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Testes rápidos acabam em pelo menos 8 postos de saúde de SP

Levantamento da Agência Mural mostra dificuldade em conseguir exames; escassez de testes também atinge outras cidades da região metropolitana

24 jan 2022 16h37
| atualizado em 28/1/2022 às 14h56
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Pelo menos oito unidades de saúde da capital paulista estão sem testes rápidos para a Covid-19. É o que aponta um levantamento feito pela Agência Mural em UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) e AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) das quatro regiões da cidade de São Paulo entre terça (18) e sexta-feira (21).

Com resultado em até 15 minutos, os testes rápidos de antígeno foram distribuídos nas unidades de saúde municipais no dia 5 de janeiro. A ideia era acelerar os diagnósticos da doença e interromper a cadeia de transmissão em meio ao aumento de casos de coronavírus na cidade.

Duas semanas depois de receberem os exames, no entanto, AMAs e UPAs já estão com os estoques vazios. Na zona sul, a subprefeitura do Campo Limpo tem dois endereços sem o teste, a AMA Pirajussara e a UPA Campo Limpo. Nas duas unidades apenas o teste RT-PCR, que leva de três a cinco dias para ficar pronto, está disponível.

A manicure Noelia Rosa de Araújo, 49, mora na Favela do Pullmann, na Vila Andrade, e procurou um dos postos depois que a irmã foi infectada. Sem conseguir fazer o teste rápido pelo atendimento gratuito, acabou gastando R$100 numa drogaria. "Acabei tendo que ir na farmácia e pagar [por um teste]. Como é que eu ia atender as clientes sem saber se eu tava com a Covid ou não?"

Noelia, a irmã e outros três parentes testaram positivo e estão com Covid. Todos buscaram unidades de saúde na região e não conseguiram ser atendidos. "Minha irmã foi em dois postos e eles não fizeram teste", comenta.

Ainda na zona sul, a UPA Pedreira, em Interlagos, também está sem testes rápidos. Por lá, o exame RT-PCR leva cinco dias para ficar pronto, segundo uma funcionária do local.

AMA Jardim das Laranjeiras, na zona leste restrições para a testagem de pacientes @Nathália Nunes/Agência Mural
AMA Jardim das Laranjeiras, na zona leste restrições para a testagem de pacientes @Nathália Nunes/Agência Mural
Foto: Agência Mural

Na zona leste, a AMA Guaianases é outra com estoques vazios. Postos da região que ainda contam com algumas unidades do exame, como a UPA 26 de Agosto, em Itaquera, e a AMA Jardim das Laranjeiras, no bairro de mesmo nome, fizeram restrições para a testagem de pacientes, seguindo uma orientação da prefeitura.

Por causa da escassez de material, desde a semana passada, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) tem indicado que apenas pacientes do grupo de risco, como gestantes e não-vacinados, ou aqueles com dois ou mais sintomas sejam testados. Apesar disso, a reportagem ouviu relatos de sintomáticos que não foram examinados.

É o caso da analista Larissa Ribeiro, 22. Com dor de garganta e tosse, ela procurou a AMA Jardim das Laranjeiras depois que um colega de trabalho foi infectado. "Simplesmente falaram que não tinha como fazer porque eu aparentemente estava bem. Me orientaram a ficar em casa até o dia 20 (quinta-feira)."

A UPA Jaçanã e a AMA/UBS Wamberto Dias da Costa, na zona norte, e a UPA Pirituba e AMA City Jaraguá, na zona oeste, completam a lista de unidades sem exames de antígeno.

Unidades sem testes na capital

RegiãoBairroUnidade
Zona sulInterlagosUPA Pedreira
Zona sulPirajussaraAMA Pirajussara
Zona sulCampo LimpoUPA Hosp. Campo Limpo
Zona norteJaçanãUPA Jaçanã
Zona norteTremembéAMA/UBS Wamberto Dias da Costa
Zona oestePiritubaUPA Pirituba
Zona oesteJaraguáAMA City Jaraguá
Zona lesteGuaianasesAMA Guaianases

Em entrevista à Agência Mural na última sexta-feira (21), o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, confirmou o problema e disse que os estoques de toda a rede estão praticamente zerados. "Temos muito pouco [teste], quase nada."

Segundo ele, a prefeitura negocia a compra de um lote com 1 milhão de testes rápidos para abastecer a rede a partir de quarta-feira (26). Enquanto isso, os postos continuarão oferecendo testes RT-PCR para a população.

No dia 17 de janeiro, Aparecido já havia anunciado que a cidade só tinha testes para 15 dias, mas o desabastecimento começou antes deste prazo.

Para Wallace Casaca, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e coordenador da plataforma Infotracker, que mede a velocidade de transmissão da doença em São Paulo, a falta de exames prejudica o controle da pandemia.

"Se a gente quiser ter algum sucesso em conter o avanço tão explosivo dessa variante, nós vamos precisar de mais insumos, de autotestes e da ampliação da capacidade de processamento dos nossos laboratórios."

Wallace Casaca

A cidade de São Paulo vive um crescimento acelerado de casos desde dezembro do ano passado. Atualmente, a taxa de transmissão do coronavírus (chamada de Rt) está em 1,71 na capital. Isso significa que cada 100 pessoas infectadas estão transmitindo a doença para outros 171 paulistanos.

Especialistas consideram que a pandemia está sob controle quando o índice que mede a velocidade de transmissão fica abaixo de 1.

 

Situação em outras cidades

Na região metropolitana, as cidades de Poá, Guarulhos, Suzano e Mogi das Cruzes também enfrentam escassez do exame em alguns postos.

Em Guarulhos, as UBSs São Rafael e Belvedere, localizadas nos bairros Parque São Rafael e Parque Primavera, oferecem somente testes RT-PCR, que levam de sete a dez dias úteis para ficarem prontos.

Uma moradora que preferiu não se identificar lamentou a situação. "Não temos teste rápido, não temos médico, e nas farmácias os preços são absurdos. Me sinto impotente por não saber se estou ou não com Covid, como eu vou procurar ajuda assim?". A Prefeitura de Guarulhos não respondeu o pedido de nota da reportagem.

Em Guarulhos, resultados de testes RT-PCR têm até dez dias úteis de espera @Rovena Rosa/Agência Brasil
Em Guarulhos, resultados de testes RT-PCR têm até dez dias úteis de espera @Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Agência Mural

Em Poá, funcionários das unidades de saúde afirmam que o problema da falta de testes rápidos acontece desde o ano passado. Nas unidades de ESF's (Estratégias de Saúde da Família) do Jardim São José, Vila Varela, Jardim Julieta e Jardim Emília, não há mais estoques do exame e a população é testada com o RT-PCR.

Os pacientes são submetidos ao RT-PCR depois de passarem por uma avaliação médica e o resultado é enviado por e-mail em cinco dias. A única exceção é no ESF Vila Varela, onde a indicação de testagem é imediata para pacientes que cheguem ao local com febre. A Agência Mural também contatou a unidade do bairro Cidade Kemel, mas não obteve retorno.

Em nota, a Prefeitura de Poá diz que a partir de segunda-feira (24), os testes serão realizados em todos os postos de Saúde (UBS's e ESF's) e que qualquer morador pode ser atendido, sem prioridade para grupos específicos.

No Alto Tietê, a escassez de testes leva moradores a procurarem o exame em mais de uma cidade. Lisbela Regina Diogo Rodrigues, 67, por exemplo, foi até a UPA Rodeio, no município de Mogi das Cruzes, quando sentiu tosse, dor de garganta e febre.

Como não realizaram nenhum exame, ela procurou a Santa Casa de Suzano, cidade vizinha de Mogi, mas também ficou sem teste. "A médica não pediu nenhum exame, receitou remédio para gripe e só. Isso mesmo depois de eu ter falado que tive contato com quem teve Covid", relata.

Unidades sem testes na Grande São Paulo

CidadeBairroUnidade
GuarulhosParque São RafaelUBS São Rafael
GuarulhosParque PrimaveraUBS Belvedere
PoáJardim São JoséESF Jardim São José
PoáJardim JulietaESF Jardim Julieta
PoáJardim EmiliaESF Jardim Emília
PoáVila VarelaESF Vila Varela
SuzanoVila FigueiraSanta Casa de Suzano
Mogi das CruzesRodeioUPA Rodeio

Em nota, a Secretaria de Saúde de Suzano informou que os exames RT-PCR são oferecidos em todos os postos da cidade. O resultado é obtido em até dez dias. Segundo o órgão, os testes rápidos são realizados a partir de solicitação médica e o resultado sai na hora.

A Prefeitura de Mogi das Cruzes também respondeu que o teste RT-PCR está disponível na rede municipal, somente para casos indicados pelo médico assistente. A coleta é feita por meio do swab nasal (cotonetes colocados no nariz) e o resultado sai em até 15 minutos. "Não há testagem indiscriminada e/ou em demanda livre neste momento", diz a nota.

Agência Mural
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