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Edson Celulari é dono de escravos em novela: 'Progressista e não abolicionista'

Em entrevista ao Purepeople, intérprete de dom Sabino fala da reação de seu personagem ao descongelar após mais de 130 anos e se deparar com a libertação dos escravos: 'Ele começa a se deparar com essas questões e até gosta de dizer: 'Bela abolição está que as crianças negras passam fome, que um negro puxa carroça'. Edson Celulari define seu personagem em 'O Tempo Não Para' como progressista e conservador

11 jul 2018
18h15
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Após uma rápida participação em "Malhação: Vidas Brasileiras", Edson Celulari retorna às novelas em "O Tempo Não Para", próxima trama das sete de Mário Teixeira com estreia prevista para o dia 31, na qual vai dar vida a dom Sabino, matriarca da família que é descongelada após mais de 130 anos depois de sofrer um acidente de barco. Ao Purepeople, o ator antecipa que seu personagem passará por uma autoavaliação depois de voltar à vida, nos dias atuais. "É bonito isso. Ele começa a reavaliar. Ele diz: 'O Império não existe mais a República entrou, junto com a abolição, e o que foi feito do mundo?' E se questiona se as coisas boas foram por conta da República ou porque faltou o Império? Ele avalia muita coisa e isso é bacana", explica.

'Sabino não era abolicionista ao congelar', garante Edson

Pai de Marocas (Juliana Paiva), que irá formar o par romântico principal da novela com Samuca (Nicolas Prattes, substituto de Klebber Toledo), Sabino não vai aceitar algumas situações do cotidiano. "Ele questiona porque atualmente um homem carrega uma carroça, nem na época dele isso não seria permitido. É inumano. E ele começa a se deparar com essas questões e até gosta de dizer: 'Bela abolição está que as crianças negras passam fome, que um negro puxa carroça'", exemplifica. Edson nega que seu seja um abolicionista. "Não, ele não era não. Ele defendia o imperador. Ele era contra a república, ele tem respeito com a história do Brasil com relação à colonização portuguesa e ao mesmo tempo ele é politicamente conservador", define.

'Sabino é decidido e não aceita injustiça', aponta

Ao mesmo tempo, Edson vê em seu novo personagem na TV como um progressista. "O Sabino é um cara instalado dentro do sistema do Império, onde tinha os escravos. O acidente acontece dois anos antes da Abolição da Escravatura. E ao mesmo tempo ele é muito curioso. Ele investe em estrada de ferro, linhas telefônicas, ele é ligado às invenções e ao progresso", detalha o ator, citando uma frustração de Sabino. "Ele é um homem de temperamento único, decidido, que vive para a família. É dedicado aos seus. Tentou três vezes um filho homem e nasceram três mulheres (além de Marocas é pai de Nico, vivida por Raphaela Alvitos e Kiki, interpretada por Nathalia Rodrigues) e sente falta de um filho varão para poder ser seu herdeiro. Na tradição da época o homem era o herdeiro e ele vai se confrontar com esse mundo de hoje é uma forma muito particular. Ele é um homem decidido, não aceita injustiça, e vai enfrentar situações muito engraçadas", antecipa Edson, homenageado com tatuagem pelo único filho, Enzo Celulari.

Edson vibra com produção: 'Lindo!'

O ator exalta ainda a qualidade da sucessora de "Deus Salve o Rei", que marca a estreia de Adriane Galisteu em novelas da Globo. "Século 19, é uma outra era, outros hábitos. Eu estou achando lindo na verdade. A Paula (Carneiro), nossa figurinista criou com um conceito de cores, dentro do padrão do século. Tem cartola, colete, botas. Ele é um homem do campo e mesmo em uma cena de casamento ele usa fraque e botas, para remeter a essa essência campestre. Ele tira vacas do brejo, não me lembro de ter usado nada parecido em nenhum outro personagem", finaliza a respeito da novela que tem ainda no elenco Cleo, vivendo a vilã Betina, e Raphael Vianna entre outros.

(Com apuração de Patrick Monteiro e texto de Guilherme Guidorizzi)

PurePeople

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