O dia 29 de abril de 2011 ficará para sempre marcado na história da família real britânica. Afinal, será a data em que a até então desconhecida Kate Middleton se casará com o príncipe William, tornando-se a primeira plebeia a entrar para a realeza desde 1660. Inevitavelmente, não faltaram comparações entre Kate, jovem filha de empresários, e Lady Di, uma virginal aristocrata cuja trajetória foi marcada por sofrimento e traições. Mas, apesar das inúmeras tentativas de encontrar características em comum entre as duas, as diferenças superam de longe as semelhanças. Pensando nisso, o Terra fez um comparativo especial entre as duas princesas. Será que Kate será tão popular e querida quanto sua sogra?

Após oito longos anos de namoro com William, Kate está mais que preparada para oficializar a união com o príncipe. O casal – que se conheceu no primeiro ano de faculdade, quando dividiu uma casa universitária – iniciou o romance no Natal de 2002 e assumiu o relacionamento apenas dois anos depois. No início, a garota não foi vista com bons olhos pela família, mas ganhou pontos ao incentivar o namorado a não desistir da faculdade. Apesar de um breve término em 2007, William mostrou seu arrependimento ao anunciar o noivado em 2010. Desde então, Kate tem sido frequentemente fotografada ao lado da realeza e parece segura ao lidar com o protocolo e as convenções.

Poucos sabem, mas o príncipe Charles, pai de William e primeiro na linha de sucessão da rainha Elizabeth II, namorou por mais de um ano a irmã mais velha de Diana, Sarah. Foi a própria Sarah que apresentou a irmã para Charles, durante uma festa em 1977. Quatro anos depois, já separado de Sarah, Charles reencontrou Diana e, após alguns encontros constantes, anunciaram o casamento. Os rumores de que o príncipe, na época com 32 anos, havia sido pressionado a se casar e que sua então ex-namorada – e atual mulher - Camilla Parker Bowles teria sugerido Diana como noiva por ser virgem e aristocrata, não tardaram a aparecer. Com apenas 19 anos, Diana acreditou que vivia um conto de fadas e, sem amadurecer sua decisão, viu-se mergulhada em um casamento de mentira, marcado por traições e seguido de uma separação nada amigável.

William e Kate não escondem o amor que sentem um pelo outro. Antes de assumirem o compromisso, o príncipe herdeiro desembolsou cerca de R$ 550 para sentar-se na primeira fila de um desfile de moda beneficente e vê-la entrar na passarela com um vestido preto transparente. Quando questionado sobre sua relação com a namorada, o príncipe declarou que a paixão “floresceu” e não cansou de elogiar o bom humor da amada, além dos interesses que ambos tinham em comum. Kate, então, mal consegue esconder a felicidade com a chegada do tão desejado casamento. Quando o namoro veio à tona, a imprensa chegou a divulgar que a garota alimentava uma paixão platônica por William desde a adolescência e até possuía um pôster do príncipe em seu quarto. Segundo representantes da família real, a rainha Elizabeth acredita que o romance será duradouro e próspero – muito diferente da união de seu filho com Diana.

Não é à toa que tantos boatos sobre a conturbada relação de Charles e Diana pipocaram na imprensa durante os 15 anos em que estiveram juntos. O comentário mais próximo de uma declaração de amor que o príncipe já fez em público foi: “Sim, amo Diana, seja lá o significado que tenha a palavra amor”. A pobre Diana, por sua vez, descobriu a traição do marido com Camila, sua ex-namorada, logo no início do casamento e não conseguia disfarçar as lágrimas ao aparecer em público. Romântico, não?

William e Kate têm uma ótima relação com a imprensa britânica e até mesmo com os indesejáveis paparazzi. Apesar de ter sofrido com o assédio no começo do namoro, a jovem plebeia e a família real fizeram um acordo para que jornais, revistas e demais veículos preservassem a privacidade do casal. O respeito é mútuo e nem o príncipe nem sua noiva destratam os jornalistas – pelo contrário, eles são capazes de se sentar lado a lado em um sofá e, sem pressa, responder até as mais cansativas perguntas. Talvez seja por isso que, de acordo com uma pesquisa realizada na Austrália e divulgada pela rede americana CNN, 58% dos australianos preferem que seja ele o próximo rei da Inglaterra, enquanto apenas 30% tomam partido de Charles.

Charles nunca teve o carisma necessário para um príncipe e frequentemente foge dos jornalistas e dos paparazzi. Após o casamento com Diana, a dificuldade em lidar com a imprensa aumentou ainda mais e o príncipe se constrangia a cada vez que precisava dar alguma declaração em público – principalmente quando tal declaração dizia respeito à mulher. Diana, que também se esquivava quando o assunto era o casamento com Charles, ganhou a simpatia da mídia por sua elegância e por apoiar diversos projetos de caridade, o que a tornou popular e querida não apenas na Inglaterra, mas em todo o mundo.

Há meses os jornais britânicos especulam o nome do estilista responsável pelo vestido de Kate para o grande dia. Mas, ao que tudo indica, a própria noiva – que declarou ser apaixonada por moda e já trabalhou em uma grife – teria desenhado o modelo e enviado a um costureiro para finalizá-lo. Após a cerimônia, o traje será leiloado e a renda revertida para organizações beneficentes.

O romântico vestido cor de marfim usado por Diana em seu casamento é um dos mais famosos e comentados de todo o mundo, chegando a rodar diversos países em exposição. Desenhado pelos irmãos David e Elizabeth Emanuel, o vestido foi feito em tafetá de seda, decorado com renda bordada à mão, lantejoulas e 10.000 pérolas e tinha uma imponente cauda de 7,5 metros. Ele foi elaborado em segredo total para garantir que ninguém, principalmente a imprensa, descobrisse detalhes sobre o modelo.

Filha mais velha do empresário Michael Francis Middleton, um ex-piloto de linha aérea, e de Carole Elizabeth Middleton, uma ex-aeromoça, Kate Middleton é de família classe média e está bem longe de possuir o sangue azul real. A vida dos Middleton mudou radicalmente em 1986, quando Carole teve a ideia de montar uma companhia para vender materiais para festas infantis e criou um negócio milionário. A fortuna –e, agora, o casamento real –, no entanto, parece não ter subido à cabeça de Kate e seus amigos mais íntimos garantem que ela “é a mesma garota de sempre”.

Filha de conde e, portanto, considerada uma “lady”, Diana era a quarta dos cinco filhos de uma família de classe alta e bem relacionada na sociedade inglesa. Educada em uma escola preparatória para meninas, sempre viveu em meio a regalias, ao contrário de Kate. A futura mulher de William, aliás, será a primeira plebeia a integrar a família real britânica desde 1660, quando Anne Hyde disse “sim” ao então duque de York e futuro rei James.

William garantiu que a cerimônia de seu casamento será mais discreta e restrita que a de seus pais. Cerca de 1900 pessoas, entre elas reis, príncipes, chefes de Estado, diplomatas, familiares e amigos foram convidados ao evento, que acontecerá no dia 29 de abril, na Abadia de Westminster – onde a rainha Elizabeth II e a mãe dela se casaram, e onde ocorreu o velório da princesa Diana, em 1997. Dos 1900 convidados, apenas 600 participarão da recepção no Palácio de Buckingham, a convite da rainha Elizabeth II, e 300 à ceia que se seguirá de um baile organizado pelo príncipe Charles, no mesmo local.

Charles e Diana pararam o mundo quando, no dia 29 de julho de 1981, casaram-se na Catedral de Saint Paul, em uma cerimônia realizada para 3500 convidados e assistida por cerca de 750 milhões de pessoas pela televisão. O casamento foi considerado um dos mais luxuosos de toda a história.

Kate já mostrou que não é muito fã das tradições mantidas pela família real. Às vésperas do casamento, a noiva afirmou que não usaria uma coroa para simbolizar a realeza, mas, sim, flores no cabelo. A decisão da jovem causou irritação entre os membros da família de William, que exigem que a cerimônia seja seguida como manda o figurino. Sua futura sogra, a duquesa da Cornualha Camilla Parker-Bowles, tentou convencer Kate a mudar de ideia, mas a garota disse que pretende usar algo mais “moderno”.

Em seu casamento, Diana fez questão de usar uma tiara de ouro, com diamantes colocados em prata. A coroa, datada de 1767, foi restaurada em 1927 por Asprey & Co Ltd, com pedras retiradas de várias joias doadas pela família da noiva.

A noiva de William também se mostrou contrária à regra de chegar ao local de seu casamento em uma carruagem. Os jornais logo começaram a criar diversas hipóteses para explicar a decisão de Kate, como uma possível alergia a cavalos ou a opção por manter a discrição. Mas, segundo a jovem, ela chegará à Abadia de Westminster de carro e deixará a igreja de carruagem – simbolizando sua transição de plebeia a princesa. O veículo escolhido foi um Rolls Royce, que ficou famoso recentemente por ter sido atacado durante um protesto de estudantes quando transportava o príncipe Charles e sua mulher, Camilla.

Como de costume, Diana chegou à igreja em uma imponente carruagem, puxada por cavalos. O trajeto de volta, da Catedral de Saint Paul ao Palácio de Buckingham, foi percorrido por Diana e Charles com a mesma carruagem que será usada no próximo dia 29 por William e Kate – a menos que chova, aí então será utilizada uma carruagem de vidro para permitir que eles acenem para a multidão. A avó e a bisavó de William também usaram carruagens em seus casamentos.

Kate deverá ser a primeira rainha da Inglaterra a ter um diploma – ela é formada em História da Arte pela Universidade de St. Andrews, na Escócia. Além disso, a futura princesa nunca deixou de ajudar os pais em sua empresa de materiais para festas infantis e chegou a trabalhar por um breve período na área de vendas da loja de roupas londrina Jigsaw.

Apesar de trabalhar como professora em um jardim de infância, Diana nunca teve ambição de obter sucesso profissional. A jovem demonstrava talento para música, dança e esportes, mas acabou por se casar sem ter sequer completado o ensino superior.

William e Kate são protagonistas do primeiro casamento real realizado na era da internet e, portanto, divulgado incansavelmente por meios de redes sociais como Facebook e Twitter, na tentativa de se aproximar a família real de seus súditos. Por meio dessas páginas, os internautas foram informados sobre cada detalhe da cerimônia, antes mesmos de serem repercutidos nos jornais e nas emissoras de TV.

A cobertura do casamento de Charles e Diana por emissoras de televisão de todo o mundo mobilizou os telespectadores em 1981 e entrou para a história como o evento televisivo mais assistido de todos os tempos. Atualmente, graças ao advento da internet, é possível relembrar