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Isis Valverde viverá Ângela Diniz no cinema

A socialite foi assassinada pelo marido, Doca Street; crime foi um divisor de águas no Direito brasileiro

7 dez 2021 17h12
| atualizado às 18h20
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Foto: Divulgação/Globo / Pipoca Moderna

O assassinato de Ângela Diniz vai virar filme estrelado pela atriz Isis Valverde ('Simonal').  

A produção será o próximo longa de Hugo Prata ('Elis'), mas o crime também deve render duas minisséries - uma assinada por Bruno Barreto ('O Hóspede Americano') para a Globoplay e outra em desenvolvimento pela Conspiração Filmes. A boa notícia é que a existência dos demais projetos dificulta negociações para transformar o filme de Prata numa série, como aconteceu com 'Elis' - iniciativa que costuma render produtos híbridos, sem foco e com montagem aos trancos, por tópicos.

A morte da socialite voltou a despertar interesse devido ao sucesso do recente podcast 'Praia dos Ossos', que, por sinal, será adaptado nas séries.

O crime cometido por Doca Street tornou-se um divisor de águas no movimento feminista e no Direito brasileiros. Durante o julgamento do assassino, que deu quatro tiros no rosto da companheira em dezembro de 1976, no auge de uma discussão na Praia dos Ossos, em Búzios, Rio de Janeiro, a defesa alegou "legítima defesa da honra" para tentar absolvê-lo do caso. Ele alegou ter matado "por amor".

O argumento gerou polêmica. Militantes feministas organizaram um movimento cujo slogan - "quem ama não mata" - tornou-se, anos mais tarde, o título de uma minissérie da Globo.

Até o grande poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) se manifestou: "Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras", referindo-se à estratégia da defesa de culpabilizar Ângela Diniz por seu próprio assassinato.

A tese da "legítima defesa da honra" constava no Código Penal da época, mas mesmo assim Doca Street foi condenado a 15 anos de prisão. Na década seguinte, a nova Constituição, elaborada ao fim da ditadura, acabou com essa desculpa para o feminicídio.

O famoso crime dos anos 1970 se junta a outras produções de "true crime" brasileiros, que ganharam impulso com o sucesso dos filmes sobre Susanne von Richthofen, vivida por Carla Dias nos lançamentos da Amazon Prime Video.

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