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Wagner Moura no Oscar  Foto: Matei Horvath/FilmMagic

Wagner Moura perde Oscar de Melhor Ator para Michael B. Jordan

No thriller de Kleber Mendonça Filho, o baiano deu vida ao complexo protagonista Marcelo

Imagem: Matei Horvath/FilmMagic
  • Catarina Carvalho, do Rio de Janeiro Catarina Carvalho, do Rio de Janeiro
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15 mar 2026 - 23h21
(atualizado às 23h26)

Wagner Moura mostrou que tem o molho e o talento ao entrar para a história do cinema brasileiro. Neste domingo, 15, o baiano concorreu à estatueta de Melhor Ator, categoria em que poderia conquistar um feito inédito para o Brasil no Oscar. O reconhecimento veio pela atuação como Marcelo, protagonista de O Agente Secreto, mas o prêmio ficou para Michael B. Jordan, por Pecadores.

Nascido em Salvador e criado boa parte da infância na cidadezinha de Rodelas, no interior da Bahia, o ator desbancou estrelas internacionais. Na lista “modesta” de concorrentes, estavam Leonardo DiCaprio, que concorria pelo papel em Uma Batalha Atrás da Outra, Ethan Hawke, por Blue Moon, Michael B. Jordan, por Pecadores, e o caçula da lista, Timothée Chalamet, que buscava a estatueta por Marty Supreme. _

Ver Wagner Moura no tapete vermelho do Oscar 2026 causa uma familiaridade quase íntima entre os espectadores, como se alguém próximo estivesse concorrendo. O vínculo é explicável. Antes de surgir como um astro de Hollywood na extensa campanha de O Agente Secreto, o baiano foi galã de novela da TV Globo, fez personagens escrachados no cinema, e até teve uma banda de rock com um nome para lá de peculiar. 

Diretor queria trabalhar com Wagner Moura

Por mais batido que possa parecer, Wagner Moura e O Agente Secreto nasceram um para o outro. Ou quase isso. Em entrevista à CNN Portugal, o diretor Kleber Mendonça Filho contou que a ideia do longa-metragem partiu da vontade de trabalhar com o artista. 

"A história surgiu, como sempre, quando se está desenvolvendo um filme, de várias ideias. Uma delas era trabalhar com o Wagner Moura. Esse era um ponto de partida inicial", declarou.

O propósito se somou ao desejo de dirigir um thriller no Recife dos anos 1970 e resultou em sinergia pura entre as lentes do pernambucano e a atuação do baiano. Como o pesquisador Marcelo, Wagner Moura ganhou prêmios como o de Melhor Ator em Cannes e o inédito Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama. 

Mesmo antes de poder saber o rebuliço que um ‘sim’ causaria em sua carreira, recusar a proposta nunca passou pela cabeça do artista. "Se Kleber quisesse fazer um filme da Chapeuzinho Vermelho e me chamasse eu aceitaria", brincou em entrevista ao Diário de Pernambuco, em 2025. 

"O motivo principal pra mim é esse cara mesmo, mas também o fato de falar em português, fazer um filme no meu país depois de tantas produções estrangeiras", completou.

Baiano com orgulho do ‘molho’ que tem

Se o fã mais curioso procurar nas redes sociais, não encontrará a conta oficial de Wagner Moura nas redes sociais. Isso porque o ator é avesso aos perfis na internet e prefere se manter distante do digital. Ao menos em primeira pessoa. De um ano para cá, começaram a surgir memes e vídeos ‘charmosos’ do artista ao som de O Baiano Tem o Molho, de O Kannalha. 

Wagner Moura em cena de 'O Agente Secreto'
Wagner Moura em cena de 'O Agente Secreto'
Foto: Victor Jucá/Divulgação / Estadão

Um ano depois do boom dos “edits”, como são chamados os compilados de cenas nas redes sociais, Wagner entrou na brincadeira. O ator chegou a dançar o pagodão baiano ao lado de Daniela Mercury na varanda do Cine Glauber Rocha, em Salvador, em novembro de 2025 e a música foi parar até no perfil oficial do presidente Lula, ao homenagear o brasileiro pelo Globo de Ouro. 

O tal do ‘molho’ (ou dendê) é motivo de orgulho para o baiano. Antes mesmo de interpretar Marcelo em O Agente Secreto, o artista já tinha falado sobre a importância de sua origem para seu trabalho fora do Brasil. 

Em entrevista ao programa Papo de Segunda, da GNT, em novembro de 2021, Wagner ponderou: "Quando digo que sou lá fora um ator interessante para eles porque sou de Salvador, tenho total clareza disso. Não faz sentido querer trabalhar lá e querer ser um cara igual àqueles caras lá".

Mais que um filme para ‘gringo ver’, Wagner já mencionou diversas vezes o orgulho em fazer parte de uma produção feita no Brasil, para os brasileiros. Em conversa com o jornal The New York Times, o baiano revelou que chegou a recusar diversos papéis lucrativos em Hollywood para evitar estereótipos. 

"Especialmente depois de 'Narcos', eu não quero fazer nada que reforce estereótipos de latinos", justificou o ator. "Estou com quase 50 anos, então dane-se”, emendou. Em 2016, Wagner alçou carreira internacional ao dar vida ao narcotraficante Pablo Escobar na série da Netflix, totalmente em espanhol. 

"Eu quero os mesmos personagens que os norte-americanos brancos da minha idade interpretam. Quero interpretar pessoas chamadas Michael e que falam do jeito que falo", completou. 

‘Bolsonaro é nosso Trump brasileiro’

Ator e jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Wagner Moura nunca foi alheio à situação política do Brasil e sempre se posicionou. Lá fora não poderia ser diferente. 

Defendendo o papel do pesquisador Marcelo, que foge da repressão da ditadura militar em São Paulo para o Recife, o baiano chamou a atenção ao criticar o governo de Donald Trump em entrevistas promocionais de O Agente Secreto e até fez um paralelo do republicano com o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Em sua participação no programa do Jimmy Kimmel, exibido em rede nacional nos Estados Unidos, Wagner lembrou de quando o âncora do talk show agradeceu Trump em seu discurso no Critics Choice Awards. 

Wagner Moura em entrevista ao apresentador Jimmy Kimmel
Wagner Moura em entrevista ao apresentador Jimmy Kimmel
Foto: Reprodução/Youtube/Jimmy Kimmel Live!

“Eu pensei que era uma ideia brilhante e que eu deveria basicamente agradecer ao Bolsonaro. Bolsonaro é o nosso Donald Trump brasileiro”, disse, arrancando aplausos da plateia

Em seguida, Kimmel reforçou a comparação ao lembrar que, na visão dele, Bolsonaro é “anti-gay, anti-mulher, anti-todo mundo”. E “anti-democracia”, lembrou Moura.

O brasileiro ainda fez um paralelo com as situações políticas dos Estados Unidos e do Brasil, à época de Bolsonaro. “A gente teve exatamente a mesma coisa, um negacionista da eleição incentivando as pessoas a invadirem as instituições e destruírem tudo”, disparou. 

Favorito da crítica

Desde que iniciou a campanha com O Agente Secreto, Wagner Moura já viralizou com seu ‘molho baiano’, trocou português por inglês em uma entrevista sem perceber e até deu uma sambadinha nos bastidores do Globo de Ouro. Tudo isso sem perder o favoritismo ao Oscar. 

As principais publicações americanas, como The New Yorker e o The Hollywood Reporter, publicaram as tradicionais listas de previsões com "quem vai ganhar e quem deveria ganhar" o Oscar 2026. As duas concordaram com o vencedor “moral” na categoria de Melhor Ator: Wagner Moura. 

Os dois veículos, no entanto, apontavam a vitória certa para Michael B. Jordan, pelo papel dos gêmeos Fuligem e Fumaça em Pecadores. Mesmo assim, os maiores elogios da The New Yorker foram direcionados ao brasileiro. 

"Moura, em um papel muito menos espalhafatoso, faz algo extraordinário de um homem comum; seu exterior calmo e contemplativo mascara uma interioridade turbulenta, com correntes agitadas de indignação, luto e uma terna preocupação com seu filho jovem", descreve a publicação. 

Outro nome que aparecia entre os favoritos era o de Timothée Chalamet, de 30 anos, que se envolveu em uma polêmica às vésperas da cerimônia. Em um evento promovido pela Variety e exibido pela CNN, o ator classificou o balé e a ópera como "formas de arte em declínio e desconectadas da realidade atual". 

O comentário do protagonista de Marty Supreme e sua repercussão negativa, claro, estremeceram seu possível favoritismo à estatueta. 

Além da categoria de Melhor Ator com Wagner Moura, O Agente Secreto também foi indicado nas listas de Melhor Filme, Melhor Direção de Elenco e Melhor Filme Internacional.

Fonte: Portal Terra
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