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Circuito Inffinito: 25 anos de brasilidade no cinema pelo mundo

Festival que leva filmes nacionais aos EUA e outros países reage à pandemia com nova maratona de longas e curtas e plataforma de streaming dedicado à produção brasileira

18 set 2021 13h11
| atualizado às 13h30
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Ganhador do Kikito de melhor filme em Gramado, em 2020, o road movie pernambucano King Kong en Asunción faz escala nos Estados Unidos, até sábado, ao lado de outras produções nacionais premiadas - como Alfazema, de Sabrina Fidalgo, e Um Dia Com Jeruza, de Viviane Ferreirra - graças ao esforço de uma trinca de produtoras que, há 25 anos, acreditaram no sonho de levar a brasilidade de nosso cinema às telas do mundo. Em 1997, quando O Que É Isso, Companheiro? começava a fazer barulho no exterior e Guerra de Canudos se candidtava ao posto de blockbuster por aqui, Adriana L. Dutra, Cláudia Dutra e Viviane Spinelli uniram forças para levar o que a Retomada havia gerado até então para as salas de exibição americana.

Começaram pela Flórida, promovendo a primeira edição do Brazilian Film Festival, em Miami. Na ocasião, a recente promulgação da Lei do Audiovisual, que tirou nossa produção de um ciclo de estagnação, resultante da dissolução da Embrafilme (empresa de fomento e promoção de longas e de curtas), no governo Collor, em 1990, alimentava a aparição de vozes autorais do Amazonas ao Rio Grande do Sul. E essas vozes careciam de mostras exibidoras para escoar suas estéticas. O êxito da empreitada de Adriana, Cláudia e Viviane em Miami abriu precedente para que um circuito de festivais fosse criado.

Cena do filme 'King Kong en Asunción', de Camilo Cavalcante 
Cena do filme 'King Kong en Asunción', de Camilo Cavalcante
Foto: Arthouse/Divulgação / Estadão

Era o Circuito Inffinito, que gerou 87 festivais em 13 cidades no mundo: Nova York, Vancouver, Londres, Roma, Madri, Barcelona, Frascati, Milão, Buenos Aires, Montevidéu, Bogotá, Canudos e Miami, e exibiram mais de 1,2 mil filmes nacionais para um público estimado em 2 milhões de pessoas. Com homenagens à atriz Marieta Severo, em seus primeiros dias, a edição atual é mais do que o festejo de uma efeméride. Com ela, suas idealizadoras ampliam o alcance e a popularidade da da www.inff.online, a primeira plataforma internacional de streaming dedicada exclusivamente ao audiovisual brasileiro, abarcando de Porto Rico ao Alasca.

"Na inff.online, exibimos de clássicos a filmes experimentais, realizamos mostras temáticas e festivais, com profissionais que moram em nosso coração", diz Adriana. "Contamos com a contribuição da classe, uma vez que, anualmente, elegemos um grupo diverso de profissionais do audiovisual brasileiro para representarem a curadoria de seleção de nossos festivais. Acredito que a maioria dos profissionais do setor já esteve conosco nesta parceria. Todos nós temos o mesmo objetivo: abrir novas telas para o cinema brasileiro".

Lançado mundialmente no Festival de Roterdã, em Janeiro, e escalado para concorrer a prêmios em San Sebastián, na Espanha, e em Biarritz, na França, este mês, Madalena, de Madiano Marcheti - drama vindo da região Centro-Oeste, focado numa denúncia à transfobia - é um dos 56 títulos que integram o menu deste Inffinito Film Festival. Está lá também o documentário vencedor do Festival de Brasília do ano passado: Por Onde Anda Makunaima, de Rodrigo Séllos

"Hoje já existem mais de 300 festivais de cinema do Brasil, no nosso país e no mundo, mas, quando iniciamos a nossa jornada, não existiam mostras exclusivamente de filmes brasileiros no mundo. Só algumas ações isoladas, e esporádicas, eram realizadas, em missões especiais do governo e entidades de classe", lembra Cláudia. "Sentíamos falta, naquela época, de ver nosso cinema ser protagonista permanente de festivais, de ter um lugar de destaque e exibição".

Numa comemoração de um quarto de século, a curadoria investiu na urgência de se cicatrizarem feridas abertas do país, como o racismo e a violência contra a mulher. Essas tônicas transbordam em filmes como Antígona Pajubá, de Fabrício Boliveira, e Alvorada, de Anna Muylaert e Jô Politi.

"Estamos celebrando uma edição histórica, com filmes de várias regiões do país, que abordam da questão racial e da identidade trans à violência urbana, às disputas políticas e às sempre reconfortantes comédias", diz Viviane. "Este ano, ainda sob o impacto da pandemia que assolou o mundo, o desafio da seleção foi maior. Mas estamos exibindo cerca de 60 filmes em todo o território americano".

Estadão
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