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Elite: Critica da 2ª temporada

Evocando Segundas Intenções, a série espanhola da Netflix consegue manter o nível de intrigas e paixões que a consagrou.

6 set 2019
18h10
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Nota: 3,0/5,0

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Reforçando a lista de fenômenos da Netflix que chegaram de mansinho, Elite se tornou sucesso de popularidade, ajudando a colocar a Espanha no mapa da televisão mundial, ao lado de La Casa de Papel e (o ainda crescente sucesso de) Vis a Vis. Afinal, quem não ama um bom drama adolescente, com um toque de mistério? Os criadores Carlos Montero e Darío Madrona sabem que sua fórmula funciona e não tem medo de repeti-la na segunda temporada.

Dessa vez, a trama promove o retorno dos alunos para o colégio Las Encinas, tentando seguir em frente com suas vidas. Porém, a morte de Marina (Maria Pedraza) ainda está presente no grupo, principalmente em Guzman (Miguel Bernardeau) e Samuel (Itzán Escamilla). O primeiro sofre com a perda da irmã e usa métodos extremos para tentar superar a dor. Já o segundo está determinado a tirar Nano (Jaime Lorente) da cadeia; investigando Polo (Álvaro Rico) e Carla (Ester Expósito) de perto, para provar a inocência do maninho. Logo, não demora muito para um outro mistério surgir: um dos jovens desaparece e começa uma corrida contra o tempo para encontrá-lo vivo.

Em sua estrutura, a história segue a mesma. Flashbacks contam o que aconteceu, culminando numa série de suspeitos a cada episódio, interconectando os diferentes arcos — sejam eles românticos ou de suspense. O trunfo da segunda temporada é que não precisa mais perder tempo apresentando seus personagens ou usando cenas chocantes para chamar atenção do espectador. É possível aprofundá-los um pouco melhor, enquanto insere novidades no elenco e adiciona um bar como cenário para novas tretas. Ao mesmo tempo, a transição de assassinato para um desaparecimento gera mais tensão, já que não sabemos o que aconteceu com a vítima em questão; e o tempo que demora para tal caso ser solucionado também pode ser essencial no status da pessoa sumida.


Algo essencial para a repaginada dinâmica de Elite são seus três novos personagens; todos bem interessantes e afetando relações dentre os veteranos. Desde o início, Rebeca (Claudia Salas) chama a atenção por sua atitude divertida e moderna, apresentando um lado mais vulnerável ao longo da temporada; além de incentivar mudanças em Samuel e Nadia (Mina El Hammani). Já Valerio (Jorge Lopez) é aquele que traz o arco mais chocante da segunda temporada junto com Lucrecia (Danna Paola); mas é capaz de construir uma persona cativante, que foge do estereótipo de "menino problemático". Por fim, surge Cayetana (Georgina Amorós), a mais fraca dentre os novatos, ainda importante para o desenvolvimento da narrativa.

Sem falar que o trio consegue suprir a ausência de alguns rostos conhecidos que ficam sumidos; como Christian (Miguel Herrán) e Nano — provavelmente pelos compromissos de seus intérpretes com as filmagens de La Casa de Papel. Quando você altera ligeiramente a receita, é possível trazer sabor novo para um prato já estabelecido. E é esse o sentimento da segunda temporada de Elite. Os exageros e clichês ainda estão ali, bem firmes e fortes; principalmente em decisões (ou indecisões) estúpidas de certas pessoas. Ainda assim, existe algo mais intrigante nos recentes episódios, mesmo diante de uma trama irregular. É como acrescentar um clima Segundas Intenções para uma história já descrita, por alguns, como a mistura de Rebelde com Big Little Lies.


Os fãs antigos podem ficar tranquilos, pois casais adorados como Nadia/Guzman e Ander (Arón Piper)/Omar (Omar Ayuso) seguem roubando cenas; mas existem inesperadas alianças que acabam desenvolvendo outros personagens, tirando-os de suas zonas de conforto, mas não iremos explicá-los aqui para não dar spoilers. Basta dizer que, se Guzman foi quem mais evoluiu na primeira temporada; os episódios recentes dão destaque para desenvolvimentos de Carla, Ander, Valerio e Nadia (apesar de todo o elenco trabalhar em sintonia).

A prova da competência emocional da série aparece quando o espectador percebe sua conexão com aqueles retratados na tela, inclusive levando-o a compreender pessoas e conceitos que não deviam merecer nossa torcida, normalmente. Então, é bacana ver o texto trazendo um questionamento incômodo sobre segundas chances, moralidade e perdão; fugindo do caráter mais sensacionalista e superficial. Justamente como o andamento da história se torna humano, vale a pena esperar pela resolução simplista do mistério no final da temporada; sendo mais fácil de maratonar.

Para os fãs do gênero, Elite segue como um prato cheio de dramas, sensualidade e intrigas; capaz de mobilizar fãs pelo mundo afora. Mas sua grande vitória é saber construir uma segunda temporada útil, sem apenas "causar mais", para trazer consequências naturais aos trágicos acontecimentos de sua estreia. Nesse sentido, já é um avanço, em comparação a outras obras que falharam em manter interesse e relevância, como 13 Reasons Why.

AdoroCinema
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