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Pesquisadores fazem 1º mapa do DNA de habitante de Pompeia

26 mai 2022 13h50
| atualizado às 14h41
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Pesquisadores italianos mapearam pela primeira vez o DNA de um morador de Pompeia, antiga cidade romana devastada por uma erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C.

Corpos petrificados encontrados no sítio arqueológico de Pompeia, sul da Itália
Corpos petrificados encontrados no sítio arqueológico de Pompeia, sul da Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O trabalho foi coordenado por Gabriele Scorrano, professor de genética das universidades de Copenhague, na Dinamarca, e Tor Vergata, em Roma, em colaboração com Serena Viva, pesquisadora da Universidade de Salento, em Lecce.

O estudo foi publicado na revista Scientific Reports e também teve a participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade da Califórnia.

Os pesquisadores analisaram os restos mortais de dois indivíduos encontrados petrificados em uma antiga casa de Pompeia: um homem entre 35 e 40 anos de idade e uma mulher de mais de 50 anos.

"Seu estado de conservação era ótimo, não devem ter entrado em contato com temperaturas muito elevadas", afirmou Scorrano à ANSA. "Já o DNA estava muito degradado, mas conseguimos extrai-lo", acrescentou.

O pesquisador acredita que as cinzas vulcânicas que circundavam os dois indivíduos criaram um ambiente sem oxigênio, gás que catalisa reações de decomposição. Apesar disso, não foi possível analisar o material genético da mulher, apenas o do homem.

No esqueleto do indivíduo, foram identificadas lesões em uma das vértebras, e o mapeamento de seu DNA revelou sequências genéticas similares à da bactéria causadora da tuberculose, sugerindo que ele provavelmente sofria de mal de Pott, uma tuberculosa óssea endêmica no Império Romano.

"As informações genéticas não permitem descrever o homem fisicamente, mas podem fornecer elementos científicos úteis para compreender os níveis de diversidade genética na Itália naquela época", afirmou Scorrano.

Análises comparativas do DNA do homem apontam elementos similares aos materiais genéticos de antigos habitantes da Itália Central (Pompeia fica no sul da península), enquanto o estudo do DNA mitocondrial e do cromossomo Y permitiram identificar grupos de genes encontrados na ilha da Sardenha.

Até esse trabalho, pesquisadores tinham conseguido analisar apenas o DNA mitocondrial - ou seja, que não estava no núcleo das células - tirado de seres humanos e animais mortos em Pompeia.

A pesquisa abre caminho para fazer um mapa genético da cidade, que hoje é uma das atrações turísticas mais visitadas da Itália, com escavações e restaurações que continuam quase ininterruptamente.

Ansa - Brasil   
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