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Andrea Bocelli admite que violou quarentena na Itália

Tenor participou de debate organizado pela extrema direita

27 jul 2020
09h59
atualizado às 10h11
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O tenor Andrea Bocelli admitiu nesta segunda-feira (27) que violou a proibição de sair de casa durante o lockdown imposto na Itália para conter a pandemia do coronavírus Sars-CoV-2.

Andrea Bocelli durante apresentação na Catedral de Milão, em abril
Andrea Bocelli durante apresentação na Catedral de Milão, em abril
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O astro participou de um debate sobre a crise sanitária organizado pelo senador Armando Siri, do partido de extrema direita Liga, e pelo deputado conservador Vittorio Sgarbi, que não pertence a nenhuma legenda.

O evento também teve a presença do líder da oposição na Itália e secretário federal da Liga, senador Matteo Salvini. "Aceitei esse convite, mas sou distante da política. Durante o lockdown, tentei me identificar com quem tinha de tomar decisões difíceis, mas depois as coisas não andaram bem. Conforme o tempo foi passando, não conheci ninguém que tivesse ido para a UTI, então por que essa gravidade?", disse Bocelli.

Segundo o tenor, ele se sentiu "humilhado e ofendido" pela proibição de sair de casa - durante a quarentena, que vigorou em âmbito nacional de 10 de março até o início de maio, as pessoas só podiam sair na rua por motivos essenciais, como por razões de saúde ou para comprar comida.

"Admito que violei a proibição", acrescentou Bocelli, que ainda lançou um apelo pela reabertura das escolas italianas, que encerraram o ano letivo, em junho, com aulas a distância, mas voltarão a receber os estudantes a partir de 14 de setembro, quando começa o próximo período.

"Espero que todos juntos saiamos dessa situação terrível", declarou o tenor, que teve Covid-19 e até doou plasma sanguíneo para uma pesquisa.

Negacionismo

O debate foi marcado pelo tom negacionista em relação à pandemia, que já infectou cerca de 246 mil pessoas na Itália e deixou mais de 35 mil mortos, sem contar a subnotificação.

O deputado Sgarbi chegou a citar um suposto relatório do governo da Alemanha que diz que o novo coronavírus é um "alarme falso global" - o documento, na verdade, reflete apenas a opinião de um único funcionário do Ministério do Interior e não é oficial - e a afirmar que "não é verdade" falar que o Brasil vive uma emergência - o país teve entre 19 e 25 de julho a pior semana desde o início da pandemia, com 319,4 mil casos e 7,7 mil óbitos em apenas sete dias.

Além disso, Sgarbi declarou que a Itália não tem mortos pelo novo coronavírus "há dois meses", sendo que, nesse período, o país registrou pelo menos 2,3 mil óbitos. Já o senador Siri disse que houve "um pouco de exagero na narrativa sobre o vírus" e que a "realidade dolorosa" vivida pelas áreas mais atingidas, como a província de Bergamo, "não podia justificar ansiedade e angústia excessivas".

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