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Novo filme de Tarantino é desorientador e brilhante

No resgate dos selvagens anos 1960, 'tudo é documentado, tudo é imaginado'

14 ago 2019
03h11
atualizado às 08h43
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Tarantino tem se valido das ferramentas do cinema para propor o revisionismo histórico. Shoshana, em Bastardos Inglórios, bola aquele plano de vingança para assassinar Adolf Hitler. Prepare-se para as surpresas do novo filme. A Sharon Tate de Tarantino quase não fala. Interpretada por Margot Robbie, é uma presença luminosa que atravessa Era Uma Vez... em Hollywood. Foi um desperdício enorme que essa mulher tenha sido morta na realidade. Seria outro crime inominável, se fosse sacrificada na ficção.

Para recontar os selvagens anos 1960 em Hollywood, Tarantino vale-se da mesma citação que Paolo Sorrentino coloca na abertura de Silvio e os Outros (Loro), seu longa sobre Silvio Berlusconi, que integra a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano que roda o Brasil. 'Tudo é documentado, tudo é imaginado'.

Quentin Tarantino durante première de 'Era Uma Vez em... Hollywood', em Berlim
Quentin Tarantino durante première de 'Era Uma Vez em... Hollywood', em Berlim
Foto: Fabrizio Bensch / Reuters

Duas histórias correm paralelas, a do casal Polanski e a do astro decadente Rick Dalton, interpretado por Leonardo DiCaprio, e seu dublê, Cliff Booth, Brad Pitt. São vizinhos do casal Polanski e, após passagem pelo spaghetti western, estão de volta. Logo, Sharon será morta. Não se esses homens foram os heróis, maiores que a ficção, que deveriam ser. Pitt é genial, DiCaprio está cada vez mais a versão de si mesmo naquele aplicativo - o cara que envelhece com cara de bebê chorão. Há um cachorro, decisivo na solução da trama. Há que dar razão ao crítico do The Guardian. Tarantino fez seu filme mais ultrajante, irresponsável, desorientador (quanto ao desfecho) - e brilhante. Só quem não gostou foi a filha de Bruce Lee, mas você vai entender por quê.

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Estadão
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