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SXSW 2019: "Outros diretores que surgiram na minha época são tipo os Vingadores, viraram pó", diz Robert Rodriguez

Em painel no festival de cinema, o diretor de Alita e Sin City reforçou a importância de fazer mais com menos num mercado com orçamentos exorbitantes. Ele também contou como filmou mais um longa com menos de 7 mil dólares.

15 mar 2019
15h04
atualizado às 15h37
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"Eu não precisava fazer um filme por 7 mil dólares. Eu fiz para ensinar as pessoas, mas vocês não vão acreditar em como ficou!", disse um animado Robert Rodriguez na abertura de seu painel no SXSW 2019. O diretor de Planeta Terror, Sin City e Alita: Anjo de Combate veio ao evento para apresentar Red 11, longa-metragem que rodou com apenas 7 mil dólares de orçamento— exatamente a mesma quantia que ele teve para rodar O Mariachi nos anos 90.

Foto: Getty Images / AdoroCinema

A experiência de baixo orçamento que abriu a porta e estendeu o tapete vermelho da indústria para Rodriguez o fez sempre manter as coisas em perspectiva. Hoje ele julga essencial ter a capacidade de se manter criativo para alcançar uma carreira longeva: 

"Depois que você faz um filme com esse custo, o número te persegue. Outro dia me contaram que havia dois artistas diferentes apenas fazendo estudos visuais para um novo filme que eu estava dirigindo. O custo? 7 mil dólares. E eu sempre respondo 'você sabe que eu fiz um filme inteiro com esse dinheiro, certo?' A indústria precisa de dinheiro, mas a criatividade, não... Outros diretores que surgiram na minha época são tipo os Vingadores, viraram pó".


Robert Rodriguez troca travelling por cadeira de rodas no set de seu novo filme Red 11, rodado com menos de 7 mil dólares

Se em O Mariachi os diários do diretor renderam o livro "Rebel Without a Crew", em que ele conta como conseguiu superar os desafios financeiros sem ter uma equipe, 27 anos depois ele lança Red 11 com o principal objetivo de educar. "Quando você me vir fazendo, você vai estar pronto para fazer também", aconselhou ele. Toda a produção foi pensada para rodar um documentário de bastidores em paralelo, explicando cada etapa do processo do longa, do roteiro à edição e finalização.

A trama de Red 11, aliás, retoma um capítulo curioso da vida do diretor: a experiência que o próprio teve como "rato de laboratório" para testar medicamentos, justamente a forma como levantou o orçamento para realizar O Mariachi. Quem vive o protagonista é o ator Roby Atal (Parque do Inferno), personagem aspirante a cineasta que se submete à condição de "lab rat" para pagar uma dívida com os investidores de seu filme. Os toques de fantasia à la Rodriguez surgem quando os bizarros efeitos colaterais dos remédios começam a afetar todos os voluntários do estudo.


O ator Roby Atal, que se destaca como protagonista de Red 11, novo filme de baixo orçamento do diretor Robert Rodriguez

O novo filme de baixo orçamento não chegou perto de gastar o custo de 7 mil dólares: depois de locar uma câmera para os 14 dias no set, foram gastos 3 mil com o cachê do numeroso elenco, cerca de 200 dólares de figurino e a pós-produção foi totalmente de graça. Robert editou e finalizou tudo em casa e contou com o filho Racer Rodriguez como o único membro da equipe de roteiro e captação. A interessante trilha sonora também teve custo zero: foi assinada pelo outro filho do diretor, Rebel Rodriguez, que também atua no longa.

Os contatos e a família talentosa obviamente ajudaram o diretor desta vez, mas não foram poucos os truques de custo zero usados, inclusive em cenas de ação e luta, filmadas com a câmera numa cadeira de rodas, não num travelling. Para iluminar o filme todo, o diretor usou apenas placas de LED que já tinha em casa, duas grandes e uma pequena. "Eu me recusava a gastar dinheiro. Se eu precisasse comprar 11 camisetas vermelhas para os personagens, eu comprava 8 e tirava de um ator para o outro no próximo corte", explicou.

Em 1992, O Mariachi foi um filme simplesmente "colocado no mundo", nas palavras do diretor, e acabou se tornando a sensação do Festival de Sundance, fazendo uma carreira acontecer a partir dali. "Não espere a câmera perfeita. A recompensa é a jornada, não o resultado final", ponderou Robert Rodriguez. O clima de "feito é melhor que perfeito" permeou toda a palestra com ares de masterclass, com o diretor inspirando os presentes a simplesmente se desafiarem e colocarem seus planos em prática: na vida, nos negócios e também no cinema.



O diretor Robert Rodriguez recebe no palco do SXSW todos os atores de Red 11 (em pé) e os únicos dois membros de sua equipe (sentados)

AdoroCinema

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