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Longa 'O Futuro Adiante' retrata uma amizade à prova do tempo e das diferenças

Estreia da diretora Constanza Novick, obra segue mulheres em momentos importantes de suas vidas; veja trailer

11 out 2018
11h17
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O cinema tem contado muitas histórias de amizades entre mulheres. Hollywood aborda o tema com regularidade. E temos desde dramas como Thelma & Louise até comédias como Amigas para Sempre. O cinema argentino dá sua contribuição. A diretora estreante Constanza Novick assina O Futuro Adiante. O longa que estreou na semana passada é interpretado por Dolores Fonzi e Pilar Gamboa. A Aura, O Crítico, Truman, Paulina, Neve Negra, A Cordilheira - Dolores possui um currículo respeitável. Tem trabalhado bastante com Ricardo Darín.

Romina e Florencia

O filme segue essas mulheres em três momentos importantes de suas vidas. Começam adolescentes, em plena fase de descoberta - afetiva, sexual. Juram amizade eterna. Dançam juntas, interessam-se pelo mesmo garoto e repetem de cor as falas do telefilme Nadia, sobre a ginasta romena Nadia Comaneci. Num segundo momento, Flor, que acaba de se separar do parceiro, é acolhida na casa de Romina, que está casada e tem uma filha pequena. Na terceira parte, as filhas de ambas retomam a situação inicial. O filme promete uma continuidade - serão amigas como as mães.

Essa ideia da continuidade permeia o filme. E, mesmo quando mudam as atrizes, a diretora surpreende na forma como propõe essas diferentes fases. Uma conversa entre Romina e Flor no primeiro segmento é retomada, com muito humor, pelas duas, no segundo. Permanecem amigas mesmo quando brigam. Constanza escreveu o filme para sua amiga Dolores. Pilar Gamboa foi um achado. Dolores e ela atuam com brilho no registro do naturalismo. Dolores, mais introvertida, Flor, a própria extroversão - dão-se as réplicas e tréplicas com humor. O timing de comédia funciona.

A citação a Nadia Comaneci ultrapassa o anedótico. Vira metáfora porque Nadia, no telefilme, tem uma cena antológica - para Romina e Flor. Nadia e sua rival Teodora Ungureanu querem ser o centro das atenções, como as amigas. O resultado é outro filme argentino fadado ao sucesso no Brasil. O público brasileiro adora essas histórias de pequenas vidas e classe média. Em fase de empoderamento, Constanza Novick mostra que mulheres não precisam ser super-heroinas. Podem ser maravilhosas sem ser maravilha. E têm todo direito de ser plenas no amor e no trabalho.

Estadão Conteúdo

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