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Cannes 2022: 'Triangle of Sadness', de Ruben Östlund, ganha a Palma de Ouro

Edição comemorou 75ª edição de um dos maiores festivais de cinema

28 mai 2022 17h05
| atualizado às 19h49
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CANNES - Triangle of Sadness, de Ruben Östlund, venceu a Palma de Ouro do 75º Festival de Cannes. O júri presidido pelo ator francês Vincent Lindon anunciou os prêmios neste sábado, 28.

É a segunda Palma de Ouro do diretor sueco, ganhador em 2017 por The Square - A Arte da Discórdia. O filme é uma sátira sobre os excessos do capitalismo e o poder. "Da primeira vez que estive na competição eu não consegui curtir muito", disse o diretor na coletiva após a cerimônia de premiação. "Agora vou ficar feliz de comemorar com outros cineastas, como Lukas Dhont, que faz parte de uma nova geração, chegando com muita energia." O diretor explicou que gosta de falar de coisas importantes de maneira divertida e estica algumas cenas, como a da diarreia coletiva a bordo de um iate de luxo, para criar um efeito. "Eu quero que no começo as pessoas riam dos milionários. Mas, se só fosse isso, não haveria resultado nenhum. Conforme a cena continua, o espectador começa a querer salvar aqueles milionários, porque eles já sofreram o suficiente."

Houve empate no Grande Prêmio do Júri, entre Close, de Lukas Dhont, e Stars at Noon, de Claire Denis. O belga Lukas Dhont, de 31 anos, fez um filme sobre a amizade de dois adolescentes, abalada pelo bullying. A francesa Claire Denis, de 76 anos, filmou uma história de espionagem e amor entre uma americana e um inglês. "Eu fico feliz de o filme ter provocado emoções porque é um filme muito pessoal para mim", disse Dhont. Close provocou lágrimas tanto na sessão de gala quanto na sessão de imprensa.

Park Chan-wook foi eleito o melhor diretor pelo melodrama noir Decision to Leave, sobre um detetive que se encanta pela acusada de matar o marido. O cineasta sul-coreano, que falou sobre a importância de ver filmes na tela grande em seu discurso de agradecimento, voltou ao assunto na coletiva de imprensa após a premiação. "Para mim, a sala de cinema é o cinema, porque se trata de uma experiência coletiva", disse ele na coletiva de imprensa.

O júri também criou um prêmio especial comemorando a 75ª edição para Tori and Lokita, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, sobre uma adolescente e um menino refugiados.

Zar Amir Ebrahimi foi escolhida a melhor atriz por sua interpretação em Holy Spider, de Ali Abbasi, baseado em uma história real . Ela faz uma jornalista que investiga os crimes de um serial killer matando trabalhadoras do sexo. "Talvez minha presença aqui esta noite seja uma mensagem para as mulheres iranianas. Eles queriam me apagar, me remover do cinema, talvez que eu morresse. E eu estou aqui esta noite. Se você acredita em si mesmo, é possível", disse a atriz.

Song Kang Ho foi o melhor ator por seu trabalho em Broker, dirigido por Hirokazu Kore-eda. Ele vive um homem que faz parte de um esquema ilegal de adoção. "É uma honra estar aqui de novo, acho que isso mostra a diversidade do cinema sul-coreano", disse o ator, que esteve em Cannes diversas vezes, incluindo por Parasita (2019).

O prêmio de melhor roteiro ficou com Tarik Saleh, por seu filme Boy from Heaven, que também dirigiu. "A história que eu contei tem a ver com todos os países do mundo, porque isso está no noticiário todos os dias, mas ninguém sabe nada", disse Saleh, sueco de origem egípcia. "E precisamos de histórias desses lugares, do Afeganistão, do Sudão, mas os cineastas de lá são punidos. Então temos de incentivar cineastas desses lugares a contar essas histórias."

A Caméra D'Or, para o melhor filme de estreante entre todas as seções do festival, foi para Riley Keough e Gina Gammell, por War Pony.

Estadão
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