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Modelo albina Thando Hopa lembra preconceito na infância: 'Não tocavam em mim'

Destaque no Calendário Pirelli 2018, africana abandonou a carreira de advogada por uma causa: 'A moda me faz conscientizar as pessoas sobre o albinismo'

5 dez 2017
19h54
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A beleza incomum de Thando Hopa está chamando atenção no mundo da moda. Albina e negra, a modelo de 28 anos é um dos nomes de peso que integra o conceituado Calendário Pirelli 2018 ao lado de beldades como Lupita Nyong'o e Naomi Campbell, que apostou em um piercing conectado à orelha em recente premiação. Antes de ser descoberta por um olheiro em Johannesburgo, sua cidade natal, Hopa trabalhava como advogada. "Larguei o Direito por uma causa. E se é a moda que me faz conscientizar as pessoas sobre o albinismo, então vou abraçar essa profissão até o fim", disse a modelo, que estampou a capa de Agosto da "Marie Claire" americana, em entrevista à revista "Época". Segundo Thando, o preconceito que as pessoas albinas sofrem, na África, ainda é desconhecido no resto do mundo. "Na juventude, não saía de casa sem muita maquiagem para escurecer a pele. E, mesmo assim, me apontavam na rua, diziam que eu era filha do demônio e cuspiam quando eu passava. Lá o albinismo pressupõe debilitação física, um drama social. Os coleguinhas da escola não tocavam em mim", desabafou a parceira de Lupita, que investiu no jeans em desfile da New York Fashion Week.

'Luto a todo momento para não me deslumbrar e esquecer o motivo de eu estar aqui', diz a sul-africana

Apesar de o Calendário Pirelli, que já foi estrelado por brasileiras como Isabeli Fontana e Adriana Lima, ter sido inspirado, neste ano, no livro "Alice no País das Maravilhas", na vida real, Thando buscar manter os pés no chão: "Tudo tem acontecido muito rápido. O mundo da moda é muito glamouroso, cada dia estou num país diferente. Mas luto a todo momento para não me deslumbrar e esquecer o motivo de eu estar aqui". A ativista luta, principalmente, para que os albinos africanos não sofram com o preconceito: "Não vou descansar enquanto souber que ainda existem crianças passando pelo que passei, principalmente em países como a Nigéria, onde, segundo estatísticas, uma em cada 5 mil pessoas é albina. Lá e também na Tanzânia, o infanticídio de bebês albinos é comum". No Malawi, país onde nasceram as filhas gêmeas de Madonna, que foram flagradas dançando e cantando funk, muitas pessoas matam albinos e usam seus corpos em rituais. "As pessoas não fazem ideia. E isso precisa ser falado. Acredite se quiser, ainda hoje muita gente crê que partes de albinos trazem poder e sorte", finalizou a modelo.

(Por Anita Prado )

PurePeople

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