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Catálogo inédito de arte africana chega ao Museu da Abolição de Recife

Intitulada 'Cultura material africana: primeiro catálogo do Acervo de Arte Africana do Museu da Abolição', a publicação digital visa alterar o olhar estereotipado sobre a produção cultural em África; lançamento virtual está marcado para esta quinta-feira (27)

27 jan 2022 14h26
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Imagem mostra peças de arte africana ao centro. No lado esquerdo, a historiadora Isabelle Ferreira e no direito o produtor cultural Wellington Silva.
Imagem mostra peças de arte africana ao centro. No lado esquerdo, a historiadora Isabelle Ferreira e no direito o produtor cultural Wellington Silva.
Foto: Imagem: Divulgação/Sandir Costa / Alma Preta

Recife terá um acervo de arte africana organizado em parceria com o Museu da Abolição - Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira, localizado na capital. Com o título 'Cultura material africana: primeiro catálogo do Acervo de Arte Africana do Museu da Abolição', a publicação digital visa democratizar o acesso à cultura e alterar o olhar estereotipado sobre a produção cultural em África, ilustrando 107 peças vindas do continente.

O catálogo chega ao público nesta quinta-feira (27) e chama a atenção pela pluralidade das produções artísticas e suas origens. Ao todo, a publicação reúne peças de 12 nações africanas: Camarões, Costa do Marfim, Gabão, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Máli, Nigéria, República Democrática do Congo, Serra Leoa e Zimbábue. 

A produção é assinada pelos produtores culturais Isabelle de Oliveira Ferreira, Sandir Barros Costa e Wellington Ricardo da Silva, será publicada pela Editora Universitária (UFPE) e estará disponível gratuitamente para download no site da mesma e do Museu da Abolição.

Segundo os idealizadores, o catálogo busca ser um elemento de colaboração à tarefa de restituir imaginários sobre a importância da estética africana para o mundo, considerando África o berço da humanidade e dando, em especial, aos afro-pernambucanos e afro-brasileiros a possibilidade de conhecer um pouco o universo da  matriz de formação da identidade cultural brasileira.

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Isabella Ferreira, também graduanda em história, em conversa com a Alma Preta Jornalismo, ressalta os impactos da distribuição gratuita do material. "Além do catálogo, o Mandume Cultural irá desenvolver uma exposição virtual e uma cartilha sobre aplicação deste acervo a partir da LEI 10.639/03 nos próximos meses, esforços que, somados, vão ajudar a ressignificar esteriótipos sobre a África e contribuir na valorização da autoestima sobre as origens da população negra, sem ter que passar necessariamente pelo evento da escravidão e pelo racismo", pontua.

A idealizadora também comenta as expectativas de democratizar o acesso a arte vinda de África. "Pude constatar que grande parte da cultura material africana no Brasil está presente em instituições museais, e sabemos bem os diversos entraves que a população negra enfrenta para ter acesso a esse material. É essencial que possamos trabalhar na difusão de coleções como essa que contam a história da África pelo viés artístico e cultural. A expectativa é fomentar cada vez mais possibilidades de leituras, interpretações e aproximações dessa coleção, buscando sempre fazer essa relação entra aspectos culturais e artísticos entre os países de África e o Brasil", finaliza. 

Os produtores culturais também acreditam que, a partir da divulgação do acervo, será possível fomentar reflexões sobre a importância do universo cultural africano ao problematizar as narrativas encontradas na indústria cultural, que, em sua maioria, partem das perspectivas fetichizadas, estereotipadas e esvaziadas de reflexões sobre aspectos de África. 

Para marcar a distribuição da publicação, uma live no perfil do Mandume Coletivo - grupo responsável por repensar o papel da população afro-pernambucana na produção cultural - será realizada. A transmissão também estará disponível no Instagram do próprio museu e acontecerá simultaneamente. 

O 'Cultura material africana: primeiro catálogo do Acervo de Arte Africana do Museu da Abolição' conta com recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), do Governo do Estado de Pernambuco, na modalidade de Microprojeto Cultural.

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Alma Preta
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