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Doutor Sono: Mike Flanagan explica como o filme se conecta a O Iluminado de Stanley Kubrick

Uma homenagem tanto a Kubrick quanto a King.

8 nov 2019
16h46
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Stephen King já aprovou, mas o que será que Stanley Kubrick diria sobre Doutor Sono? Dificilmente saberíamos qual é a resposta para esta pergunta, mas o diretor Mike Flanagan, que comanda a sequência de O Iluminado que chegou aos cinemas nesta quinta-feira (07) tinha o objetivo de honrar o máximo possível as duas versões da história: a dos livros e a das telonas.

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

O cineasta concedeu uma entrevista ao SlashFilm e explicou como o filme protagonizado por Ewan McGregor e Rebecca Ferguson busca reunir os elementos de ambas as obras da forma mais orgânica possível — levando em consideração justamente que o próprio Stephen King não é exatamente muito fã do longa de 1980.

"Uma das coisas mais empolgantes para mim sobre este projeto era poder fazer o fim de O Iliminado, fazer o fim do romance", declarou, questionado sobre o processo de manter-se fiel a Kubrick ao mesmo tempo que apresentava a visão de King a milhões de pessoas pela primeira vez. "Mas eu não sei sei se eu colocaria tudo sobre as costas de Kubrick, se eu diria que ele entregou uma conclusão que era algo no estilo de 'estamos todos fadados'. Não sei se eu falaria do ponto de vista dele de forma tão definitiva. O que eu direi é que O Iluminado é muito sobre vício, que é condenação. É sobre aniquilação e a destruição de uma família. Como o vício pode destruir um indivíduo, e como essa destruição pode destruir outros ao redor. Acho que é sobre isso que King estava escrevendo, a princípio. Ele sempre tinha uma nota sobre redenção e sacrifício. Ele tinha um desejo a respeito de como as coisas deveriam seguir, e Kubrick estava mais interessado na loucura. Ele definitivamente estava mais interessado na destruição."

Protagonizado por McGregor como a versão adulta de Danny Torrance, a sequência se passa quarenta anos após o original e vai contar a história de Danny já na vida adulta. Depois de sofrer tantos traumas durante a infância, ele tenta superar o alcoolismo, enquanto usa seus poderes psíquicos para curar pacientes do hospital em que trabalha. Mas tudo muda quando uma jovem misteriosa (Kyliegh Curran), com habilidades especiais parecidas, cruza seu caminho.

"Acho que Doutor Sono, escrito pelo mesmo autor mas com décadas de sobriedade no currículo, é sobre recuperação", continuou o realizador. "De forma que o vício pareça destruição e aniquilação, enquanto a recuperação é o renascimento, a salvação. Há dois lados da mesma moeda nessas histórias. Kubrick girava mais em torno de algumas notas, enquanto Stephen King queria desesperadamente a redenção. Quando isso não foi incluído no filme, acho que ele levou para o lado pessoal, e eu entendo por quê. Mas eu torço para que tenhamos conseguido honrar Kubrick e a obra de arte que ele fez. Por mais liberdades que ele tenha tomado, ele fez um filme que foi essencial para a minha formação, e ele delineou a forma como eu enxergo o cinema. Essa era a expectativa. Não é sobre dizer quem estava certo ou quem estava errado, e sim sobre reunir e celebrar todos os elementos."

Em entrevista concedida à Entertainment Weekly, King contou que leu "o roteiro com muito, muito cuidado. Porque, obviamente, eu queria fazer um bom trabalho com a sequência, porque as pessoas conheciam o livro e eu não queria estragar as coisas. Eu gostei de todos os filmes de Mike Flanagan, e trabalhei com ele antes em Jogo Perigoso. Então, eu li o roteiro com muito cuidado e disse a mim mesmo que tudo do que eu não havia gostado da versão de Kubrick de O Iluminadoteve uma redenção aqui."

Doutor Sono já está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil. Leia a crítica. 

AdoroCinema
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