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Exposição reúne acervo de patrimônios periféricos no Recife

Aberta ao público desde terça-feira (30), exposição está em cartaz no Museu Paço do Frevo e busca fomentar economia criativa

6 dez 2021 10h00
| atualizado às 15h22
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Foto: Rennan Peixe / Divulgação

Um pequeno acervo da pluralidade cultural dos territórios descentralizados do Recife encontra-se na exposição “Patrimônios Periféricos” - aberta ao público desde a última terça-feira (30).

A mostra, que está abrigada no Paço do Frevo, região central da capital pernambucana, é fruto de diversas ações do projeto “Paço Criativo”, desenvolvida pelo equipamento ao longo do ano e que envolveu oficinas de Mobiliário e Expografia, Criação e Produção Audiovisual e Iluminação Cênica e de Exposições, que formaram jovens para atuar na montagem da mostra.

Coordenada pelo designer Arthur Braga, da CeÇa - Laboratório Colaborativo, o projeto reuniu 20 jovens que residem em comunidades do Grande Recife para desenvolver em conjunto a curadoria da exposição, composta por nove obras, também assinadas coletivamente pelo grupo.

O resultado busca proporcionar a vivência nas periferias para os visitantes e traz para o museu a narrativa que as comunidades querem contar sobre elas mesmas. O protagonismo desses jovens propõe um diálogo direto com o público e convida as periferias a ocupar esse espaço também como espectadora. O texto curatorial foi assinado pela jornalista e produtora cultural, editora regional da Alma Preta no Nordeste, Lenne Ferreira.

Os jovens curadores e coautores das obras são Aldeny Cavalcanti, Dodô Trajano, Emerson Gomes da silva, Jefferson da Silva Vitorino, Júlia Abage, Lalesca Alves, Luiz Phillipe Seixas Ramos de Barros, Maria Clara de Lima Santos, Maria Eduarda Gomes de Oliveira, Maria Gabriela Lima de Carvalho, Matheus Vinicius Das Neves, Maurício dos Santos, Micaela Almeida, MISS, Sales Pas Mesmo, Suennya Seixas, Súzan Araújo, Tuca Duarte, Vanessa Maria Rodrigues, Vênus Matos, Virginia Matos, Wictor Outro, Yana Ribeiro Teixeira e Zarthur Felipe da Silva. 

As narrativas desses jovens estão representadas através de instalações e videoartes, como em “Corpes Dissidentes”, que denuncia as implicações sociais envolvidas no cotidiano de regiões descentralizadas; “Não Está no Mapa”, que convida os visitantes a escreverem locais que sistemas de geolocalização não encontram refletindo sobre os processos de exclusão que vivenciam as comunidades. “Cenário Louco”, título de uma música de MC Leozinho, virou nome de uma obra que apresenta uma paisagem marcada pelas afetividades e memórias simbólicas das comunidades com o Frevo e outros elementos. 

A estreia da exposição contou com a participação dos artistas e curadores, gestores públicos, da diretora Maria Garibaldi, que comemorou a reabertura do Museu, que estava com as atividades suspensas obedecendo desde o início das medidas restritivas de combate à pandemia. Também compareceu o representante da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), uma das financiadoras do projeto, Raphael Callou, que celebrou a culminância do projeto. 

Um público composto por familiares dos jovens expositores, a maioria pela primeira vez no museu, fez questão de prestigiar a instalação. Na entrada do equipamento, era possível ver uma fila dobrando a esquina.

Algumas pessoas se queixaram da falta de representatividade durante as falas insititucionais, onde não se viu pessoas pretas ou qualquer recorte de raça nos discursos proferidos. No entanto, para Alberto Pires, um dos articuladores da ação, jovem negro da região Oeste do Recife, o momento tem um grande simbolismo e demonstra o esforço do Museu em democratizar o acesso ao equipamento que resguarda a memória do Frevo, outro patrimônio periférico  protagonizado pela população preta. 

"Estou muito feliz por ter uma obra minha em um museu", comentou a artista Nerfetite, que fez questão de prestigiar a exposição na companhia dos dois filhos, um ainda em fase de amamentação. No encerramento, a programação musical contou com Rap, BreaFunk, Funk e Frevo, todos gêneros também exaltados na mostra. 

Para conferir a exposição, a programação acontece terças a sextas-feiras, das 10h às 17h; sábados e domingos, das 11h às 18h. O ingresso para a exposição estará incluso no valor da entrada para o Paço do Frevo, que custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Nas terças-feiras a entrada é gratuira.

Alma Preta
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