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Anthony Hopkins divulga vídeo e homenageia Chadwick Boseman

Hopkins agradeceu o Oscar; antes, em entrevista, disse que papel em 'Meu Pai' o mostrou que no fim 'estamos todos desesperadamente sozinhos'

26 abr 2021 08h42
| atualizado às 10h21
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Anthony Hopkins ganhou neste domingo, 25, o Oscar de melhor ator por sua elogiada interpretação de um idoso que sofre de demência no filme Meu Pai. Trata-se da segunda estatueta para este ator veterano, que conquistou o primeiro prêmio da Academia com o apavorante Hannibal Lecter.

Anthony Hopkins, vencedor do Oscar de melhor ator, divulga vídeo e homenageia Chadwick Boseman
Anthony Hopkins, vencedor do Oscar de melhor ator, divulga vídeo e homenageia Chadwick Boseman
Foto: Danny Moloshok / Reuters

Hopkins, que aos 83 anos é o ator de mais idade a ganhar um Oscar competitivo, superou o falecido Chadwick Boseman, cujo papel em A Voz Suprema do Blues lhe rendeu um Globo de Ouro Póstumo após sua morte por câncer aos 43 anos. Além disso, ele desbancou Riz Ahmed (Som do Silêncio), Gary Oldman (Mank) e Steven Yeun (Minari).

Anthony Hopkins não compareceu à cerimônia do Oscar, mas postou um vídeo no Instagram agradecendo pelo prêmio, dizendo que não esperada ganhar e contando que está em casa, no País de Gales.

"Aos 83 anos, eu não esperava receber esse prêmio. Eu realmente não esperava. Agradeço muito agradecido à Academia", diz. "Quero prestar homenagem a Chadwick Boseman, que foi tirado de nós tão cedo. Novamente, agradeço muito a todos. Eu realmente não esperava por isso. Me sinto muito privilegiado e honrado."

Quase três décadas depois de ganhar a primeira estatueta de melhor ator em 1992 pela assustadora interpretação de um assassino em série em O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme, voltou a conquistar o prêmio ao interpretar um idoso que mergulha na demência em Meu Pai, dirigido pelo francês Florian Zeller.

Neste filme, adaptação de uma bem sucedida peça de teatro, que às vezes beira o gênero thriller, sua filha, interpretada pela britânica Olivia Colman, e outros membros de seu entorno se tornam irreconhecíveis e seu próprio apartamento parece se transformar. Seu personagem compartilha seu nome de batismo, Anthony, e sua data de nascimento, 31 de dezembro de 1937.

"Não foi um problema interpretar uma pessoa idosa porque sou velho", disse o ator ao jornal The Times. Mas o papel o marcou. "Me tornou mais consciente da mortalidade e da fragilidade da vida, e desde então julgo menos as pessoas. Todos somos frágeis, todos estamos feridos".

O filme o lembrou dos últimos dias do seu pai. "Sabia o que sentia ao final. O medo. A melancolia indizível, a tristeza e a solidão. Todos fingimos que não estamos sós, mas todos estamos sós. O sucesso é bom, é uma forma de sobreviver, mas no fim todos estamos desesperadamente, desesperadamente sozinhos", disse Anthony Hopkins ao The Times.

A carreira de Anthony Hopkins

Em uma carreira de seis décadas no teatro, na TV e no cinema, o lendário ator interpretou personagens tão diversos como um rei da Inglaterra (Ricardo Coração de Leão), um primeiro-ministro britânico (David Lloyd George), dois presidentes dos Estados Unidos (John Quincy Adams e Richard Nixon), Hitler, Danton, Isaac Rabin, Charles Dickens, Pablo Picasso e Alfred Hitchcock.

Em Dois Papas encarnou Bento XVI, o alemão Joseph Ratzinger, um pontífice estrito e conservador, em diálogo com seu carismático sucessor, Francisco, interpretado por Jonathan Pryce.

Sir Anthony, desde que foi nomeado cavalheiro pela rainha Elizabeth II em 1993, também é pintor, pianista e compositor e tem uma memória auditiva excepcional, devido talvez ao seu ouvido musical.

Nascido em Margam, subúrbio de Port Talbot, em Gales, de pai padeiro, Philip Anthony Hopkins, filho único, inquieto e revoltado, voltou-se para o teatro graças a um encontro, ainda na adolescência, com Richard Burton, natural do mesmo povoado galês.

Após viver momentos difíceis na década de 1960 em Londres, emigrou para os Estados Unidos e superou o alcoolismo. Em dezembro, comemorou no Twitter por estar sóbrio há 45 anos.

Naturalizou-se americano no ano 2000, mas manteve a cidadania britânica.

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Estadão
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