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Marvel 10 Anos: 97,96% do time criativo dos filmes ainda é formado por homens

Os primeiros dez anos do Universo Cinematográfico Marvel consolidam uma trajetória de sucesso, mas ainda há onde melhorar.

10 abr 2018
12h33
atualizado às 12h52
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A realidade é quase absurda: em 10 anos de Universo Cinematográfico Marvel, apenas uma mulher recebeu crédito de roteirista em algum dos filmes.

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

O AdoroCinema fez um levantamento do time criativo envolvido nos 19 longa-metragens existentes no UCM (contando com Vingadores: Guerra Infinita, que chega aos cinemas em poucas semanas), e apurou que a única mulher que já escreveu um deles é Nicole Perlman, corroteirista de Guardiões da Galáxia (2014) junto a James Gunn.

Os dados — que não incluem as produções televisivas do Universo Marvel (Agents of S.H.I.E.L.D., Agent Carter, Inhumans, Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro, Os Defensores e Runaways) — são evidência de um problema maior em Hollywood e também sintomas de uma característica praticamente naturalizada no universo dos quadrinhos e na própria concepção da Marvel e de filmes de heróis: estes são materiais tratados naturalmente tendo como público-alvo o sexo masculino, protagonizados por eles, e por isso escolher homens para assumir o controle é a primeira escolha óbvia.

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Um relatório divulgado neste ano pelo Centro de Estudos de Mulheres no Cinema e na TV (Center for the Study of Women in Television and Film, no original) revela que, em 2017, mulheres ocuparam 18% de todos os cargos de diretoras, roteiristas, produtoras, produtoras executivas, editoras e diretoras de fotografia entre os 250 filmes mais lucrativos nas bilheterias norte-americanas. O número, embora 1% maior que o de 2016, virtualmente não representa mudança alguma em relação a 1998. Veja abaixo o quadro:


Como uma das franquias mais bem-sucedidas da História do Cinema, o Universo Cinematográfico Marvel contribui para estes números baixos. Estes quase 20 filmes têm feito parte de nossas vidas e passaram a praticamente ditar o futuro da indústria cinematográfica desde quando reescreveram o próprio destino das adaptações de quadrinhos. E não é porque os amamos (acreditem, nós realmente os amamos) que é permitido deixar passar certos equívocos ou aspectos da produção que merecem mais atenção.

É claro, vale lembrar que os dados do time criativo apresentados dizem respeito apenas a roteiristas e diretores, e dos seguintes filmes, na ordem de lançamento: Homem de Ferro, O Incrível Hulk (2008), Homem de Ferro 2 (2010), Thor, Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), Os Vingadores (2012), Homem de Ferro 3, Thor: O Mundo Sombrio (2013), Capitão América 2: O Soldado Invernal, Guardiões da Galáxia (2014), Vingadores: Era de Ultron, Homem-Formiga (2015), Capitão América: Guerra Civil, Doutor Estranho (2016), Guardiões da Galáxia Vol. 2, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Thor: Ragnarok (2017), Pantera Negra e Vingadores: Guerra Infinita (2018).

Quando voltamos o olhar para a equipe de produtores, é possível notar a presença maior de algumas mulheres. A principal delas é Victoria Alonso, que desde 2015 é VP de produção física da Marvel Studios, e recebeu créditos de produtora de quase todos os filmes. Mesmo assim, há de se ponderar: se houvesse mais mulheres no time de roteiristas do UCM, não teria sido mais fácil, por exemplo, levar adiante o tão requisitado filme solo da Viúva Negra (Scarlett Johansson) há muito mais tempo? As heroínas não poderiam ter tido papéis mais relevantes, ou abordagens mais condizentes?

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Como também era de se esperar, toda essa conjuntura será completamente revista em Capitã Marvel, que conta com uma codiretora (Anna Boden) e um time de mulheres responsáveis pelo texto: Boden, Perlman, Liz Flahive, Meg LeFauve, Carly Mensch e Geneva Robertson-Dworet — além do codiretor Ryan Fleck. A escolha, mais do que acertada, continua o precedente aberto por Pantera Negra, que teve como resultado uma das melhores bilheterias da história dos estúdios. Adiante!

Se o futuro da Marvel pertence aos novos heróis e às heroínas em ascensão — Gamora (Zoe Saldana), Carol Danvers (Brie Larson), Nebula (Karen Gillan), Mantis (Pom Klementieff), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Valkyrie (Tessa Thompson), Vespa (Evangeline Lilly), e até Shuri (Letitia Wright), Okoye (Danai Gurira), Nakia (Lupita Nyong'o) e a própria veterana Natasha Romanoff (Johansson), então é necessário que a Fase 4 (e a 5, a 6…) veja a prometida reestruturação não apenas nas telas, mas também por trás delas.

AdoroCinema

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