais impressionante adicionando mais uma camada de som e depois mais outra camada de som. É como misturar muitas cores: sempre acaba dando marrom".

Cinco das doze canções do álbum usam emojis como títulos e tem o que todo álbum de sucesso precisa hoje em dia: uma colaboração com o BTS (a música My Universe, que já está no topo da parada da Billboard Hot 100). Tem também a música de fim de relacionamento Let Somebody Go - com Selena Gomez - que é benevolente e amorosa.

Martin manteve tudo em família, creditando a letra da canção de Gomez à filha, Apple Martin, que também fornece a introdução de Higher Power. O nome do filho, Moses Martin, aparece no coro de Humankind.

"A Apple me deu esse acorde incrível em que eu jamais teria pensado. Então ela está lá", diz Martin. E ele pode até ser suspeito, mas considera Moses um cantor muito talentoso: "Então sempre peço para ele vir e deixar o refrão melhor".

O álbum termina com os mais de dez minutos de Coloratura, uma viagem multimelódica ao cosmos que é uma espécie de ponto de inflexão da banda, um novo horizonte.

"Essa faixa veio perto do final da gravação do álbum, e acho que Max Martin nos deu muita confiança. Sabíamos que tínhamos mais músicas pop, então havia uma espécie de sentimento de 'Bom, esta última música, que por enquanto tem seis minutos, o que aconteceria se só a deixássemos ser o que ela quer ser de verdade?'", ele diz.

"Ela não vai tocar a todo mundo e não é para todo mundo, mas algumas pessoas podem realmente gostar, a começar por nós mesmos, porque nunca nos permitimos fazer nada parecido".

O Coldplay não são os únicos artistas a atingir os céus nos últimos anos: Nick Jonas lançou Spaceman, Beck trouxe Hyperspace e Masked Wolf compôs Astronaut in the Ocean. Até o clipe de Levitating, de Dua Lipa, é uma festa espacial dentro de um elevador Art Déco.

Para o Coldplay, usar o espaço abriu a chance de falar sobre o fim das demarcações feitas pelo homem. Do espaço, eles observam, a Terra é só água, montanhas e árvores.

"Queremos tentar nos livrar do máximo possível dessas divisões e barreiras entre as pessoas, porque vemos que somos só uma pequena bola flutuando num universo gigantesco e precisamos cuidar uns dos outros e do próprio planeta", diz Champion.

Martin observa que, apesar de todo o tema do espaço, ainda é um álbum do Coldplay - otimista e esperançoso. Falar sobre planetas é um jeito de falar sobre o ser humano.

"Na verdade, é mais um disco sobre a vida como pessoa humana, mas tem essa liberdade que vem quando você finge que está falando sobre outras criaturas de outros lugares", diz ele.

TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Estadão
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