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Estudante vê nas palavras sua cura após 2º câncer de mama: 'Válvula de escape'

Hoje com 31 anos, a paulistana Linda Rojas enfrentou o câncer de mama duas vezes - em 2012 e 2017 -, optou pela mastectomia completa e encontra nos textos que produz junto do marido, Caio Barreto, para o blog 'Uma Linda Janela' seu jeito de superar de vez a doença. 'A escrita é uma válvula de escape, uma forma de a gente ir tirando algumas camadas nossas que a gente nem sabe que tem', diz Superação após câncer de mama: estudante Linda Rojas mantém blog com relatos pessoais

1 out 2018
06h17
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Outubro Rosa vai além da prevenção. Histórias de superação, como a de Linda Rojas, que inspira mulheres ao compartilhar sua experiência, ganham espaço. A estudante de Relações Internacionais enfrentou o câncer de mama duas vezes. Na primeira, em 2012, quando tinha 24 anos, detectou um nódulo no seio direito durante um autoexame. A paulistana que trabalha como secretária executiva e empreendedora social foi operada para retirar o tumor e completou o processo com o tratamento de quimioterapia. Após 5 anos de acompanhamento médico, período necessário para que a doença tenha chances mínimas de reaparecer, ela descobriu um novo nódulo, em julho de 2017, também por meio do autoexame, e decidiu fazer a mastectomia para não ter mais chance de o câncer retornar. Nesse meio tempo, Linda passou por momentos de medo e tristeza, claro, mas também aprendeu muito e resolveu compartilhar sua experiência. Antes do segundo diagnóstico, ela criou, junto do marido, Caio Barreto, o blog "Uma Linda Janela", para dividir suas histórias e sentimentos sobre a luta contra o câncer de mama.

'Esse projeto de escrita faz parte da minha cura'

Ao Purepeople, Linda Rojas conta que decidiu colocar seu relatos no blog após palestrar em uma empresa multinacional. "Foi o primeiro momento em que eu vi que conseguia falar sobre isso para mais pessoas e, de alguma forma, ajudá-las com a minha experiência", lembra. "Foi maravilhoso porque foi superespontânea a ideia. Não fiquei receosa de falar sobre a minha história porque eu tive câncer em 2012 e a ideia surgiu em 2016. Então, intuitivamente, foi o momento em que a gente já tinha amadurecido os sentimentos e digerido a doença ao longo dos anos", explica ela, que recebe pelo blog e pelo perfil no Instagram relatos de outros pacientes de vários lugares do Brasil. Para Linda, escrever é uma forma de, além de inspirar outras pessoas, conseguir superar suas vivências pessoais: "A gente acredita muito na cura pela fala, então a escrita é uma válvula de escape, uma forma de a gente ir tirando algumas camadas nossas que a gente nem sabe que tem. Eu falar sobre isso, abordar esse assunto, comentar o que já aconteceu comigo, acaba me curando também, vai abrindo essas camadas que às vezes nem eu mesma sabia que existia. O projeto em si me faz ter contato com a minha dor, e eu não estava acostumada a ter contato com ela, com meu sofrimento. Eu ia passando tudo muito forte sempre. Esse projeto de escrita faz parte da minha cura também".

Linda preferiu raspar os cabelos a seguir com tratamento

Depois de passar pela primeira queda do cabelo, Linda Rojas tentou preservar os fios da segunda vez e investiu na técnica da touca térmica, usada por famosas como Ana Furtado, neste ano, e pela jornalista Susana Naspolini, em 2016 -, mas não teve sucesso. "Não é um método garantido, varia muito de pessoa para pessoa e para o medicamento tomado, o tipo de 'quimio'. O que ele faz com quase 100% de certeza é retardar muito a queda ou diminuí-la cerca de 30%. No meu caso, na primeira sessão foi tudo ok, mas foi bem desconfortável. Tem que ficar com aquela touca a - 8 ºC e estende o período diário do tratamento, porque tem que ficar com a touca de 30 minutos a 1 hora antes de iniciar o procedimento, que dura entre duas e três horas. Depois, fica mais uma hora com a touca. Já estava tomando medicamentos que fazem sentir fraqueza, a touca chega a - 8 ºC e deixa com muito, muito frio. Eu ia com calça térmica, muitas roupas, casacos e, ainda assim, era bem desconfortável", relata a estudante. "Então, quando eu vi que na segunda sessão de 'quimio' usando a touca meu cabelo estava falhando muito em cima, onde não dá para disfarçar, caindo muito durante o banho e dentro de casa, mesmo que aparentemente parecesse que eu ainda tinha bastante cabelo, eu falei que não valia o sofrimento. Eu sofria muito ao tomar banho porque é muito deprimente ver a queda do cabelo. Então, resolvi raspar, o Caio me apoiou muito e raspamos os dois juntos. Ele me surpreendeu, não sabia. Senti um alívio muito grande", conta.

Rojas manteve vida sexual durante tratamento: 'Se amar é saúde'

Linda Rojas tentou manter sua rotina o mais normal possível, inclusive na vida sexual. "O Caio é incrível. Ele sempre foi muito sério com relação a isso, frio até, porque a gente não vivia a nossa vida em função da doença. Ele foi um apoio fundamental, esteve o tempo inteiro comigo, me achando linda, maravilhosa. A gente sempre teve uma boa relação sexual, ele sempre me desejou muito. E eu nunca deixei a peteca cair, sempre gostei muito de mim e acho que isso foi uma ótima arma que eu tive para melhorar. Se amar é saúde também, e eu me amava tanto que eu queria ficar bem logo, bonita, com meu marido", fala a estudante. Linda também exalta a força recebida do marido durante seu tratamento. "Da segunda vez, os procedimentos diferentes me fizeram perder um pouco a libido e deram ressecamento vaginal, e a gente conversou muito sobre isso também. Depois de uma semana, meu médico conversou comigo, explicou que eu teria esses sintomas e passou outro remédio para ficar tudo bem. Por isso a comunicação é muito importante, seja com o marido, a pessoa que você está ficando, com seu médico. Não é todo mundo que tem um marido presente. Mas a gente sempre tem alguém: eu tinha o Caio, mas ia querer ficar bem de todas as formas, se tivesse ele ou não. Às vezes, o apoio maior vem da mãe, do pai, do médico, de um vizinho... É muito importante lembrar também de ser o apoio de alguém, porque têm pessoas que não têm ninguém. Se colocar no lugar de solucionador do problema e de apoio de alguém", aconselha a fundadora do blog "Uma Linda Janela".

Roupas e acessórios ajudam na autoestima

Com a queda do cabelo, Linda conta ter apostado em roupas e acessórios para elevar sua autoestima. "Eu dou muito valor, não porque é algo banal, bobo de mulher e, sim, porque é uma ferramenta para a pessoa se sentir melhor, um dos muitos recursos que podem ser usados para o bem", afirma. Adepta de micropigmentação para realçar a sobrancelha desde a queda dos pelos, ela usou a moda como aliada na luta contra o câncer: "Se um dia eu estava muito triste em estar sem cabelo - porque tem dias que você está bem resolvida, mas tem outros que enche o saco -, eu colocava minha roupa mais legal, a que eu me sinto melhor, confortável, mais eu mesma, que me sinto arrasando para deixar minha autoestima lá em cima. Com maquiagem também: é maravilhoso colocar um batom ou um brinco que agora fica mais visível e chamar atenção, vai deixar meu rosto mais em evidência. É fundamental explorar isso e não olhar julgando como besteira, achando que é só um momento e que tem que sair do jeito que está. Se eu não quero sair careca e tenho um lenço maravilhoso, que bom que eu tenho um lenço maravilhoso. Eu aposto muito nesses recursos", fala a secretária.

(Por Carol Borges)

PurePeople

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