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Quadro recordista de Da Vinci vai para Louvre de Abu Dhabi

"Salvator Mundi", leiloado por 450 milhões de dólares, é uma das últimas obras do mestre renascentista italiano ainda existentes

7 dez 2017
13h36
atualizado às 14h18
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O quadro de Leonardo da Vinci Salvator Mundi, recentemente arrematado em leilão pelo valor recorde de 450 milhões de dólares, seguirá para o Museu do Louvre em Abu Dhabi, informou na quarta-feira (6) a direção do museu recém-inaugurado na capital dos Emirados Árabes Unidos (UEA)

A obra foi leiloada no mês passado pela casa Christie's em nome do bilionário russo Dmitry Rybolovlev, dono do clube de futebol Mônaco. O comprador anônimo, segundo o jornal americano The New York Times , seria o príncipe saudita Bader bin Abdullah bin Mohammed bin Farhan al-Saud.

A pintura "Salvator Mundi", datada de cerca de 1500, retrata Jesus Cristo em trajes renascentistas
A pintura "Salvator Mundi", datada de cerca de 1500, retrata Jesus Cristo em trajes renascentistas
Foto: DW / Deutsche Welle

Salvator Mundi é um dos últimos quadros ainda existentes do mestre renascentista - estima-se que sejam menos de 20 - e o único que estava em mãos particulares.

A pintura, datada de cerca de 1500, retrata Jesus Cristo em trajes renascentistas. A mão direita da imagem está erguida num gesto semelhante a uma benção, enquanto a esquerda segura uma esfera de cristal.

A obra pertencia ao rei Carlos 1º da Inglaterra em meados de 1600. Há rumores de que Da Vinci pintou Salvator Mundi para a família real francesa e que o quadro foi levado à Inglaterra pela rainha Henrietta Maria, quando ela se casou com o rei Carlos 1º em 1625.

O quadro foi leiloado pelo filho do duque de Buckingham em 1763. Depois disso, desapareceu completamente até 1900, quando ressurgiu e foi adquirido por um colecionador britânico. Na época, estimava-se que a obra tinha sido executada por um discípulo de Da Vinci, e não pelo próprio mestre. Consequentemente, a pintura foi vendida novamente em 1958 por apenas 60 dólares.

Desde que ressurgiu, Salvator Mundi foi exposto na Galeria Nacional em Londres e nos salões de exposições da Christie's em todo o mundo.

Em 2005, a obra foi adquirida, seriamente danificada e parcialmente pintada, por um consórcio de comerciantes de arte que pagou menos de 10 mil dólares. Estes comerciantes restauraram amplamente a pintura e documentaram a sua autenticidade como sendo uma obra de Da Vinci. Salvator Mundi é considerada a mais importante redescoberta artística deste século.

Recentemente, o quadro esteve no centro de um processo judicial lançado por Rybolovlev, que acusou o vendedor de arte suíço Yves Bouvier de superfaturar uma série de negociações de obras de arte. Bouvier comprou Salvator Mundi na casa de leilão Sotheby's por 80 milhões de dólares em 2013. Dentro de poucos dias, revendeu para o magnata russo por 127,5 milhões de dólares e alcançou um lucro de 47,5 milhões de dólares. Bouvier negou qualquer irregularidade.

Antes do leilão do Salvator Mundi na Christie's, o valor mais alto atingido por uma obra de arte era de 300 milhões de dólares pagos pelo quadro Interchange, do artista Willem de Kooning.

RC/ap/lusa

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