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Gabriel Leone conta como é fazer pai e filho em Meu Álbum de Amores (Visita ao Set)

O diretor Rafael Gomes contou que usou como inspiração filmes como Her e Alta Fidelidade.

12 jan 2019
08h38
atualizado em 15/1/2019 às 12h26
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Em um galpão, localizado na Zona Norte de São Paulo, acontecem as gravações de Meu Álbum de Amores, segundo filme dirigido por Rafael Gomes apenas em 2018. O AdoroCinema acompanhou um dia de filmagens e pôde conferir, com exclusividade, alguns trechos da primeira cena do longa.

Em frente às câmeras estava Gabriel Leone, protagonista do longa na pele de Odilon, vestindo um blazer de paetê preto, calça aveludada cor bordô, peruca e óculos escuros. O ator arriscava alguns passos dos anos 70 enquanto cantava "Amor da Minha Vida", faixa composta especialmente para o filme.

Com a câmera nos trilhos para pegar diversos ângulos da cena, o cenário incluía muitas luzes coloridas que iluminavam a tela. Em seguida, Leone se preparava para outra cena, agora tocando guitarra ao mesmo tempo em que dublava a sua própria voz na música que tocava no estúdio - e as luzes continuavam cruzando Odilon.

O ator se divide entre dois personagens: Júlio e Odilon Ricardo, pai de Júlio e famoso cantor da música popular brasileira da década de 70. Para encarar o desafio, Leone conta que, juntamente da produção e equipe de caracterização, criou algumas diferenças físicas entre eles.

"O legal é que em um primeiro momento, lógico, tem a fisicalidade, mas ainda assim a gente pensou em diferenças físicas de um para o outro. Ao mesmo tempo, já que tem essa conexão física, a ideia é de que, em termos de personalidade e de mundos, eles sejam muito opostos. Mas, ao longo do filme, em um segundo momento, a gente entende que na verdade eles têm muita coisa em comum", contou ele.

O diretor e roteirista do longa, Rafael Gomes, comentou sobre a escolha do mesmo ator para viver pai e filho: "Para mim, a grande graça de fazer uma história sobre um cara de 25 anos hoje e o pai dele quando tinha a mesma idade é ser o mesmo ator. É um barato para o ator, para mim, é muito divertido e estimulante, para o figurino, para a maquiagem, para ver como diferencia, a caracterização, a voz, etc. Para a dramaturgia do filme é muito importante essa sensação de espelho, desse cara se ver no pai como um espelho. A gente cria essa brincadeira de dois universos, De Volta Para o Futuro tem isso".

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Gabriel ainda comentou sobre as principais diferenças entre pai e filho e a trajetória percorrida por eles - e o quanto esse personagem irá interferir na vida de Júlio: "O filme é sobre Júlio e Odilon acaba sendo um fator que vai contribuir para o amadurecimento e para o caminho do Júlio ao longo do filme. Uma das coisas que imaginamos é que o Júlio é um cara ordinário, é um dentista que tem suas características, fruto da sociedade. A ideia do filme é mostrar esse cara em transição, como todos nós que estamos em eterna transformação".

O intérprete de Júlio aproveitou para revelar o maior desafio do personagem. "O maior desafio dele tem a ver com amadurecimento, autoconhecimento, às vezes estacionamos em um lugar que acreditamos estar bom por ser cômodo e confortável, que você já entendeu tudo, já descobriu tudo. O filme fala sobre esse susto que ele toma da vida de falar: 'você não sabe de nada da vida e vai continuar sem saber'", contou.

"O filme tem um protagonista que descobre um pai que não sabia que tinha, para virar um homem que ele não sabia que era. É um pouco como olhar para trás para forjar um futuro. Como olhar o passado que ele não conhecia sobre ele mesmo através de um pai para dizer 'que pessoa eu vou ser a partir de agora? Existe em mim um DNA em mim que eu não sabia, como isso altera o curso da minha vida?'", completou Rafael.




As faixas do filme, trazem como temática a música popular brasileira (conhecida também como o brega), um dos gêneros admirados pelo diretor do longa. "A escolha do ritmo foi também um recorte para o filme, com músicas contemporâneas, mas ao mesmo tempo apontando para um certo gênero, como homenagem e não como paródia, com muito amor", disse ele.

As canções são os sucessos do personagem Odilon e foram compostas por Arnaldo Antunes e Odair José. "A junção deles como universo para fazer músicas que são feitas hoje em dia, pareceu uma ideia adequada", contou o diretor.

Para Leone, esta relação com os cantores influenciou diretamente na construção de seu personagem. "As músicas do filme são compostas pelo Odair José e Arnaldo Antunes, então elas têm em sua essência, tanto nas letras quanto na sonoridade a alma do Odair, que é um mestre do brega, então a minha maior inspiração foi ele, tanto pensando na caracterização quanto na voz, no timbre", afirmou o ator.

Ainda sobre este universo musical, Rafael Gomes revelou algumas inspirações que teve para a criação do pai de Júlio no filme: "O Odilon Ricardo é uma mistura de todos os cantores que fizeram sucesso na época, inclusive o Roberto Carlos, até mesmo Mick Jagger - todas essas estrelas da música populares nos anos 70".

Para Gomes, as canções, inclusive, foram o maior desafio na hora de montar o roteiro: "A maior dificuldade de fazer o filme foi o roteiro, chegar em uma história que comportasse as músicas. Foi muito tempo pensando qual é a função da música dentro da história, como elas entram, como se relacionam e então cheguei em uma conclusão".

Por fim, o diretor contou quais foram as inspirações de Meu Álbum de Amores. "Tem muito a ver com filmes de amor mais recentes, dos últimos 10 anos, como Ela e Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, porque é um filme musical mas também é um filme sobre amor. Ela por causa do abandono, por ele ser um personagem homem, branco, de classe média alta que termina uma relação e carrega muita dor, e o que ele vai fazer para curar essa dor", revelou.

O elenco de Meu Álbum de Amores ainda conta com Felipe Frazão, Carla Salle, Olívia Torres, Maria Luisa Mendonça, Laila Garin e Lorena Comparato. Ainda não há previsão de estreia do longa.

AdoroCinema
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