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American Gods: "Me orgulho da série não ter medo de explorar os limites", diz Ricky Whittle (Entrevista exclusiva)

Conversamos com o intérprete de Shadow Moon na grandiosa nova série do Amazon Prime.

18 jun 2017
09h20
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Ricky Whittle ganhou o carinho e a fidelidade do público quando deu vida a Lincoln na série The 100, da CW. Três temporadas depois, o britânico ganhou um novo desafio de presente: dar vida a um personagem que já existia há alguns (bons) anos na imaginação dos fãs, mais especificamente de um dos livros mais cultuados de um dos grandes autores da atualidade. E assim, o ator foi apresentado a Shadow Moon, e embarcou em um ambicioso projeto com Bryan Fuller, Michael Green e Neil Gaiman. Que time, hein?

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Muitos são os elementos que tornam American Gods um ponto tão unicamente distinto entre o mar de séries que existem em todos os canais imagináveis. Seja a diversidade do elenco ou a intensidade com que aborda cada um de seus muitos assuntos em uma grandiosa alegoria de deuses e adorações, a série tem todo o potencial para ser um grande expoente sócio-político, e talvez já seja a ficção mais relevante na TV neste sentido.

E em meio a tantos personagens incríveis (no sentido mais literal da palavra), Shadow Moon é um homem mortal, que acabou de sair da cadeia e sabe fazer truques com uma moeda. Tudo o que ele deseja é voltar para a esposa, Laura (Emily Browning), mas acaba no epicentro de uma guerra entre novos deuses e deuses antigos. Ele não sabe exatamente o que está acontecendo com sua própria vida, mas nós tentamos chegar na raiz da questão.

O AdoroCinema conversou com Ricky Whittle e ouviu o que o ator tinha a dizer sobre o personagem, sua relação com Mr. Wednesday (Ian McShane) e Laura, as percepções políticas de American Gods e a importância de dar espaço para temas sensíveis na teleficção.

Onde você encontrou a inspiração para construir este personagem? Você já conhecia o livro antes de fazer a série?

Não conhecia Neil Gaiman, "Deuses Americanos" ou Shadow Moon, até os fãs do livro sugerirem meu nome para interpretar o personagem. Os produtores da série e do canal buscaram nas redes sociais pelo ator que os fãs queriam para fazer Shadow e, por sorte, chegaram no meu nome e me enviaram o projeto. Então, conversei com meu agente sobre isso e me colocaram no processo de seleção de elenco. Se não fosse pelos fãs, não conheceria esta série, então sou muito grato a eles. Foi aí que comecei a querer ler o livro. Nas minhas primeiras audições, não sabia muito sobre Shadow. Foi como fazer uma cinebiografia. Este personagem já existe há mais de 16 anos e eu queria entender quem ele era. Li opiniões dos fãs na internet, em blogs e coisas assim. Mas Michael Green e Bryan Fuller me impediram de ler o livro. Eles queriam que eu trouxesse mais carisma, ansiedade e medo para o meu personagem para torná-lo mais real na adaptação. Não terminei de ler o livro até terminarmos as gravações.

Especialmente na primeira temporada, Shadow passa por muitas coisas insanas e tudo é muito novo para ele, assim como é para você. Você recebeu alguma dica de Bryan Fuller ou Neil Gaiman para construir o personagem ou começou do zero?

Tenho uma grande responsabilidade de dar aos fãs do livro o Shadow que eles conhecem há tantos anos. Comecei com isso como base e estudei cada sequência conforme as interpretava, para fazê-lo ser real. Shadow é rodeado por esses personagens fantásticos, loucos e divinos como Mr. Wednesday, Mad Sweeney, Laura… E Shadow é o homem comum. Ele é o protagonista da série, nós seguimos a trama através de sua perspectiva, então eu tenho a responsabilidade de interpretar o personagem comum. Foi isso que trabalhei com Bryan, Michael e Neil quando ele veio ao set. Nós queríamos que ele fosse realista para que o público pudesse se identificar com ele.


Shadow e Laura Moon

Acho que a relação entre Shadow e Laura é muito interessante. Como você vê isso? E em que ponto eles estão nessa louca relação no momento?

É muito interessante porque Shadow só começa a viver quando ela morre. Apesar de amar Shadow, ela não dava valor ao que eles tinham até morrer. E foi ele quem literalmente a reviveu. Ele é a razão de ela estar viva. Shadow ainda não se acostumou com isso [...] As circunstâncias em que ela morreu e o fato de ela ter um caso com seu melhor amigo destruíram a imagem que Shadow tinha de sua mulher [...] Agora, o jogo virou. No momento, ela o ama mais do que ele a ama porque Shadow está com o coração partido. Eles têm um futuro juntos? Não sei. Sei que é isso que o público quer, mas Laura vai ter que se esforçar para reconquistar o coração de Shadow. Ele está com o coração partido, mas no fim das contas, ela é o amor de sua vida. Sei que os fãs querem que eles fiquem juntos e acham que ela o merece, então acho que essa será uma história que Michael e Bryan terão que descobrir juntos ao lado de Neil Gaiman.

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E quanto ao Mr. Wednesday? Você acha que Shadow confia nele ou não?

Ele definitivamente não confia no Mr. Wednesday. Acho que Shadow não confia em ninguém e acho que é por isso que ele está sempre na defensiva. Ele não acredita na magia, não acredita nos deuses, não acredita em nada do que está acontecendo, não acredita no que está vendo. A jornada de Shadow nessa primeira temporada foi a jornada de um crente. Ele não sabe se o que está vendo é real ou não. Ele é louco ou não? Então, o seu dilema é tentar acreditar no que está acontecendo ao seu redor. Mr. Wednesday é um desses elementos nos quais não acredita. Ele fala muito, mas fala sobre coisas loucas e impossíveis. Shadow vê Mr. Wednesday como um velho senil e Mr. Wednesday precisa continuar tentando convencer Shadow a acreditar.

Nesta temporada, vocês exploram aproximadamente um terço do livro, certo?

Um quinto.

Então vocês tem muito material pela frente.

Sim, só vimos uma pequena parte do livro.

Qual é a importância política da série? A trama explora questões como racismo, a religião e o sexismo. Como você vê essas questões e como elas te afetam enquanto ator?

Tenho muito orgulho de participar de séries que não têm medo de explorar os limites, que são inovadoras. São histórias e temas que precisam ser abordados, que precisam estar nas manchetes. Temos a inovadora e controversa cena com os dois personagens muçulmanos gays. É uma história muito bonita contada por dois atores incríveis, que a interpretaram de uma forma muito bela. Essa é uma história real que precisa ser contada ao redor do mundo, que pode inspirar as pessoas ao redor do mundo através de modelos com os quais podem se identificar, personagens que podem admirar. Isso é muito positivo. As pessoas se sentem muito solitárias hoje em dia porque não se sentem representadas, e a nossa série representa os gays, as mulheres, os credos religiosos, os imigrantes. A mensagem de nossa série é que as pessoas podem acreditar no que quiserem. Em suas jornadas pessoais, cada um tem suas dificuldades e suas personalidades, mas não importa no que eles acreditam — desde que acreditem isso [...] É empolgante ter uma série como essa no clima político em que nos encontramos. American Gods não é só entretenimento, também é uma série educativa que conta histórias muito importantes, que faz com que as pessoas estejam cientes das coisas que acontecem no mundo.

Qual foi a cena mais difícil para você nessa temporada?

AdoroCinema

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