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Oscar 2019: As maiores curiosidades da premiação deste ano

Uma edição repleta de conquistas e polêmicas.

16 fev 2019
10h05
atualizado em 21/2/2019 às 13h32
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O Oscar 2019 confirma uma tendência inaugurada pelas edições dos últimos anos da premiação da Academia porque, a julgar pelos recentes acontecimentos e pela lista de indicados, a noite do próximo dia 24 de fevereiro será um misto de polêmicas e recordes. Tendo isso em mente, o AdoroCinema decidiu montar um compilado com os principais fatos, curiosidades e marcas anotadas pelos nomeados antes da grande entrega de prêmios do Oscar 2019 — confira a seguir a lista, incluindo conquistas, controvérsias e outros dados relevantes, separados por tópicos:

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

PANTERA NEGRA


O fenômeno político e cultural que Pantera Negra tornou-se não precisava de mais ápices para incrementar sua importância, mas é fato que um novo auge anunciou-se no horizonte com a divulgação dos concorrentes ao Oscar 2019. Indicado a sete estatuetas, a aventura dirigida por Ryan Coogler alcançou um patamar que nem mesmo O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, considerado por muitos como o melhor longa de super-heróis de todos os tempos, teve fôlego para atingir: a nomeação ao Oscar de Melhor Filme.

Coroação máxima do Universo Cinematográfico Marvel do ponto de vista de premiações, uma vez que Pantera Negra tem menos chances de derrotar os favoritíssimos Roma e Green Book - O Guia, o feito demonstra como a inclusão de mais diversidade entre os membros votantes a Academia vem afastando o fantasma do #OscarsSoWhite. Indica ainda que a Academia realmente está focada em tentar reverter a galopante perda de audiência da transmissão do evento ao trazer para a festa o terceiro mais lucrativo filme de todos os tempos nos Estados Unidos, com US$ 700 milhões arrecadados em solo doméstico.


E, de quebra, enquanto ainda não falamos sobre a busca desesperada da Academia por popularidade e ibope, que resultou em algumas questionáveis medidas e ideias (ainda) não implementadas, também vale ressaltar o possível triunfo da figurinista Ruth E. Carter. Se vencer sua principal concorrente, Sandy Powell (A Favorita e O Retorno de Mary Poppins), que já tem três estatuetas da Academia na conta, Carter tornará-se a primeira mulher negra a conquistar o prêmio.

Por fim, mais dois dados importantes sobre Pantera Negra no Oscar: 1) a diretora de arte Hannah Beachler agora é a primeira mulher negra a ser indicada à categoria Melhor Design de Produção; 2) e a Disney, potencializada pelas várias indicações de seu blockbuster da Marvel, atingiu um total de 17 nomeações em um só ano. Além de Pantera Negra, a casa de Mickey Mouse também levará Vingadores: Guerra Infinita, Os Incríveis 2, WiFi Ralph - Quebrando a Internet, O Retorno de Mary Poppins, Han Solo: Uma História Star Wars e Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível para a noite da Academia.

NETFLIX E ROMA


Outra companhia que também encontrou seu auge no universo das premiações (até agora) foi a Netflix, que emplacou seu primeiro indicado ao Oscar de Melhor Filme com o Roma de Alfonso Cuarón. Com 13 nomeações no total —sendo 10 do intimista drama mexicano, obra estrangeira que agora é a campeã de indicações histórica ao lado de O Tigre e o Dragão, que lutou a batalha dos Oscar em 2001 —, a gigante do streaming cimenta seu status como uma das mais importantes produtoras do momento, e logo após um ano conturbado.

A inclusão de Roma na corrida pelo caneco principal do Oscar — que também impulsionou a nomeação da novata Yalitza Aparicio na categoria Melhor Atriz, tornando-se a primeira mulher latino-americana em 15 anos, após Catalina Sandino Moreno (Maria Cheia de Graça), a receber uma indicação — chega meses depois da queda de braço travada entre a Netflix e o Festival de Cannes — imbróglio este que, aliás, retirou Roma da Croisette. Antagonizada por diversos distribuidores internacionais ao redor do mundo por priorizar sua plataforma de streaming, a líder do streaming ganha cada vez mais espaço e segue incomodando a competição das majors de Hollywood.


Mas mesmo que o impressionante rendimento da gigante do streaming não convença os mais conservadores membros da Academia, Roma tem grandes chances de sair com pelo menos um prêmio na bagagem de volta para o México, particularmente por causa das múltiplas nomeações de Cuarón. Aliás, o realizador é o único em toda a história a ser indicado como produtor, diretor, roteirista e fotógrafo em uma mesma edição. Antes disso, apenas Warren Beatty e os irmãos Joel e Ethan Coen conseguiram feitos semelhantes: o primeiro foi indicado como produtor, diretor, ator e roteirista por O Céu Pode Esperar, em 1978, e por Reds, em 1982.

A dupla, por sua vez, foi nomeada às categorias de Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Filme e Melhor Montagem por Onde os Fracos Não Têm Vez, em 2008. Os irmãos cineastas também foram responsáveis, aliás, por mais 3 das 15 indicações totais da gigante do streaming neste ano, um recorde para a empresa californiana: The Ballad of Buster Scruggs (foto acima) foi nomeado às categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino e Melhor Canção Original.

POLÊMICAS


O número de conquistas de 2019 só foi mesmo equiparado pela quantidade de controvérsias. Se em 2017 a Academia criou um dos momentos mais infames da história da premiação ao entregar os envelopes errados para Warren Beatty e Faye Dunaway, o que acarretou no anúncio errado do prêmio de Melhor Filme — vencido por Moonlight, e não por La La Land —, a instituição, neste ano, já vem preparando o terreno das polêmicas desde meados de 2018.

Para começo de conversa, em uma tentativa de estancar a sangria da perda de telespectadores, a Academia, sob pressão da ABC, emissora oficial do evento, comprometeu-se a limitar a duração da cerimônia a 3 horas. É por isso que determinadas categorias não serão apresentadas ao vivo na televisão, mas em uma live na internet durante os intervalos comerciais da transmissão — incluídos neste pacote estão os troféus de Melhor Fotografia e Melhor Montagem, exclusão esta que gerou (mais) uma revolta generalizada ao redor da indústria, e mais uma (re)tomada de decisão, na qual a Academia anunciou que televisionará todas as categorias sem exceção. E, para além disso, a outra medida originalmente planejada pela instituição foi a da criação do ultra-criticado Oscar de Melhor Filme Popular.


A divisão que seria gerada entre os filmes que já concorrem à prestigiada premiação e os blockbusters — confira a análise do AdoroCinema sobre a problemática —, geralmente marginalizados pelos membros da Academia no momento da nomeação, escancarou o desespero da instituição pelos índices de audiência. Ainda que tenha sido aprovada por alguns nomes importantes e astros da indústria, como Mark Wahlberg, a medida foi, em larga escala, reprovada pelo fracionamento forçado dos longas em categorias rigídas, baseadas apenas em tendências de consumo e não no mérito das obras em si como cinema, que é teoricamente o critério pelo qual os membros da Academia se pautam — ou deveriam se pautar.

E como se, ainda por cima, não indicar nenhuma mulher à categoria de Melhor Direção — logo no ano após a eclosão do movimento #MeToo contra os abusos sexuais que ocorrem na indústria cinematográfica — não fosse o bastante, ainda ocorreu o caso Kevin Hart. Primeira e única escolha da Academia para apresentar o Oscar neste ano, o comediante foi afastado da cerimônia após a revelação de tuítes ofensivos que o ator postou no passado. Hart, que afirmou já ter pedido desculpas pelo incidente anteriormente, recusou-se a se desculpar novamente e não aceitou os pedidos da Academia, que queria o retorno do popular humorista. Como resultado, o Oscar não terá um apresentador fixo pela primeira vez em 30 anos.

OUTRAS CURIOSIDADES


Por fim, e a despeito das controvérsias, finalizamos nossa lista com algumas das mais importantes façanhas pessoais da edição 2019, incluindo o tão demorado reconhecimento de Spike Lee pela Academia. Três décadas após se lançar ao mundo com seu inovador Faça a Coisa Certa, o realizador agora é, enfim, um indicado às estatuetas de Melhor Direção e Melhor Filme por causa de seu elogiadíssimo e crítico Infiltrado na Klan, uma história sobre violência policial e sobre a organização terrorista Ku Klux Klan que traça um paralelo entre a época dos atos violentos da KKK e o atual momento dos EUA, presididos por Donald Trump.

O triunfo de Lee, no entanto, também chama atenção para outro dado, muito preocupante: o diretor é apenas o sexto artista negro a ser indicado à corrida de Melhor Direção, sucedendo John Singleton (Os Donos da Rua), Lee Daniels (Preciosa), Steve McQueen (12 Anos de Escravidão), Barry Jenkins (Moonlight) e Jordan Peele (Corra!), que coproduziu Infiltrado na Klan ao lado de Lee. Assim, a maior participação de artistas negros na premiação da Academia ainda é ínfima perante à quantidade de artistas brancos — isso também vale para os representantes de outras etnias que não a caucasiana. A diversidade é uma conquista ainda distante para o Oscar, como prova a situação de Mahershala Ali: se confirmar seu favoritismo, o ator de Green Book será apenas o segundo negro na história a ter 2 Oscar como ator.


E arrematando a compilação, vêm as duas favoritas ao prêmio de Melhor Atriz: Glenn Close (A Esposa) e Lady Gaga (Nasce uma Estrela). Ao passo em que a estrela pop tornou-se a segunda cantora na história a garantir uma indicação como atriz e uma como cantora no mesmo ano — após Mary J. Blige no ano passado, que foi nomeada às categorias de Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Canção Original por Mudbound —, o que a coloca no meio do caminho para vencer o EGOT (Emmy, Grammy, Oscar e Tony), a prestigiada atriz está prestes a destruir um recorde ingrato: Close é a atriz viva com o maior número de indicações sem nenhuma vitória, com 7 no total.

AdoroCinema
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