1 evento ao vivo

Estudo revela que a participação das mulheres atrás das câmeras quase não mudou em 20 anos

Apenas 18% dos principais cargos cinematográficos foram desempenhados por mulheres em 2017.

11 jan 2018
15h07
  • separator
  • comentários

Dois dos filmes mais elogiados de 2017 foram dirigidos por mulheres: Mulher-Maravilha, de Patty Jenkins, maior bilheteria de um longa dirigido por uma cineasta na história; e o favorito ao Oscar, Lady Bird - A Hora de Voar, a aclamada estreia da atriz Greta Gerwig como realizadora. Além disso, o ano passado também trouxe os novos trabalhos de diretoras como Dee Rees (Mudbound), Kathryn Bigelow (Detroit em Rebelião) e Sofia Coppola (O Estranho que Nós Amamos), atual detentora do Prêmio de Melhor Direção do Festival de Cannes. No entanto, o bom rendimento feminino parece ser apenas uma vitória aparente: de acordo com um estudo anual que analisa a participação feminina atrás das câmeras, apenas 18% dos principais cargos das 250 maiores produções de 2017 foram exercidos por mulheres (via The Hollywood Reporter).

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Gerwig dirigindo Lady Bird.

O que agrava ainda mais a situação - especialmente em tempos de empoderamento feminino e onde as mulheres estão em alta em Hollywood por terem sido as protagonistas (e eleitas personalidades do ano pela Time) das denúncias que derrubaram grandes predadores sexuais como Harvey Weinstein e James Toback - é o fato de que apesar de todos os incentivos, a indústria cinematográfica continua afastando as mulheres como fazia há 20 anos. O percentual encontrado pela análise numérica da Celluloid Celling do ano passado é praticamente idêntico ao índice encontrado pelo mesmo estudo em 1998, quando foi divulgado pela primeira vez. No ano de obras como O Resgate do Soldado Ryan, O Grande Lebowski e Mulan, as mulheres só representaram 17% do total de diretores, produtores, roteiristas, montadores, etc.

"A indústria cinematográfica falhou completamente em resolver o contínuo sub-emprego das mulheres atrás das câmeras. Tal negligência produziu uma cultura tóxica que fundamentou os recentes escândalos sexuais e que dificulta as carreiras de tantas mulheres", escreveu a Dr. Martha Lauzen, responsável pelo estudo e diretora de um grupo que pesquisa a participação das mulheres nas telonas e na TV da Universidade de San Diego, na Califórnia. E ainda que o número de diretoras tenham subido 5% de 2016 para 2017, a pesquisadora confirmou que esta também é uma melhora aparente, uma vez que o percentual de participação atual de mulheres cineastas (11%) é igual ao de 2000: "2016 foi um ano terrível para as mulheres na direção. Porque menos mulheres dirigiram filmes em 2016, não é surpreendente encontrar este percentual de crescimento em 2017 porque isso faz parte da margem de erro normal destes números".


Dee Rees (à dir.) dirige Mary J. Blige no set de Mudbound.

Só quando o escopo do estudo é ampliado é que uma maior participação feminina pode ser encontrada: dentre as 500 maiores bilheterias de 2017, que incluem obras independentes e que foram realizadas fora do âmbito dos grandes estúdios de Hollywood, as mulheres ocuparam 21% - ou apenas 1/5 - dos cargos pesquisados. O que, de uma forma ou de outra, ainda continua sendo um número risível: metade da população dos Estados Unidos é constituída por mulheres. Na esfera dos blockbusters e dos longas das majors de Hollywood, o percentual de 21% supracitado cai 5 pontos, tornando a situação ainda mais desalentadora.

O que é interessante notar, por fim, é que quando mulheres ocupam cargos de direção, por exemplo, o número de profissionais do sexo feminino aumenta consideravelmente nas produções, principalmente na área dos roteiros.

AdoroCinema

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade
publicidade