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Animação brasileira tem 'chances muito pequenas' diz diretor

12 fev 2016
12h24
atualizado às 14h40
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No dia 28 de fevereiro, o cinema brasileiro pode chegar a sua maior conquista - no âmbito da grande indústria - se a animação O Menino e o Mundo vencer em sua categoria no Oscar 2016.

Foto: Reprodução

Trata-se de uma briga de Davi contra vários Golias, e o próprio diretor do longa-metragem, que conta a história de um menino em busca do pai, reconhece isso.

"As chances são muito pequenas, mas estamos lutando", diz Alê Abreu, em entrevista à BBC Brasil.

Para se ter uma noção da diferença entre o filme brasileiro e seus concorrentes,O Menino e o Mundo custou cerca de R$ 2 milhões. Tido como favorito, Divertida Mente (do estúdio Pixar) consumiu cerca de R$ 700 milhões.

"Independentemente de orçamento, o mais legal do cinema de animação é a linguagem, a poesia do filme. A Academia localizou no menino uma força nesse sentido, um outro olhar, um outro jeito de tratar a animação", diz o autor.

Esses fatores ajudaram O Menino e o Mundo a bater, no Anne Awards, principal premiação da indústria americana para animação, o concorrenteQuando Estou com Marnie (do famoso estúdio japonês Gibli) - que também concorre ao Oscar - na categoria Melhor Filme Independente.

O diretor vê seu filme como um "grito". Primeiro, um "grito latino". "O filme é representante das minorias", diz ele, que vê semelhanças entre os países da região tanto em seus movimentos sociais como na repressão às liberdades, conduzida por "interesses econômicos externos".

"Mas o filme também é um grito pela animação, na medida em que o menino carrega a possibilidade de se fazer um filme de maneira muito diferente do que vem sendo feito na indústria nos últimos tempos. O filme exerce esta liberdade através da animação."

Mas Alê não é um militante antifilmes industriais, como os de Pixar, Dreamworks ou Disney.

"Cresci vendo os filmes da Disney e acho que nos meus curtas, especialmente, há muitas referências. Disney tem uma contribuição tremenda. Mas é preciso ter espaço para outras visões".

O Menino e o Mundo nasceu do documentário em animação Grito Latino , não realizado, mas que deu ao diretor a inspiração e os primeiros rascunhos do personagem principal.

Os filmes que concorrem com O Menino e o Mundo ao Oscar de melhor longa de animação são: Anomalisa (de Charlie Kaufman, Duke Johnson e Rosa Tran), Divertida Mente (Pete Docter e Jonas Rivera), Shaun o Carneiro (Mark Burton e Richard Starzak) e Quando Estou com Marnie (Hiromasa Yonebayashi e Yoshiaki Nishimura).

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