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Borat volta e se infiltra no círculo de Trump

Catorze anos depois, o comediante Sacha Baron volta aos EUA na sequência de sua alucinada criação

26 out 2020
08h10
atualizado às 08h51
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Catorze anos depois de o comediante Sacha Baron Cohen ter trazido seu personagem Borat para os Estados Unidos, o jornalista bigodudo do Casaquistão está de volta para semear mais caos em Borat Subsequent Moviefilm, que começou a ser oferecido via streaming pela Amazon Prime.

No primeiro filme, o principal objetivo de Borat era fazer da estrela de Baywatch, Pamela Anderson, sua mulher, mas agora sua meta é muito mais ambiciosa, com as autoridades do Casaquistão ordenando a ele que se infiltre no círculo mais próximo do presidente Donald Trump. Dessa vez, a guerra secreta de pegadinhas de Baron Cohen enreda vários políticos da vida real, incluindo o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, que passou dias tentando explicar uma cena na qual parece passar uma cantada na filha adolescente de Borat.

O que exatamente acontece nessa sequência, e será que os escândalos políticos podem ser levados a sério? Eis um breve resumo dos três momentos mais comentados de Borat Subsequent Moviefilm.

O encontro de Borat com Mike Pence

Na sua primeira tentativa de agradar as autoridades americanas, Borat planeja dar ao vice-presidente Mike Pence um famoso macaco que se tornou astro de filmes adultos no Casaquistão (sim, é aquela velha história).

Ao chegar nos EUA, Borat abre o caixote contendo o macaco e encontra em vez disso sua filha adolescente, Tutar; ela veio clandestinamente na viagem e comeu o macaco durante o trajeto. Privado do seu presente símio, Borat decide então oferecer Tutar a Pence como noiva menor de idade, e viaja até a Conferência de Ação Política Conservadora, realizada em fevereiro em Maryland, na esperança de fazer a entrega ao vice-presidente enquanto ele fala no evento.

"Como eu poderia me infiltrar nessa conferência de republicanos sem ser notado?", indaga Borat narrando a cena. Primeiro, ele se veste como membro da Ku Klux Klan, acenando para os frequentadores da conferência no saguão, dizendo por baixo do capuz branco, "Sou Stephen Miller" (um dos principais assessores de Trump). Depois de passar pelo saguão, Borat se esconde no banheiro e prepara outro disfarce, dessa vez vestindo-se de Trump.

Trazendo Tutar nos ombros, Borat (vestido de Trump) corre para o salão e interrompe o discurso de Pence, incidente que até ganhou as manchetes na época. "Trouxe a garota para você!", grita Borat diante de um vice-presidente furibundo antes de ser excluído do local pela segurança. Mas a parte mais chocante da sequência não é a pegadinha de Borat, e sim as cenas prolongadas do filme mostrando Pence afirmando que o governo tinha controlado a pandemia do coronavírus em um momento em que havia apenas 15 casos confirmados nos EUA. Nada que Borat dissesse seria mais chocante do que a vida real.

Um quarto de hotel com Rudy Giuliani

Sem conseguir avançar com Pence, Borat decide então oferecer Tutar a Giuliani. Mas pai e filha têm uma crise quando Tutar passa por um despertar feminista (reformando sua aparência para imitar uma âncora loira da Fox News) e parte sozinha para entrevistar Giuliani. Borat, que mudou de ideia, corre para a entrevista na esperança de salvar a filha do que acredita que será um ritual de sacrifício.

Enquanto isso, Tutar e Giuliani se sentam em um quarto de hotel para a entrevista, que Tutar, nervosa, parece incapaz de conduzir. Giuliani tenta inspirar um pouco de confiança nela, que responde com elogios e flertes. Os dois chegam até a beber um pouco.

É então que a montagem fica um pouco… seletiva, digamos.

"Vamos tomar um drinque no quarto?", Tutar parece perguntar a Giuliani na cena, embora a atriz esteja de costas para a câmera quando a ouvimos falar. No quarto, Giuliani parece dizer, "Pode me dar seu telefone e endereço", mas ele também está de costas para a câmera escondida quando o ouvimos dizer isso.

Com Giuliani sentado na cama, Tutar desabotoa a camisa dele e parece remover um microfone de suas costas, mas o momento é mostrado em um contexto e com um acompanhamento sonoro que mais parecem dignos de uma cena de sedução. Então Giuliani se recosta na cama e coloca uma mão sob a calça.

Giuliani disse que estava apenas colocando a camisa para dentro e, ao vermos as imagens, é plausível acreditar que é mesmo isso o que ele está fazendo. Mas a câmera acompanha a mão de Giuliani ao descer cinto abaixo, evento prolongado com múltiplos ângulos, até que um Borat vestindo lingerie interrompe o encontro e se oferece para assumir o lugar da filha, dizendo, "Ela tem 15 anos, velha demais para você" (a atriz que interpreta Tutar, a estreante Maria Bakalova, tem 24 anos). Confuso, Giuliani vai embora.

Quando o encontro ocorreu, em julho, Giuliani disse ao New York Post que chamou a polícia para denunciar Baron Cohen. No filme, Borat e Tutar escapam e partem em um desfile da vitória pelas ruas de Nova York. Eles conseguiram o que queriam e, claramente, o mesmo vale para Baron Cohen.

Uma surpreendente conspiração envolvendo a covid-19

Com o filme se encaminhando para o desfecho, Borat retorna ao Casaquistão e é confrontado com uma revelação chocante e cômica: a verdadeira missão bolada pelas autoridades do país era uma trama de vingança prevendo a disseminação do coronavírus pelo mundo.

Antes de partir, Borat recebeu secretamente uma injeção de covid-19, o que fez dele o paciente zero da pandemia sem que se desse conta. Em uma série de flashbacks, um Borat horrorizado lembra que sua viagem de barco até os EUA teve uma parada em um bar de animais silvestres em Wuhan, China, onde ele tossiu em tudo que havia pela frente; fez até uma breve parada em Sydney para tossir na cara de Tom Hanks, que faz uma participação especial.

Na vida real, Hanks foi um dos primeiros americanos conhecidos a contrair o coronavírus, em março, enquanto rodava na Austrália um filme biográfico a respeito de Elvis Presley. Borat certamente representa um bode expiatório mais engraçado, mas talvez Giuliani não esteja rindo das manchetes contagiantes que Baron Cohen lhe rendeu. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL.

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Estadão
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