'Carrie': Nova série do Prime Video reinventa o clássico de Stephen King pelas mãos de Mike Flanagan
Em entrevista ao 'Estadão', diretor também de 'A Maldição da Residência Hill' e o elenco detalham como transformaram a relação de Carrie e Margaret e por que o terror agora ultrapassa os muros da escola
A nova série do Prime Video, comandada por Mike Flanagan, reinventa o clássico "Carrie", de Stephen King, trazendo a trama para o século 21. Estrelada por Summer H. Howell em oito episódios, a produção atualiza o bullying escolar para a era das redes sociais e celulares. A narrativa também reformula a dinâmica familiar: a mãe, Margaret, agora tem um fanatismo moldado por conspirações da internet e age por superproteção, intensificando o isolamento e o drama da jovem protagonista.
A nova adaptação de Carrie, clássico de Stephen King, deixa de lado o passado e abraça o presente em uma ambientação em uma escola do século 21. A série, que estreia nesta quarta-feira, 7, no Prime Video, agora aborda o bullying contra a protagonista de uma maneira diferente: a perseguição não acaba mais com o soar do sino e a ida para casa, mas permanece constante em virtude dos celulares e das redes sociais.
A história, originalmente lançada por King em 1974, acompanha a jovem Carrie White, uma menina que era criada longe de tudo e todos, dentro de sua casa ao lado dos pais - numa mudança com relação à primeira versão. Por meio de sua mãe, Margaret, o fanatismo religioso, as teorias da conspiração e o medo do desconhecido tomam conta da família. A garota, no entanto, se vê forçada pelas circunstâncias a enfrentar o ensino médio, onde se torna alvo dos colegas.
A trama ganhou várias versões ao longo dos anos, sendo a mais famosa o filme de 1976 de Brian De Palma, estrelado por Sissy Spacek. Esta mais recente, em oito episódios, fica a cargo de Mike Flanagan, que se consagrou como um dos grandes nomes do terror recente em produções como A Maldição da Residência Hill (2018) e Missa da Meia-Noite (2021).
Carrie agora é interpretada por Summer H. Howell, escolhida após uma seleção com mais de mil atrizes. Ao Estadão, ela diz que tomou a decisão consciente de não ler o livro nem assistir às adaptações anteriores.
Ela confessa que percebeu o quanto o público é apegado à obra original e cheio de expectativas, mas enfatiza que a clareza de Flanagan, diretor e showrunner, foi essencial: "Mike tinha uma visão clara eu; confiei nele. Foi isso o que me manteve focada e feliz para criar a minha nova versão dela, e só espero que as pessoas deem uma chance a ela."
Do fanatismo ao cyberbullying
Uma grande mudança na narrativa está na posição da mãe de Carrie perante ela. Na nova adaptação, Margaret (Samantha Sloyan) não odeia a filha, mas por conta do ambiente em que vive, tem essa necessidade de protegê-la da forma que acredita ser a correta, isolando-a do mundo.
"Nos anos 1970, o fanatismo religioso foi usado meio que como o motor principal que impulsionava a Margaret White como esse monstro abusivo. Mas com a nossa Margaret White, nós não queríamos fazer isso", disse Flanagan em entrevista ao Estadão. "Acho que isso já tinha sido feito, e feito de forma icônica pela Piper Laurie e pelo Brian De Palma. A nossa Margaret White não odeia a filha. Ela ama a filha. Ela quer proteger a filha".
"O fanatismo religioso reflete mais a visão de mundo dela, que tem a ver com muito mais do que religião e se baseia amplamente nas informações que ela recebe sobre o mundo a partir deste ponto de vista completamente isolado; o fanatismo dela é mais político, tendendo até para teorias da conspiração e outras coisas que meio que nascem na internet", completa.
O diretor segue ao explicar a forma como o isolamento de Carrie do restante do mundo - sem acesso à internet e às redes sociais -, acaba por impactar sua vida, ao mesmo tempo que a relação da mãe com a tecnologia também sofre interferência: "Do mesmo modo que a Carrie ficou 'de quarentena' das redes sociais e da internet, a Margaret teve um recorte muito específico exposto a ela, mas nada além disso. Acho que muita gente consegue se identificar com isso."
"E acho que isso era mais interessante para nós do que o fanatismo religioso, as redes sociais e tudo mais. Estamos falando da adolescência", continua, comentando sobre como o bullying se adapta a essa nova realidade. "Isso parecia ser vital se quiséssemos ter a Carrie indo para a escola. É simplesmente uma parte enorme da vida, do bullying, da crueldade e de como nossa sociedade é moldada hoje."
O ator acredita que o diretor Grayle representa a frustração de muitos administradores escolares que se sentem impotentes diante de regras e burocracias. Segundo ele, caso o personagem seguisse seus instintos reais, teria expulso Chris Hargensen imediatamente, mas a política do cargo o obriga a jogar um jogo do qual não tem controle. "Acho que faz parte da complexidade deste roteiro que o Mike escreveu. Em uma versão simples e previsível, ele teria expulsado a Chris e a história acabaria ali. Mas o que ele faz é criar um retrato autêntico de um diretor de ensino médio que, no fim das contas, é impotente".
Todos os episódios de Carrie estarão disponíveis no Prime Video a partir desta quarta, 7.
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