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Bloco com usuários de drogas desfila nas ruas da Cracolândia

5 fev 2016
17h55
atualizado às 18h18
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O Blocolândia desfilou na tarde de hoje (5) no entorno da Estação Júlio Prestes, região central da capital paulista. O grupo reúne usuários de drogas e trabalhadores dos serviços de saúde, assistência social e organizações não governamentais que atuam na área conhecida como Cracolândia. O cortejo saiu da Rua Hélvetia no ponto onde está sediado o Programa Recomeço, do governo estadual, e o De Braços Abertos, da prefeitura, ambos voltados ao atendimento de dependentes químicos.

Blocolândia, carnaval da integração
Blocolândia, carnaval da integração
Foto: Agência Brasil

Os foliões foram animados pela Bateria Coração Valente, formada por participantes do Programa Recomeço. “Eu prefiro ficar aqui, para não ficar usando drogas e bebendo. Evito ficar ali no fluxo”, contou Welington Marciano, um dos membros da bateria. “A gente não sabia nem tocar e hoje podemos fazer esse evento”, disse com orgulho.

Este foi o segundo ano em que o Blocolândia saiu às ruas, uma iniciativa sem apoio institucional, idealizada pelos trabalhadores que lidam diretamente com os usuários de drogas. Educador do Projeto Oficinas, Raphael Escobar explica que, apesar de a organização ser feita pelos grupos que atuam na região, o protagonismo é dos usuários. “Eles vão dando o tom e a gente está aqui articulando para as coisas funcionarem”, enfatiza.

“No carnaval pode tudo. Tem o artista. Tem o pintor. A rua vira uma festa. E até a dor fica pra depois”, dizia uma das marchinhas escritas em parceria entre os trabalhadores e frequentadores da Cracolândia. Pelas esquinas, muitos largavam os cachimbos com a droga e acompanhavam o ritmo batucando em latas ou garrafas de plástico.

Para a coordenadora pedagógica do Projeto Oficinas, que promove educação em direitos humanos, Laura Shdaior, a festa é uma oportunidade de unir as diversas iniciativas que acontecem na região. “O Carnaval é uma ótima alternativa para juntar essa rede e deixar o usuário aparecer de uma forma que não seja como doente ou marginalizado”, ressaltou.

Participante do programa De Braços Abertos, que integra usuários a frentes de trabalho, Paulo Sérgio da Silva tirou o uniforme para aproveitar o bloco. Com a roupa de serviço guardada em uma sacola plástica, ele dançava e cantava no ritmo da bateria. “Se não fosse eles, o pessoal aqui não brincava”, disse sobre a importância da iniciativa.

Além de uma opção de diversão, Cícero Rodrigues, conhecido como Índio Badarós, acredita que o bloco é uma forma de passar uma mensagem para o restante da comunidade. “Queremos paz. Brincar em paz e não provocar jamais”, disse. Usuário de crack e morador da Cracolândia, Rodrigues é um artista conhecido pelo trabalho como pintor.

Agência Brasil Agência Brasil
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