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De chef a treinador de LoL, Hugo Garcia tem papel essencial

Treinador da Vivo Keyd contou a própria história sobre o início de carreira nos eSports

24 out 2018
08h09
atualizado em 25/10/2018 às 18h23
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Lidar com o preconceito diário, a rotina de treinos desgastante e a distância da família exige que os jogadores de League of Legends tenham, na comissão técnica de suas equipes, alguém para se apoiar e fornecer suporte. No caso da Vivo Keyd, que recebeu a visita da Gazeta Esportiva e da TV Gazeta em sua casa de treinamentos, a estrutura montada permite um conforto maior dos cyberatletas, de acordo com o próprio técnico do clube.

A comissão técnica da Keyd conta com Hugo "Galfi" Garcia no elenco. Quem vê "de fora", entretanto, não imagina que o treinador de um dos principais times do cenário brasileiro profissional de LoL tem uma história interessante do seu início de carreira nos eSports.

Hugo "Galfi" Garcia, técnico da equipe Vivo Keyd
Hugo "Galfi" Garcia, técnico da equipe Vivo Keyd
Foto: Divulgação

"No dia a dia, a gente conversando com os jogadores, eles passam a te conhecer, saber no que você é bom e no que você não é tão bom, e isso é o início de uma relação legal entre jogador e técnico. É assim que temos trabalhado até agora. No meu caso, tenho um pouco de sorte, porque meu background, antes de trabalhar com League of Legends, era de ser chef de cozinha", contou à reportagem.

"Já sabia comandar equipes e ter essa necessidade de entender como funciona cada personalidade. Além disso, acho que meu estilo é mais cooperativo do que autoritário: converso bastante e peço opiniões. Isso faz com que a relação seja fácil de fluir", terminou de revelar.

Perguntado sobre os detalhes de sua trajetória como chef, "Galfi" detalhou que, apesar de gostar muito de seu trabalho na cozinha, os jogos nunca deixaram de o acompanhar. "Apesar de estar trabalhando com cozinha à época, eu sempre tive o meu hobby à parte, que era jogar. Entre vários jogos e vários títulos, o League of Legends foi o que mais me prendeu", afirmou.

"Nessa época, que comecei a me interessar mais, passei a transmitir online e, a partir daí, a Kabum! entrou em contato comigo para ser tradutor. Dentro da organização, nós sentimos que só a tradução não seria suficiente. Precisaríamos assumir um outro papel lá dentro e foi aí que eu descobri que também gostava da função de treinador. Tinha sido chef de cozinha, sabia trabalhar com diferentes personalidades, então foi a partir dessa iniciativa que comecei", concluiu.

Confira a entrevista completa com o treinador da Keyd, Hugo "Galfi" Garcia:

Trabalho como técnico

"A gente precisa assistir muito, tanto que não dá nem tempo de jogar. Inclusive, esse é um dos lados ruins de ser o coach. Então a gente assiste eles o tempo inteiro, e no nosso tempo livre, quando não estamos assistindo, temos que estar vendo as outras regiões que estão competindo, entendendo como o jogo deles funciona e ver o que está virando tendência por lá, para trazer conhecimento."

"Lá no estúdio, a gente tem pouco tempo para comunicação com eles, então tudo é muito intenso e rápido. Aqui, a gente tem o privilégio de ser um pouco mais cuidadoso e cauteloso na hora de passar nosso conhecimento. Temos mais tempo de desenvolver o material, de rever replays, pegar algumas tendências legais que outros times estão executando e nós não, ou até então enxergar os erros dessas equipes."

Insucesso do Brasil a nível mundial

"Existem inúmeros motivos do porquê o Brasil não consegue alcançar um sucesso mundial tão alto quanto outras regiões, inclusive próximas da gente. Para responder de maneira reduzida, existem diversas diferenças culturais. As outras regiões são muito mais autoritárias no quesito disciplinar e lá, isso tem uma atenção redobrada. Inclusive, não é tão saudável assim para o jogador. Mas, no final das contas, isso produz resultados. Temos que achar uma maneira de traduzir essas diferenças culturais para o Brasil conseguir aplicar aqui também."

Talento brasileiro

"Talento, na verdade, sobra. Temos jogadores muito bons aqui. Mas a parte organizacional e disciplinar, até mesmo de autoconsciência e autocobrança dos jogadores precisa mudar. A própria comissão técnica precisa melhorar, evoluir e buscar mais conhecimento. É um conjunto de fatores que precisa acontecer para nós, aos poucos, irmos crescendo."

* Especial para a Gazeta Esportiva

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