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Exposição em SP aborda as migrações do século 21

Mostra entra em cartaz em 12 de novembro, revelando como o deslocamento humano contemporâneo é atravessado pela questão da língua.

20 nov 2021 06h00
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A exposição tem como um de seus núcleos principais a experiência de imigrantes
A exposição tem como um de seus núcleos principais a experiência de imigrantes
Foto: Museu da Língua Portuguesa / Divulgação

A migração como um direito humano é a premissa da nova exposição temporária realizada pelo Museu da Língua Portuguesa. Com curadoria de Isa Grinspum Ferraz, “Sonhei em português!” tematiza uma das grandes questões sociais do século 21, revelando como tal experiência é atravessada pela questão da língua.

A mostra entrou em cartaz no dia 12 de novembro na sede do museu, localizado na Estação da Luz, em São Paulo, tradicional ponto de partida e chegada de migrantes no coração do bairro do Bom Retiro, que também tem todo o seu povoamento baseado na imigração.  

A exposição tem como um de seus núcleos principais a experiência de imigrantes de várias nacionalidades em São Paulo – uma cidade cuja história e cujo presente são indissociáveis da imigração.  O título da mostra vem de um dos depoimentos exibidos e alude ao momento simbólico em que o imigrante concretiza sua ligação pessoal com a terra que o recebeu. “

As línguas são diferentes porque refletem ideias, valores, conhecimentos e visões do universo também diferentes entre si. Cada língua é uma visão do cosmo, com seus provérbios, suas sonoridades, seus ritmos e sua poética própria. Cada uma delas organiza a seu modo a experiência do mundo”, explica a curadora Isa Grinspum Ferraz.  

Logo na entrada da exposição, os visitantes serão recebidos na sala Migrantes do século 21, em um ambiente que tematiza as pessoas e as línguas em trânsito. Por meio de instalações visuais e sonoras, o público terá o impacto de se perceber em um mundo no qual cabem diversos universos, expressos pela variedade de idiomas em uso. A sala tem como destaque uma vitrine em que “flutuam” letras e caracteres de alfabetos de várias línguas, como árabe, coreano, chinês, hebraico e cirílico.  

O ambiente é preenchido por cantos em vários idiomas, em diferentes ritmos e sonoridades, reunidos pela cantora e pesquisadora Fortuna, em uma trilha sonora pensada especialmente para a exposição. Nas paredes, uma instalação visual concebida por Solange Farkas, da Associação Cultural Videobrasil, apresenta trechos de filmes e retratos de imigrantes em várias partes do mundo, enquanto uma grande tapeçaria do artista Edmar de Almeida alude às bandeiras como símbolos nacionais. Na proposta da exposição, elas estão entrelaçadas.

Ainda nesta sala duas obras inéditas: textos poéticos que falam sobre o partir, em instalação criada pelo Coletivo Bijari, e um grande mapa mundial em que são projetados os fluxos migratórios contemporâneos realizada pelo Estúdio Laborg.  

Tanto mar é o título da segunda sala da mostra. A maior galeria do espaço expositivo será totalmente ocupada pela instalação inédita "Travessia", criada pelo artista Leandro Lima. Especialmente comissionada para a exposição, esta grande obra cinética, feita de luzes, sons e movimentos, evoca em uma experiência sensorial a travessia de um oceano, com seu mistério.    

Terminada essa “jornada”, o visitante chega à sala Para esta cidade, dedicada à complexa vivência dos imigrantes que se estabeleceram na cidade de São Paulo. Doze vitrines apresentam objetos que tematizam de forma poética a experiência migratória. Articuladas a vídeos criados pelo documentarista Marco Del Fiol, no qual imigrantes de várias nacionalidades contam suas histórias sobre os países de origem e o Brasil, falam também sobre sua relação com a língua portuguesa.

Ainda nesta sala, em um mini auditório, serão exibidos seleção de vídeos que problematizam a imigração do século XXI, com curadoria de Solange Farkas também a partir do acervo do Videobrasil. Uma instalação com animações de dois poemas de Augusto de Campos, “SOS” e “sol de maiakóvski”, lidos pelo próprio poeta, encerra a exposição. “Gente é para brilhar”, diz o poeta.

Na saída da mostra, na sala Do Brasil para, há monitores que apresentam depoimentos de brasileiros que vivem em outros países, como o Japão, a Austrália e os Estados Unidos. Eles falam de suas experiências como imigrantes em outras terras, destacando as questões linguísticas implicadas nesse trânsito, além de abordar o desejo ou a necessidade de migrar, o “estar” migrante e a saudade do Brasil.    

Ao abordar a imigração do século XXI, Sonhei em português! faz um importante complemento ao que o Museu da Língua Portuguesa apresenta em sua exposição principal, uma abordagem histórica dos fluxos migratórios anteriores na construção do português falado no Brasil. 

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