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Festival de Cannes 2017: Todd Haynes homenageia o cinema mudo na bela fábula infantil Sem Fôlego

Na coletiva, o diretor opinou sobre a polêmica envolvendo o streaming no cinema.

18 mai 2017
10h52
atualizado às 19h31
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Dois anos após levar o prêmio de melhor diretor,  Todd Haynes está de volta a Cannes. E vem forte para levar mais um troféu para casa.

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema



A imprensa mundial pôde conferir hoje pela manhã o novo trabalho do diretor, Sem Fôlego. Baseado no livro homônimo, o longa-metragem acompanha a jornada de dois garotos surdos, em épocas distintas, que percorrem Nova York em busca de pessoas desaparecidas. Entretanto, mais do que propriamente a história a ser contada, o que chamou a atenção foi a forma como foi adaptado o material original, como uma grande homenagem ao cinema mudo. Confira nossa crítica!



"O livro foi escrito em palavras e imagens, com o trecho da garota surda sendo contado apenas em imagens. Para o filme queria dar uma linguagem mais visual, de forma a criar um paralelo com a linguagem de sinais"

, comentou o autor e roteirista Brian Selznick, na coletiva de imprensa realizada após a sessão.

"Quando adaptei o livro busquei uma forma de tornar a história mais cinematográfica em relação às diferenças entre as crianças. Logo, uma foi contada sem som e em preto & branco, enquanto a outra tinha cores e som."

"O roteiro trazia uma ideia cinematográfica intensa, especialmente pela intercalação entre estas duas histórias e as diferenças de estilo existentes. Para um cineasta, era algo irresistível!"

, comentou o diretor.

"Tentei construir o filme como um grande mistério, com pistas ao longo da jornada. Mas, no fim das contas, a proposta formal é o grande mistério do filme."


Julianne Moore, caracterizada em "Sem Fôlego"

Questionada sobre o modo como se preparou para

Sem Fôlego

,  Julianne Moore revelou que teve que estudar diferentes tipos de linguagem.

"Como interpretava uma atriz da época do cinema mudo, tive que pesquisar como postar o corpo, as mãos, tudo! Aprendi muito sobre a linguagem da comunicação, seja ela falada ou vista. Foi um novo mundo que se abriu para mim."

Como

Sem Fôlego

foi produzido pela Amazon, Todd Haynes foi questionado sobre a recente polêmica em torno do Festival de Cannes e a Netflix, devido ao lançamento de novos filmes nos cinemas ao invés do streaming. O diretor rapidamente elogiou a postura da Amazon, que sempre lança seus filmes no circuito comercial para, meses depois, disponibilizá-los em VOD.



"A divisão de filmes da Amazon é formada por verdadeiros cineastas, que amam filmes e querem dar oportunidade a visões independentes para que encontrem seu espaço em um mercado desigual. Isto sempre foi sobre a experiência de ver um filme na tela grande, e acredito que a Amazon esteja comprometida com esta ideia"

, explicou.



Vale lembrar que o embate entre a Netflix,  debutante em Cannes neste ano, já gerou uma  mudança nas regras do festival para 2018 e uma  saia justa entre  Pedro Almodóvar e Will Smith, durante a coletiva de apresentação do júri deste ano.



Também estrelado por Michelle Williams,  Oakes Fegley e Millicent Simmonds,

Sem Fôlego

ainda não tem data de estreia nos cinemas brasileiros. A distribuição no país ficará a cargo da H2O Films.





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