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Do subúrbio de Salvador para lista de inovadores Row100

Superando as estatísticas sociais, o baiano Paulo Rogério está entre as 100 pessoas mais inovadoras fora do Vale do Silício

8 jun 2022 05h00
| atualizado em 9/6/2022 às 22h16
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Paulo Rogério, um dos 100 nomes da lista de mais inovadores fora do Vale do Silício.
Paulo Rogério, um dos 100 nomes da lista de mais inovadores fora do Vale do Silício.
Foto: Jotta Silva

Do fliperama em seu bairro até a Vale do Dendê e AFAR Ventures, os negócios de Paulo Rogério, o tornaram reconhecido como empreendedor social, inclusive internacionalmente pela Ashoka. No último mês, Paulo integrou a lista Row100: Global Tech’s Changemakers, que reúne os 100 nomes mais inovadores fora do Vale do Silício.

“Postei no dia 14 de maio e foi muito simbólico porque é um dia após a falsa abolição do 13 de maio. Achei simbólico e muito importante que nesse dia um afrodescendente tivesse a possibilidade de estar numa lista global ao lado de figuras fundamentais para tecnologia no mundo hoje, como o co-fundador do TikTok, o co-fundador do Telegram e a co-fundadora da Nubank”, disse Paulo Rogério.

A trajetória empreendedora de Paulo começou ainda muito jovem, com cerca de 13 anos, no Subúrbio de Salvador, quando abriu seus pequenos negócios. “Eu tinha um fliperama, eu já tive um curso de informática comunitário, ali, pequeno, eu já vendi camisetas personalizadas, já tive uma pequena gráfica rápida”, lembrou. 

Mas, foi aos 23 anos que o empreendedor começou a conectar o empreendedorismo à vontade de criar e executar ideias a partir do tema social. O que levou ao surgimento do Instituto de Mídia Étnica (IME), uma organização da sociedade civil que realiza projetos para assegurar o direito humano à comunicação. 

“Estava na universidade ainda e convidei colegas de várias áreas da comunicação, nós juntos criamos essa organização [IME], e aí, eu fiquei praticamente 10 anos na liderança, com alguns intervalos quando estava fora do Brasil”, contou ele.

Tendo como base a tecnologia, a primeira formação do empreendedor, foi no ensino médio técnico em processamento de dados. Em seguida, migrou para a comunicação, e formou-se em publicidade e propaganda. Conquistou uma bolsa de estudos, e cursou uma espécie de pós-graduação em novas mídias e jornalismo na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. “Também fiquei um tempo dentro do MIT no Media Lab, como parte do meu estágio profissional”, completou Paulo.

“Quando eu voltei dos Estados Unidos, estava fazendo consultoria aqui para algumas empresas, fundações internacionais, mas eu fiquei com aquela angústia de ver uma cidade com tanto potencial subutilizado. Então eu tinha duas opções, ou voltar para os Estados Unidos, ou ficar em Salvador e devolver todo o conhecimento que eu tive”, contou Paulo sobre o fator motivador para empreender com foco em empreendedores negros e periféricos, a partir da Vale do Dendê.

Assim, Paulo Rogério ao lado dos cofundadores Rosenildo Ferreira, Ítala Herta, e Hélio Santos, criaram a Vale do Dendê, uma organização social que tem como objetivo fomentar ecossistemas de empreendedorismo e impacto social com foco na diversidade. 

Aceleração de negócios promovida pela Vale do Dendê.
Aceleração de negócios promovida pela Vale do Dendê.
Foto: Divulgação

“Eu acredito muito no potencial das pessoas periféricas, sub-representadas, que não tiveram oportunidade historicamente, porque elas adicionam à economia, aos negócios e à tecnologia, um novo olhar e um olhar mais conectado com a realidade da maioria das pessoas”, considerou Paulo. 

A Vale do Dendê, atualmente, tem uma nova governança. Então, em 2020, Paulo desenvolveu outros negócios, um deles é a Afro TV, uma plataforma de conteúdo voltada à comunidade afro. E também uma empresa chamada AFAR Ventures, uma empresa de consultoria internacional que atrai projetos para o Brasil. Sendo um deles o AfroPunk, festival de música trazido para o Brasil, através desta consultoria.

“O empreendedorismo sempre fez parte da minha vida, então desde os 13 e 14 anos, eu já estava fazendo empreendedorismo, né? E continuo até hoje fazendo empreendedorismo”, finaliza Paulo.

ANF
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