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Big Little Lies 2x03: Vergonha alheia, ursos polares e o fim do mundo

Leia nossa crítica de "The End of the World", com spoilers sobre a 2ª temporada de Big Little Lies.

24 jun 2019
00h32
atualizado em 27/6/2019 às 13h59
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Já dizia o dueto de Beyoncé e Lady Gaga: "A confiança é como um espelho, você pode consertar se quebrar. Mas vai continuar vendo a rachadura na p***a do reflexo."

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Depois de uma montanha-russa de revelações, Big Little Lies decidiu botar o pé no freio, a fim de reorganizar as peças de seu tabuleiro. Assim, acaba entregando seu episódio mais fraco, porém afunda suas protagonistas (ainda mais) numa espiral de desespero. Quem lidera tal jornada é Madeleine (Reese Witherspoon), devastada ao ver seu casamento por um fio. Por sua vez, Ed (Adam Scott) surge frio e sarcástico — até conversando e rindo com Bonnie (Zoë Kravitz), só para irritar a esposa e Nathan (James Tupper), tudo ao mesmo tempo. Devemos admitir, é uma boa jogada.

Logo, o público é apresentado para uma Madeleine com a qual não estamos acostumados. Ela não ostenta sua confiança e energia habitual; ao mesmo tempo que não tem coragem de investigar profundamente qual foi o motivo de seu caso. Para a terapeuta, nega problemas de autoestima e diz que o casamento dos pais era perfeito, mas confessa para Celeste (Nicole Kidman) como flagrou uma traição do pai quando era pequena. E quando tenta fingir que está tudo bem, acaba tendo um ataque nervoso numa reunião estudantil. Felizmente, Abgail (Kathryn Newton) tem um raro momento de maturidade e ajuda sua mãe a afogar suas mágoas, toda trabalhada no vinho.

Pausa só para dizer que o moço filmando o discurso de Madeleine com o celular nos representa na vida.

Já Jane (Shailene Woodley) lida com duas novas presenças em sua vida. Sem tato social ou empatia, Mary Louise (Meryl Streep) aparece em seu trabalho, pedindo um exame de DNA e refutando a versão da jovem sobre o estupro que sofreu por Perry (Alexander Skarsgård). Claramente, a senhora está em negação e defende amorosamente o filho, mas dói perceber como é comum ver vítimas de abuso serem vistas com dúvida e ódio por outras mulheres. A sogra de Celeste tenta um novo tipo de abordagem ao ver como Ziggy (Iain Armitage) é, realmente, parecido com seus próprios filhos, mostrando fotos de infância dos dois para Jane. Ela ainda tenta declarar como Perry era um menino bondoso e gentil, mas a jovem logo a corta: "Ele cresceu e não e tornou nenhuma das duas coisas".

Mary Louise tem diversas evidências diante dos olhos, mas só vê o que quer enxergar. E apesar de termos raiva ao vê-la atrapalhando a vida das Cinco de Monterey, é impossível não sentir um pouco de pena — ainda mais com a performance incrível de Meryl. Por sorte, Jane pôde encontrar uns momentos de paz em encontros românticos com Corey (Douglas Smith). Ela ainda vive com as cicatrizes do abuso de Perry, mas começa a dar passos para retomar sua vida. E mesmo sendo belo demais para ser 100% confiável, seu colega de trabalho parece ser um bom partido: está respeitando os limites de Jane e ficou ansioso em conhecer Ziggy, dando até aulas de surfe para o pequeno.

Sabe quem não está bem? Renata (Laura Dern). Não basta descobrir que o marido colocou a família na falência, precisa correr para o hospital pois a filha teve um ataque de ansiedade graças ao aquecimento global. Sim, isso é um arco real que existe em Big Little Lies. É algo completamente absurdo e desnecessário (isso sem citarmos a terapeuta infantil vestida de Little Bo Peep), mas que consegue se tornar bom entretenimento graças a atuação de Dern. Renata é dramática e exagerada ("Minha filha estava num coma!", repete ela umas quinze vezes); mas sua intérprete traz uma humanidade inegável. Sem falar que é incrível vê-la zoando o diretor da escola, o médico, o marido e até Mary Louise com o mesmo cinismo.


Correndo por fora, Bonnie teve poucos momentos, mas alguns flashbacks mostraram como sua mãe tinha métodos educativos pouco ortodoxos, digamos assim. Logo depois, revela para Jane como Nathan não sabe nada sobre seu passado. O que está escondendo? E que relacionamento complexo ela tem com água? Por fim, Celeste surgiu mais como um suporte para Madeleine, além de contemplar sua já tradicional sessão de terapia. Seu grande momento foi confrontar Mary Louise, que estava mexendo em seus remédios — deixando claro que os tomava por causa da dor que o marido a infligia. Só que, minutos depois, ela surge revendo vídeos do falecido, só assim encontrando prazer.

O grande problema é que "The End of the World" não teve nenhuma evolução significativa na história, somente veio para mostrar as rachaduras das fachadas perfeitas das protagonistas - que nós já sabemos que existem. Sem falar que foi tudo montado numa edição rápida, perdendo a sutileza que encanta em BLL. Além das pequenas ações de Jane, quem avançou foi somente Mary Louise, que parece estar juntando evidências para comprovar o assassinato do filho: a aproximação com Jane, investigar os remédios de Celeste, retomar a comunicação com a polícia. Vale lembrar que ela já fez contato com quatro das cinco envolvidas na morte, agora que falou com Renata. Só falta chegar em Bonnie, a mais fragilizada do grupo... Façam suas especulações sobre como isso pode acabar!

Melhor frase: "Serei rica de novo. Darei a volta por cima. Vou comprar um urso polar para cada criança dessa escola!" — Renata Klein, dando os melhores ataques da TV desde 2017.

Hinos do episódio: "Bluebird Of Happiness", de Mojave 3, quando Mary Louise avista Ziggy e Jane.

Número de gritos histéricos na temporada:

Considerações finais:
- Também surgiu um breve flashback mostrando como foram os minutos imediatos após a morte de Perry. Celeste se prontificou a assumir a culpa no lugar de Bonnie, mas Madeleine rapidamente surge com a ideia da mentira. É um acordo muito rápido, confuso e direto — algo que relembra o icônico momento quando os olhares do trio principal se encontram, percebendo o segredo de Perry, na finale passada.
- Pode rolar algo entre Bonnie e Ed, já que ambos estão num estado emocional que não os ajuda a tomar decisões completamente sensatas?
- Ziggy falando que os adultos mentem para proteger as crianças. Essa doeu.
- O diretor da escola de Monterey tem o pior emprego do mundo, mas vê-lo revoltado é muito hilário.


AdoroCinema
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