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'O Mecanismo': Padilha diz que polêmica favorece a corrupção

Editorial foi divulgado pela Folha de São Paulo.

2 abr 2018
16h35
atualizado às 17h44
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Em editorial divulgado pela Folha de São Paulo, o cineasta e roteirista José Padilha (Tropa de Elite) voltou a defender O Mecanismo, seu seriado da Netflix que causou verdadeira revolta em diversos setores da esquerda. No longo artigo, o realizador rebate novamente as críticas sofridas - a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) chegou a declarar que a série "propaga fake news e assassina reputações" -; reafirma que a série é uma dramatização de eventos reais que tem por objetivo apresentar uma tese; e ataca a polêmica gerada em torno da obra, apontando que a mesma favoreceria o sistema que a série almeja denunciar.

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Um dos principais pontos da controvérsia acerca de O Mecanismo é o fato de que frases proferidas pelo senador Romero Jucá (MDB) contra as investigações da Operação Lava Jato em um infame áudio vazado acabaram compondo diálogos do ex-presidente Lula (PT) no thriller político. A controversa ficcionalização da vida real - como evidencia nossa crítica da primeira temporada - incomodou assinantes da Netflix e outras personalidades ligadas à esquerda, uma vez que os dois políticos são inimigos declarados e ocupam espectros completamente distintos no conturbado cenário de Brasília. Na visão de Padilha, no entanto, a dramatização está completamente a serviço da tese que O Mecanismo busca apresentar: a de que a corrupção sistêmica brasileira não seria ideológica e operaria igualmente nos governos de direita e nos de esquerda.

Para o realizador, portanto, os críticos do seriado - que chegaram a ameaçar boicotar a Netflix, ao que Padilha respondeu que os mesmos perderiam a quarta temporada de Narcos - não teriam compreendido seu drama político; ele acredita ainda que a atenção dispensada à dicotomia fato-ficção seria uma forma de favorecer o sistema ao não combatê-lo. "Confesso que esperava mais dos formadores de opinião da esquerda. Pensei que em algum momento da história fossem acordar do estupor ideológico e ajudar pessoas de bem na luta contra o mecanismo que opera no mundo real, em vez de se associar a ele para lutar contra o mecanismo exposto na Netflix", finaliza Padilha.

AdoroCinema

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