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Festival de Brasília 2019: Loop e a controversa romantização do feminicídio

Filme estrelado por Bruno Gagliasso foi motivo de grande debate após exibição no Cine Brasília.

29 nov 2019
01h57
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Loop, dirigido por Bruno Bini e estrelado por Bruno Gagliasso, é um dos filmes de caráter mais comercial nesta edição do Festival de Brasília, tanto pela temática quanto pela presença de um ator global no elenco. O projeto também se destaca pelo fato de ser uma ficção científica sobre viagem no tempo e o primeiro longa-metragem mato-grossense selecionado para a Mostra Competitiva do evento.

Em meio a tantas conquistas, ninguém poderia imaginar que o filme acabaria se tornando o centro de um controverso debate no dia seguinte à sua estreia, que aconteceu na noite de quarta-feira (28). Na presença do diretor e de Branca Messina, intérprete de Simone, a irmã do protagonista, a atriz e diretora Ana Flávia Cavalcanti, que na mesma noite apresentou seu curta-metragem Rã, pediu a palavra para apontar o que ela considera grandes equívocos na obra de Bini.

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Para Cavalcanti, dentre os muitos problemas do filme está o fato de "romantizar o feminicídio". Antes de mais nada, é válido ressaltar que, no restante do texto, algumas passagens do longa serão citadas e podem conter spoilers.


Ana Flávia Cavalcanti durante debate sobre Loop.

Na trama, Daniel (Gagliasso) perde a namorada Maria Luiza (Bia Arantes) em um terrível assassinato. Para salvá-la, ele precisa descobrir a fórmula que torna possível viajar no tempo e impedir a tragédia. No terceiro ato, é revelado que, na verdade, foi o próprio Daniel quem a matou, e, diante da culpa, tenta retornar ao momento chave para reescrever a história. 

Por ser uma trama voltada unicamente para as motivações e dores do personagem de Gagliasso, e este ser um assassino em busca de redenção, Cavalcanti fez questão de ressaltar o quão problemático era tornar esse homem uma espécie de herói para quem o espectador inevitavelmente vai torcer.

Embora a discussão tenha sido acalorada, o saldo final foi positivo. Tanto Bini quanto Messina ressaltaram a importância de ouvir o público no sentido de promover problemáticas que, até então, não tinham sido identificadas pela equipe.


Bruno Bini responde aos questionamentos do público presente.

"Estou processando essa discussão como uma grande oportunidade. A mudança é urgente, a gente precisa se reinventar, então nada como esse momento pra gente exterminar essas estruturas racistas, machistas e misóginas que nos habitam", afirmou Messina. "É duro [ouvir as críticas], porque quando você faz um filme você dá tudo de si, não duvido que o Bruno deu o seu melhor, mas é urgente que ele transforme o melhor dele, como eu preciso transformar o meu", completou.

Bini também falou a respeito e seguiu com um discurso similar. "Eu acho os debates de festivais de cinema interessantes porque eles trazem visões diversas, a gente está aqui para se contaminar, absorver novas ideias, ouvir e ver como o público recebe isso", disse.

Loop é um dos concorrentes ao troféu Candango da Mostra Competitiva de Longas-Metragens. O premiado será anunciado no próximo sábado, no Cine Brasília.

AdoroCinema
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