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Último filme de diretor morto em Mariupol será exibido em Cannes

Mantas Kvedaravicius morreu ao tentar deixar a Ucrânia; filme foi concluído por sua noiva e uma editora que trabalhavam com ele

13 mai 2022 11h36
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O último filme do diretor lituano, Mantas Kvedaravicius, que morreu em abril em Mariupol, onde o longa havia sido filmado, será apresentado fora da competição no Festival de Cannes, anunciou o evento nesta quinta-feira, 11.

Mariupolis 2 (1H45), um filme "que mostra a vida que continua sob as bombas" foi adicionado à lista oficial de filmes, explicou o comunicado, que ressaltou também que este longa-metragem contém "imagens trágicas e esperançosas ao mesmo tempo".

O 75.º Festival de Cannes começa na terça-feira, 17. O filme lituano será apresentado em 19 e 20 de maio, informa o texto.

O circuito cinematográfico francês previsivelmente se tornará uma grande plataforma para denunciar a invasão russa da Ucrânia, uma tragédia "que estará em todos os corações", nas palavras de seu delegado geral, Thierry Frémaux.

Estarão presentes duas gerações de cineastas ucranianos: Sergei Loznitsa com The Natural History of Destruction, que recorda a destruição das cidades alemãs pelos aliados durante a 2.ª Guerra Mundial, e o jovem Maksim Nakonechnyi com Bachennya Metelyka, na sessão Um certo olhar.

Mantas Kvedaravicius é o autor de Barzakh (2011), Mariupolis (2016) e Parthenon (2019). Ele morreu quando tentava abandonar essa cidade portuária do sudeste da Ucrânia.

"Em 2022 voltou à Ucrânia, para o Donbass, em plena guerra, para se reunir com as pessoas que havia conhecido e filmado entre 2014 e 2015. Após sua morte, seus produtores e colaboradores se uniram para continuar transmitindo seu trabalho, sua visão, seus filmes", afirma o festival.

Seu filme anterior, Mariupol (2016) contava a história de uma cidade sitiada.

Sua noiva e uma editora, que trabalhavam com ele, conseguiram completar a segunda parte desse filme, que será apresentado em Cannes.

Nascido em 1976, doutor em Antropologia, Mantas Kvedaravicius apresentou Mariupol no Festival de Berlim de 2016.

Estadão
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