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Osklen exibe filme sobre moda sustentável e diretor opina: 'Inovação custa caro'

Após lançar uma coleção com 100% da linha de produção sustentável, a grife brasileira lança documentário sobre o desenvolvimento das práticas, buscando apresentar uma moda mais consciente. Oskar Metsavaht, fundador e diretor de arte e criação da marca, explica como surgiu a ideia do filme e dá dicas de como ter uma vida mais sustentável em entrevista para o Purepeople

10 ago 2018
12h51
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Em comemoração aos 20 anos da visão e práticas sustentáveis socioambientais da Osklen, a grife brasileira apresentou o documentário "ASAP - as sustainable as possible, as soon as possible" (ASAP - o mais sustentável possível, o mais rápido possível, traduzido para o português) em parceria com o Instituto-E nesta quita-feira (9) em uma sessão exclusiva para convidados no Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro. Buscando conscientizar a indústria da moda e seus consumidores, o diretor de arte e criação da marca, Oskar Metsavaht, revela o que esperar para a próxima temporada e conta como os projetos foram aderidos pela boutique em entrevista para o Purepeople. "Desenvolvimento sustentável é inovação. Inovação não tem escala, demora, custa caro e tem falhas", aponta o fundador da grife que lançará o filme nas plataformas digitais após a exibição em São Paulo.

Práticas e materiais sustentáveis: 'São mais de 20 tipos'

Assim como o reaproveitamento de roupas antigas dos guarda-roupas das avós, ou dos brechós que já conquistaram algumas famosas, a moda consciente também engloba o conhecimento da origem da peça. "O fast fashion estimula o consumo de várias roupas que duram poucas lavagens, ou que são modinhas passageiras e isso não é sustentável, porque traz um maior consumo de materiais pela indústria", comenta Oskar ao esclarecer a produção da Osklen: "Nós temos mais de 200 referências na coleção que procedem de produtos e projetos sustentáveis. São mais de 20 tipos de materiais, mas no documentário só desenvolvemos 4, estudando as cadeias." Entre as matérias-primas utilizadas pela grife estão garrafas pet, couro do peixe pirarucu descartado pela indústria alimentícia e algodão reciclado, utilizado no vestido do MET Gala da modelo Gisele Bündchen. A iniciativa da marca colaborou para a criação do Instituto-E como o fundador explica: "Foi formado a partir das experiências que nós fomos aplicando na Osklen no início dos trabalhos para, justamente, institucionalizarmos as nossas práticas e testes, e também para a nossa visão ser transformada em projetos reais."

Documentário: 'Paramos para ver o que nós tínhamos feito'

A sustentabilidade está se tornando uma preocupação na indústria da moda, que já apresentou óculos com materiais orgânicos e biodegradáveis. Após apresentar o documentário na Holanda, na França e na Costa Rica, Oskar trouxe o filme para o Brasil e informa a escolha: "A gente está fazendo aos poucos, porque achamos que é importante e gostaríamos de compartilhar com vocês!" Impactante, o filme feito por Marcelo Lince e Vitória Mendonça mostra parte dos processos de criação e surgiu através de uma colaboração com uma iniciativa universitária. "Ano passado, nós convidamos COPPEAD da UFRJ para mergulhar em todos os nossos arquivos e todas as nossas linhas de produção de todos os produtos, compreendendo a nossa visão, critérios e práticas", desenvolve ao acrescentar: "Nós pensamos em fazer esse documentário quando paramos para ver o que nós tínhamos feito ao longo desses anos e o número de projetos saindo do 0. Eles ficaram bastante surpresos com os dados e nós também!" O evento contou com a presença da ex-Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e da nutricionista, Cynthia Howlett.

O que esperar da grife: 'Estamos lançando um projeto bem pioneiro'

Para quem gostaria de aderir ao lifestyle, as dicas vão além da moda. "Ser mais econômico em tudo, além de promover, nas suas escolhas de consumo e no seu dia a dia, produtos e serviços que venham de origem sustentável socioambiental", sugere o diretor de arte e criação ao opinar: "Eu acho que o consumo de produtos de alta qualidade duram mais, então não precisa estar trocando sempre." Pensando no futuro da marca, Oskar garante que continua na busca por inovações. "Os materiais continuam se aperfeiçoando, projetos surgem e nós estamos lançando um projeto bem pioneiro", comenta ao revelar: "As bermudas de surf são todas feitas com um tecido que se chama AQUAONE, que vem da reciclagem das garrafas pets. Ao invés delas estarem na praia e poluindo os oceanos, elas estão se transformando em bermudas de surf." Como último conselho, o fundador da grife tranquiliza: "A gente tem que entender que estamos exatamente no momento de transição e não seremos 100% sustentáveis de um dia pro outro!"

(Por Fernanda Casagrande)

PurePeople

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